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Inpa na COP 30 - A ciência amazônica na construção de soluções para a crise climática
O Inpa agora integra iniciativa francesa One Forest Vision (OFVI) ocupando uma cadeira no comitê científico internacional
O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) deu início à sua agenda de atividades na 30ª Conferência das Partes sobre Mudança do Clima (COP 30), realizada em Belém (PA), com participação em diferentes espaços de debate, incluindo a Zona Azul e o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG). A instituição apresenta à programação internacional uma série de contribuições científicas, palestras e iniciativas que reforçam o papel da pesquisa na construção de soluções para a crise climática e para o desenvolvimento sustentável.
“Mutirão pelo Clima”
Com o mote “Mutirão pelo Clima”, a COP 30 destacou a cooperação entre países, instituições e sociedade civil em torno da agenda climática global. No Pavilhão da França, na Zona Azul, um dos diversos espaços de debate da Conferência, o diretor do Inpa e codiretor do Centro Franco-Brasileiro da Biodiversidade Amazônica (CFBBA), Henrique Pereira, participou das discussões, que colocaram as grandes bacias tropicais no centro das atenções.
“Eu representei o CFBBA no evento da iniciativa francesa One Forest Vision (OFVI), que é um consórcio de instituições e pesquisadores de vários continentes. A proposta mais recente é que possamos integrar as três maiores bacias do mundo: a Amazônica, a do Congo, da Oceania. Esse encontro foi uma possibilidade de iniciarmos essa integração, ampliando o projeto OFVI para incluir a Amazônia com a inclusão do CFBBA. O Inpa ingressou no OFVI ocupando uma cadeira no comitê científico internacional", explicou o diretor.
Após as atividades no Pavilhão da França, o diretor do Inpa participou da programação científica da Rede Bioamazonia realizada no Museu Goeldi, dentro da série “Estação Amazônia Sempre” do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Criada em 2024, a Rede é formada por oito dos principais institutos de pesquisa e inovação em biodiversidade distribuídos em cinco países da Pan-Amazônia e objetiva fortalecer a cooperação científica e contribuir para a sustentabilidade da Amazônia, com foco na bioeconomia e comprometida com os povos e saberes da floresta.
Pereira moderou o painel “Dinâmica de Conflitos e Ameaças à Biodiversidade na Pan-Amazônia”, que reuniu representantes de centros de pesquisa do Brasil, Equador e do Peru. O debate contou ainda com a participação do pesquisador do Inpa, Jochen Schöngart, coordenador do projeto de Longa Duração (Peld-Maua) que investiga os impactos de distúrbios causados por eventos climáticos extremos (cheias, secas) e ações antrópicas (incêndios, usinas hidrelétricas) em áreas úmidas.
O diretor do Inpa ressaltou a importância do fortalecimento da cooperação científica pan-amazônica e o papel do Instituto na consolidação da Rede Bioamazônia. “É uma grande honra abrir este encontro, que marca mais um passo no fortalecimento da cooperação científica pan-amazônica. Falo em nome do Inpa, instituição brasileira com mais de setenta anos de trajetória científica na região, e também na condição de vice-presidente da Rede Bioamazonia, uma aliança que reúne os principais institutos de biodiversidade dos países amazônicos”, afirmou.
A Rede Bioamazonia tem como propósito promover a construção colaborativa e intercultural do conhecimento científico, reconhecendo a Amazônia como uma civilização florestal, onde natureza e sociedade se entrelaçam de forma inseparável. O painel, moderado pelo diretor do Instituto Nacional de Biodiversidad (Inabio/ Equador), teve como foco diagnósticos e soluções integradas para desafios compartilhados entre os países amazônicos.
Casa da Ciência promove integração e conhecimento
O Inpa também marcou presença na inauguração da Casa da Ciência, espaço do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) instalado no Museu Goeldi. Dedicado à divulgação científica, o espaço busca incentivar soluções climáticas e sustentáveis.
Na cerimônia de abertura, a ministra do MCTI, Luciana Santos, ressaltou que a Casa da Ciência será um ponto de encontro para pesquisadores, gestores públicos, estudantes e sociedade. Na ocasião, a ministra recebeu do Inpa o livro Espécies de Aves do Rio Cubate: Terra Indígena do Alto Rio Negro, vencedor do Prêmio Jabuti Acadêmico 2025 na categoria Ciências Biológicas, Biodiversidade e Biotecnologia.
A publicação foi entregue pelo designer gráfico da Editora Inpa, Tito Fernandes, e pelo chefe do Bosque da Ciência, Jorge Lobato. O livro é resultado de uma parceria entre pesquisadores do Inpa e de especialistas indígenas da comunidade indígena Baniwa, registrando 310 espécies de aves, incluindo seus nomes em Nheengatu, língua indígena falada na região.
Juventude e ciência
Representando o diretor do Inpa, a coordenadora-geral de Planejamento, Administração e Gestão (CGGE), Magalli Henriques, abriu a programação dos “Diálogos da Amazônia”, realizada em parceria com o Global Youth Climate Pact (GYCP). O encontro reuniu representantes de instituições e da sociedade civil para discutir o papel da juventude na agenda ambiental. A coordenadora ressaltou a importância da colaboração entre gerações e o engajamento jovem na construção de soluções sustentáveis para a Amazônia e para o planeta.
“Hoje, aqui na COP 30, no portão de entrada da Amazônia, trazemos esse legado conosco. O GYCP é a continuidade desse chamado: um pacto entre gerações, entre povos, entre sonhos e realidades. Que cada fala, cada proposta e cada gesto aqui representa o compromisso da juventude com um futuro justo, resiliente e regenerativo”, disse Magalli Henriques.
Participação ampliada
O Inpa segue com presença em múltiplas frentes de diálogo sobre clima, biodiversidade e desenvolvimento sustentável durante a COP 30, com participação ativa em rodadas de discussões da realizadas no Parque da Cidade, onde ocorre o evento principal, e eventos paralelos. Dentre os quais, a AgriZone, iniciativa da Embrapa voltada à agricultura sustentável, no campus da Universidade Federal do Pará (UFPA).


