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DEZEMBRO LARANJA
Dermatologista do HUSM alerta a população sobre a importância do diagnóstico precoce para o tratamento de câncer de pele
O Rio Grande do Sul é o estado do país com maior incidência de câncer de pele. O fato se deve a origem ética da população, na maioria descendentes de Italianos e alemães, com pele clara e baixa produção de melanina (substância cuja principal função é proteger a pele dos raios ultravioleta). Pessoas que possuam algum tipo de lesão na pele, como manchas, sinais com deformidades, coceira persistente, sangramentos, feridas e cicatrizes que não fecham (por mais de quatro semanas), devem procurar o médico.
- Somos uma região que não tem sol o ano todo e temos uma população muito branca. Sem uma adaptação da pele, como alguém que está sempre exposto ao sol, no curto espaço do nosso verão, acaba queimando muito – explica o dermatologista, André Costa Beber, do Hospital Universitário de Santa Maria.
Neste mês dedicado à prevenção ao câncer de pele, o tipo de tumor mais prevalente na população brasileira, segundo o Ministério da Saúde, o médico orienta a população para que fique atenta aos primeiros sinais e procure atendimento no posto de saúde.
Uma dica importante para que a pessoa se conheça melhor e procure um especialista é a “regra do ABCDE” para lesões, sendo o A de assimetria; o B de bordas irregulares; o C de cor (duas ou mais); o D de diâmetro maior que 5 milímetros; e o E de evolução (alteração de tamanho, forma e cor).
A partir do momento que uma pinta, que a pessoa já tinha, começar a mudar de cor, ficar mais escura ou crescer, ela precisa ser avaliada. Principalmente nas áreas mais expostas ao sol, como rosto, costas e braços. Se aparecer uma mancha vermelha que, ao secar ou coçar, sangra um pouco, também tem que ser avaliada.
O câncer de pele, conforme explica Costa Beber é uma alteração das células que se multiplicam de forma anormal. Existem dois tipos de classificação da doença: o não melanoma, mais frequente na população, que pode se desenvolver nas células basais (na camada mais profunda da epiderme, chamado de carcinoma basocelular), ou nas células mais superiores da pele (chamado de carcinoma espinocelular).
Já o melanoma, forma mais grave da doença, recebe este nome porque atinge os melanócitos, células responsáveis pela cor de pele.
O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que, entre 2023 e 2025, a cada ano surjam mais de 220 mil casos de câncer de pele não melanoma, enquanto para o melanoma são esperados quase nove mil casos por ano.
Além do diagnóstico feito por meio de análise clínica durante consulta para avaliação das lesões, pode ser sugerida biópsia, quando necessário. Na maioria dos casos, o tumor é removido com cirurgia. Um percentual menor, levando em consideração o tamanho e o nível do tumor, pode ter indicação de quimioterapia e radioterapia.
- Por isso, quanto mais no início, logo que surja o sinal, deve-se procurar atendimento médico. As chances de cura são de 90%. Quando a pinta já modificou, a chance de cura diminuiu.
Prevenir é o melhor remédio - Os danos do sol são cumulativos. Pesquisas indicam que a infância é uma fase particularmente vulnerável aos efeitos nocivos do sol e a exposição cumulativa e excessiva durante os primeiros 10 a 20 anos de vida aumenta muito o risco de câncer de pele na fase adulta ou velhice. Então, a prevenção realmente precisa começar desde cedo.
- A imensa maioria do câncer de pele surge em área que a pessoa não usava roupa: rosto e braços. Use chapéu para proteger nariz e orelha. Filtro solar é uma proteção para aquela área que não tem como ser coberta. Ele protege, diminuiu a chance sim. Mas o que realmente protege é a não exposição.
Diante dos sinais, deve-se procurar atendimento no posto de saúde mais perto do local onde a pessoa mora.
- O médico vai avaliar e, se ela tiver suspeita, vai ter prioridade no sistema. Não demora a chegar a uma consulta no hospital. O atendimento vai ser breve e ela vai ser atendida – afirma o dermatologista.
Sobre a Ebserh
O HUSM faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.