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Seminários da Amazônia discutem impactos das mudanças climáticas na qualidade do ar e na saúde pública
Foto: Fernanda Reis- Ascom Inpa.
O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) promoveu mais uma edição dos Seminários da Amazônia, desta vez com a participação da pesquisadora da Universidade de Aveiro (Portugal), Myriam Lopes. A palestra teve como tema “O ar que respiramos: desafios para a saúde e o ambiente num clima em mudança”, trazendo reflexões sobre os impactos da poluição atmosférica na saúde humana e nas transformações ambientais.
A pesquisadora apresentou diversos dados, como o da Organização Mundial da Saúde (OMS), informando que 99% das pessoas que vivem em grandes centros urbanos não respiram um ar considerado seguro. Esse cenário afeta diretamente a saúde da população, incluindo crianças, que são ainda mais vulneráveis aos efeitos da poluição. Myriam também ressaltou que, em média, respiramos 15 kg de ar por dia — cerca de 13 kg a mais do que o que consumimos em alimentos sólidos. “Isso por si só já mostra a urgência de cuidarmos da qualidade do ar que nos cerca”, afirmou.
A complexidade dos processos atmosféricos e seus impactos foi outro ponto abordado. De acordo com a pesquisadora, partículas de poluentes suspensos no ar, dependendo de seu tamanho, podem ser inaladas e alcançar desde os pulmões até a corrente sanguínea, atingindo órgãos diversos. Além dos poluentes serem agentes impulsionadores das mudanças climáticas, contribuindo para fenômenos meteorológicos, como as ondas de calor extremo, também têm consequências diretas sobre o bem-estar da sociedade.
“O calor não é apenas um desconforto físico, ele afeta nossa saúde mental e emocional”, explicou Myriam. De acordo com ela, comunidades que dependem da agricultura: a irregularidade das chuvas e os períodos prolongados de estiagem, causados pelas mudanças climáticas, têm levado ao aumento das taxas de suicídio entre agricultores, que veem sua subsistência ameaçada. Além disso, ressaltou estudos sobre o aumento dos índices de violência durante períodos prolongados de calor excessivo, revelando que o clima tem poder sobre o comportamento humano.
A palestrante também chamou atenção para a necessidade de adotar hábitos sustentáveis que considerem o ar como um recurso vital, assim como já ocorre com a água e o solo. "Respirar é nosso primeiro ato de vida, dependendo da temperatura, sem água sobreviveríamos em média, de 3 a 5 dias, sem comida, cerca de 30 a 40 dias, mas sem ar, morreríamos em questão de minutos, por isso precisamos protegê-lo e cuidar das próximas gerações", concluiu.
Sobre os Seminários da Amazônia
Constituem um espaço tradicional de diálogo e debate científico sobre temas relevantes para a região. Com foco na interdisciplinaridade e na diversidade de saberes, os Seminários abordam temas que vão da ecologia à antropologia, passando por biotecnologia, manejo florestal e políticas públicas. Fique atento às próximas edições e participe dessa construção para um futuro mais equilibrado. Os encontros são presenciais, gratuitos e abertos à comunidade acadêmica, instituições parceiras e ao público. Não há emissão de certificados para os participantes.

