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CIÊNCIA E ACOLHIMENTO
Maria Gabriela Mendoza Sassi: pioneirismo e desafios no SAE Infectologia
Rio Grande (RS) – Maria Gabriela Mendoza Sassi é médica, mas sua história com o SAE Infectologia do HU-Furg/Ebserh, começou durante o Programa de Residência Médica. Ela esteve presente no atendimento do primeiro paciente com HIV no HU-Furg, atuando, na prática, como preceptora de sua própria orientadora, Jussara Maria Silveira, graças à experiência prévia com a infecção que havia adquirido na França. Esse episódio a insere no legado de 35 anos do SAE Infectologia, um serviço que desde o início uniu diagnóstico, tratamento e acolhimento. Foi essa dedicação que construiu vínculos de confiança e cuidado que atravessam gerações. Acompanhe a experiência relatada por Gabriela:
Como foi o início de sua ligação com o SAE Infectologia?
“Fiz minha formação acadêmica na Furg, onde também realizei a residência em Clínica Médica e fui professora de Doenças Infecciosas e Parasitárias. Participei do atendimento do primeiro paciente infectado pelo HIV no HU-Furg ainda na época em que era residente. Curiosamente, naquele atendimento, eu assumi o papel de ‘preceptora’ da minha própria preceptora, Jussara Maria Silveira, porque eu já tinha experiencia com a infecção durante um período de formação na França. Foi um momento de aprendizado e muita responsabilidade.”
Quais eram os principais desafios naquela época?
“A infecção pelo HIV, nos anos 80, em Rio Grande, foi um grande desafio. Lidar com uma doença nova já era difícil, mas havia também muito medo, preconceito e incompreensão. Quando se fazia o diagnóstico de HIV, a pessoa era automaticamente enquadrada em grupos de risco, sofrendo uma dupla condenação social: pelo medo de transmissão e pelo comportamento considerado de risco. Muitos pacientes pertenciam às camadas mais rejeitadas da sociedade e, desde o início, o apoio da direção do HU e dos laboratórios de Microbiologia, Parasitologia e Patologia foi essencial para garantir diagnósticos adequados, mesmo sem todos os recursos desejáveis.”
Como a equipe do HU-Furg se organizou para atender os pacientes?
“O principal desafio da equipe assistencial era afastar o medo, esclarecer sobre o risco de transmissão e organizar o atendimento em todos os níveis. A Enfermagem esteve presente desde o início, desenvolvendo atividades de atendimento e prevenção, e rapidamente percebemos que seria necessária a colaboração de colegas de outras especialidades, como Pneumologia, Ginecologia, Gastroenterologia, Oftalmologia, Radiologia, Dermatologia e Cirurgia, o que se obteve tanto no HU quanto em consultórios particulares. Nos anos 80 e 90, os pacientes eram atendidos no ambulatório e hospitalizados para tratamentos e exames invasivos, já que os antirretrovirais ainda não estavam disponíveis ou não eram eficazes, e as infecções oportunistas eram frequentes.”
Como o Serviço evoluiu?
“À medida que o número de casos aumentava, percebemos a necessidade de organizar melhor o atendimento. Com a instalação do Hospital-Dia, os pacientes puderam realizar tratamentos e exames sem necessidade de internação, o que foi um grande avanço, permitindo atender mais pessoas em melhores condições. Além disso, as condutas médicas foram unificadas, implementamos discussões de equipe para casos mais complexos e incorporamos novos profissionais ao Serviço, como nutricionistas, farmacêuticos, fisioterapeutas e assistentes sociais. Muitos médicos que não eram da Furg também nos ajudaram, atendendo pacientes em seus consultórios particulares. O compromisso com os pacientes e com a missão do Serviço sempre falou mais alto.”
Sobre a Ebserh
O HU-Furg faz parte da Rede Ebserh desde julho de 2015. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Andreia Pires
Apoio de Leonardo Andrada de Mello/UCR15 e Alan Bastos/UAO5
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh