Notícias
Reabilitação hospitalar
A atuação dos fisioterapeutas como elo entre a tecnologia e o cuidado humano
Santa Maria (RS) – No mês em que se celebra o Dia do Fisioterapeuta, a equipe de Fisioterapia do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM-UFSM) convidou a reportagem para mostrar como é o trabalho dentro das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) Adulta e Coronariana.
Em meio a tecnologias avançadas e cuidados intensivos, esses profissionais são parte fundamental da recuperação e da reabilitação de pacientes graves.
Para a chefe da UTI Adulta e Coronariana do HUSM, Janice Soares, o trabalho dos fisioterapeutas é indispensável na recuperação dos pacientes graves. Segundo ela, a equipe atua tanto na prevenção de complicações respiratórias quanto na reabilitação motora e respiratória, com foco na mobilização precoce — prática que, de acordo com evidências científicas, reduz o tempo de internação e a mortalidade.
“Os fisioterapeutas trabalham incansavelmente para devolver os pacientes às suas famílias e à comunidade com funcionalidade e qualidade de vida”, destaca Janice.
A fisioterapeuta Camila Dorneles explica que a fisioterapia atua na manutenção e recuperação das funções pulmonar e músculo-esquelética (tipo de tecido muscular que se conecta aos ossos e é responsável pelos movimentos voluntários do corpo, como correr, andar e levantar objetos). Tem foco na ventilação mecânica, prevenção de infecções respiratórias e atrofias musculares, promovendo conforto e restauração da funcionalidade o mais rápido possível.
Entre as principais técnicas utilizadas estão higiene brônquica, reexpansão pulmonar, treino de força e coordenação, mobilização precoce e posicionamento no leito, além da reabilitação progressiva até o treino de marcha.
A avaliação inicial é feita com base em testes e escalas específicas de nível de consciência, força muscular, mobilidade e função respiratória, somadas à análise de exames laboratoriais, de imagem e do histórico clínico do paciente. Cada plano terapêutico é elaborado de forma individual, respeitando as condições e limitações de cada caso.
Na rotina da UTI, o trabalho é amparado por protocolos e tecnologias de ponta. Além dos equipamentos característicos do setor, como monitores e ventiladores mecânicos, a equipe de fisioterapia atua de forma organizada e contínua.
O setor conta com 17 profissionais divididos em turnos, sendo três fisioterapeutas pela manhã e três à tarde e dois à noite— cada um responsável, em média, por 10 pacientes. Essa estrutura garante assistência diária e individualizada a todos os internados.
No dia a dia, são aplicados protocolos específicos de reabilitação, como o de mobilização precoce e o de eletroestimulação (em fase de implementação), além de protocolos consolidados, como o processo de transição da ventilação mecânica artificial para a respiração espontânea e a retirada do tubo de ventilação mecânica.
A integração com a equipe multiprofissional é constante e indispensável.
“Dentro do ambiente da UTI, realizamos rounds e checklists com todos os membros da equipe, discutindo planos e metas de tratamento para cada paciente. Também promovemos capacitações multiprofissionais sobre as rotinas das unidades”, destaca Camila.
Quando questionada sobre os maiores desafios da atuação no setor, a fisioterapeuta reconhece que a UTI é um ambiente de alta complexidade, que exige preparo técnico e emocional — onde a tomada de decisão rápida pode definir o estado de saúde do paciente.
“Mas é justamente acompanhar a evolução dos pacientes críticos que traz sentido à profissão. Sempre digo que o fisioterapeuta é movido a esperança, e quando vemos um paciente voltar a respirar sozinho ou a se movimentar novamente, é uma realização incrível.”
A rotina, embora exaustiva, é também profundamente humana.
“Nem sempre o desfecho é o desejado, e precisamos lidar com a frustração e até com o luto. Mas cada vitória, cada passo, cada respiração conquistada nos lembra por que escolhemos essa profissão.” Afirma a fisioterapeuta.
O vínculo com pacientes e familiares também é parte fundamental do processo.
“Muitos voltam para agradecer, trazer uma palavra de carinho. É um reconhecimento que nos enche de gratidão.” recorda.
No mês do Fisioterapeuta, Camila deixa uma mensagem para quem sonha seguir esse caminho:
“Quem escolhe essa área precisa estar em constante atualização e gostar do ambiente hospitalar. É uma área exigente, mas, acima de tudo, muito gratificante.”
Saiba mais:
Segundo a chefe da Unidade de Administração de Pessoal do HUSM, Edivane Chielle, o hospital conta atualmente com 58 fisioterapeutas.
Além da fisioterapeuta Camila, outros profissionais da UTI compartilharam suas experiências e momentos marcantes da carreira — confira no Instagram @husmufsm
Sobre a Ebserh
O HUSM-UFSM faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por: Maria Eduarda Silva da Silva, acadêmica do Curso de Jornalismo da UFSM e estagiária da Unidade de Comunicação do HUSM.