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EBSERH NO CONBRASCC | DAS ÁGUAS À AÇÃO
Hospitais gaúchos da Rede Ebserh compartilham vivências e lições após as inundações de 2024
Santa Maria (RS) – Em maio de 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou sua maior enchente registrada, com chuvas intensas que isolaram municípios e afetaram a rede pública de saúde, exigindo resposta rápida e coordenada do Sistema Único de Saúde (SUS). Um ano depois, no Congresso Brasileiro sobre Catástrofes Climáticas (ConBrasCC), sediado no Centro de Convenções da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), profissionais dos três hospitais universitários federais vinculados à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) reuniram-se para compartilhar experiências, desafios e lições.
HUSM-UFSM: quando a água chega, a resposta precisa ser rápida
“Vivemos um momento de resiliência em Santa Maria e que foi importante para fazer o HUSM funcionar e acolher aqueles que mais precisavam. Os primeiros dias foram críticos, mas a parceria com diversas instituições funcionou e possibilitou a troca de materiais e insumos, além do transporte de pacientes”, disse o gerente administrativo do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM-UFSM), João Batista de Vasconcellos.
Localizado no centro do estado, o HUSM foi o primeiro dos três hospitais atingidos pelas inundações. Em poucos dias, Santa Maria registrou cerca de 800 milímetros de chuva. O Hospital enfrentou alagamentos no subsolo e no Bloco Cirúrgico, infiltrações na cobertura, desabamento do teto da UTI Pediátrica, queda nos serviços de internet e telefonia, colapso no abastecimento de água, além da interdição das vias de acesso.
Foi necessário realocar setores, suspender cirurgias eletivas e manter o atendimento apenas nas áreas não afetadas do HUSM. Para garantir uma coordenação eficiente, um Comitê de Crise foi instalado, promovendo decisões rápidas e fluxo constante de informações. Helicópteros da Força Aérea Brasileira (FAB) transportaram insumos e pacientes em situações críticas. A atuação do HUSM foi tão decisiva que, meses depois, recebeu o título de Membro Honorário da FAB.
“Reforçamos a importância do trabalho em equipe e a necessidade de planos de contingência. A cooperação entre todos foi fundamental para manter nossos serviços funcionando. Mas também precisamos discutir a infraestrutura hospitalar e a necessidade de estoques de segurança adequados, considerando as particularidades regionais. A reestruturação e a contratação de fornecedores são essenciais para enfrentar futuras emergências”, alertou João.
HU-Furg: fechar portas para abrir caminhos
“Estabelecemos um plano de contingência focado em proteger as estruturas do Hospital da invasão das águas e em manter o atendimento assistencial, especialmente nas áreas em que somos referência. Monitoramos o nível da Lagoa dos Patos, que não invadiu o prédio, mas cercou-o por todos os lados”, relatou o gerente de Atenção à Saúde do Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr., da Universidade Federal do Rio Grande (HU-Furg), Fábio Lopes.
Localizado em Rio Grande, a poucos metros da Lagoa dos Patos, o HU-Furg precisou suspender os atendimentos e transferir todos os pacientes, conforme orientação das autoridades de saúde estaduais. Pacientes em diferentes condições clínicas, como recém-nascidos em UTI, com doenças crônicas e idosos, foram transportados por via terrestre e aérea para outras unidades de saúde.
Equipes assistenciais foram deslocadas para atender em locais seguros, como o Campus Carreiros da Furg e para a Santa Casa do Rio Grande. Dentre as equipes estavam o Ambulatório de Gestação de Alto Risco, o Banco de Leite Humano e o Serviço de Atendimento Especializado em Infectologia. Além disso, profissionais e equipamentos foram remanejados para Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), hospitais municipais e para o HE-UFPel, que passou a acolher gestantes de alto risco e recém-nascidos. A resposta foi fruto de uma articulação conjunta entre Ebserh, Exército, Secretaria Estadual da Saúde, Defesa Civil e Prefeitura.
“Essa experiência foi intensa e desafiadora. O Hospital não foi invadido, mas a vulnerabilidade persiste. Agradecemos ao apoio incondicional da Ebserh, que esteve conosco em diversas reuniões e garantiu suporte durante o enfrentamento da crise. Essa situação mostrou que, mesmo sem acesso físico, continuamos presentes. Onde houver paciente, haverá cuidado”, afirmou Fábio Lopes.
HE-UFPel: transformando desafios em acolhimento
“É importante lembrar que eventos climáticos estão aumentando em frequência e intensidade. Precisamos discutir como nos preparar para esses eventos. Os planos de contingência devem ser integrados e abrangentes”, pontuou o chefe da Unidade de Saúde Ocupacional e Segurança no Trabalho do Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (HE-UFPel), Felipe Vieira Camerini.
O HE-UFPel, em Pelotas, próximo à Lagoa dos Patos, enfrentou risco de inundação, desabastecimento e dificuldade de acesso. Mesmo assim, assumiu papel fundamental na crise, recebendo pacientes, equipamentos e profissionais do HU-Furg, incluindo ginecologistas, anestesistas e pediatras. Com o fechamento da Maternidade do HU-Furg, tornou-se referência regional para gestação de alto risco.
Mostrando capacidade de adaptação, o Hospital criou um serviço de teleconsultoria em Clínica Médica e Endocrinologia, oferecendo suporte remoto a médicos da atenção básica, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde. A iniciativa garantiu continuidade no atendimento pelo SUS mesmo com os desafios logísticos.
O HE-UFPel organizou espaços de acolhimento para trabalhadores afetados, reforçou o monitoramento de estoques, recebeu doações de outros Hospitais da Rede Ebserh e articulou, com apoio do Exército, o transporte de nutrição parenteral. Cirurgias e atendimentos foram suspensos, mas a população foi informada por meio de comunicados e vídeos.
“Organizamos alojamentos para nossos trabalhadores afetados, considerando que o funcionamento do HE-UFPel depende da acessibilidade para pacientes e colaboradores. Se não tivermos o Hospital funcionando, a saúde da comunidade fica comprometida. Além disso, precisamos fortalecer nossas ações de planejamento e resposta. Estar preparado é essencial para garantir que, em caso de catástrofes, possamos agir rapidamente”, concluiu Felipe.
Sobre o ConBrasCC
O ConBrasCC ocorre de 29 a 31 de maio e discute “Enchentes e desmoronamentos – impactos, desafios e perspectivas para a gestão dos serviços de saúde”, em resposta às inundações de 2024 no Rio Grande do Sul. O evento visa avaliar os impactos das inundações, promover inovações para prevenir futuros problemas e reduzir a morbimortalidade.
Além disso, está alinhado aos princípios da Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (PNCTIS) e às diretrizes do Plano Nacional de Saúde (2024–2027). O ConBrasCC foi um dos seis projetos aprovados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O objetivo é capacitar gestores e profissionais para enfrentar emergências climáticas e promover melhorias na saúde pública. Além disso, o evento destinou os valores arrecadados com as inscrições ao Banco de Alimentos do Rio Grande do Sul, fortalecendo ações solidárias.
Sobre a Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Andreia Pires
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh