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CIÊNCIA E INOVAÇÃO EM SAÚDE
Bolsistas apresentam resultados dos Programas de Iniciação Científica e Tecnológica no HU-Furg
Rio Grande (RS) – A Gerência de Ensino e Pesquisa (GEP) do Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr., da Universidade Federal do Rio Grande (HU-Furg), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), realizou a IV Mostra de Iniciação Científica e Tecnológica, ligada aos Programas de Iniciação Científica (PIC) e Tecnológica (PIT) edição 2024/2025. O encontro foi realizado em 26 de agosto, das 9h às 17h, no Anfiteatro Prof. Vicente Mariano Pias, na Área Acadêmica Prof. Newton Azevedo.
A gerente de Ensino e Pesquisa, Marilice Magroski, destacou que “A apresentação dos trabalhos dos bolsistas que participaram do PIC e PIT fecha mais um ciclo de sucesso desses programas que a Ebserh vem proporcionando na rede de hospitais universitários federais sob sua gestão. Vale ressaltar a excelente qualidade dos projetos desenvolvidos pelos bolsistas e seus orientadores”.
Além disso, Marilice ressaltou que o Setor de Gestão da Pesquisa e Inovação Tecnológica em Saúde (SGPITS), com o apoio do Setor de Gestão de Ensino (SEGE) e dos assistentes administrativos, coordenou todo o processo e a realização do evento final “com maestria, proporcionando um momento de compartilhamento de saberes e a perspectiva de que novos projetos serão desenvolvidos e outros terão continuidade, trazendo frutos inclusive para o processo assistencial”. Marilice também parabenizou os colaboradores da GEP pelo envolvimento e comprometimento com o ensino, a pesquisa e a inovação em saúde no HU-Furg/Ebserh.
Para o chefe do SGPITS, Luis Fernando Guerreiro, “A Mostra de Iniciação Científica e Tecnológica do HU-Furg promoveu uma forte aproximação entre docentes, projetos de pesquisa e de inovação com aplicabilidade no sistema de saúde, envolvendo de forma expressiva os discentes e graduandos que participam dos programas e contribuindo para avanços significativos em projetos voltados à assistência”.
Os programas, uma parceria entre a Ebserh e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), oferecem bolsas com duração de 12 meses e valor mensal de R$ 700,00 para cada participante. O PIC apoia investigações aplicadas à saúde, enquanto o PIT incentiva o desenvolvimento de soluções tecnológicas com potencial de aplicação nos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). Os bolsistas são avaliados a cada três meses com entrega de relatórios e apresentação de monitoramento das pesquisas.
Na edição 2024/2025, o 3º ciclo do PIC concedeu 369 bolsas e o 2º ciclo do PIT disponibilizou 246 bolsas nos 45 hospitais universitários federais da Rede Ebserh. No HU-Furg, 15 estudantes das áreas de Enfermagem, Medicina e Sistemas de Informação participaram dos projetos. Luis ressaltou que “o principal objetivo é a formação dos nossos alunos, tanto em pesquisa quanto em inovação, e, com o encerramento do ciclo 2024–2025, apresentamos 15 projetos que retornam em benefícios para a sociedade. São 15 devolutivas de projetos financiados pela Ebserh e pelo CNPq, cujos resultados já vêm sendo aplicados no sistema de saúde e no nosso Hospital Universitário”.
Ao encerrar mais um ciclo do programa de iniciação científica, a chefe da Unidade de Gestão da Pesquisa (UGPESQ), Carolina Amaral da Silva, expressou sua satisfação com os resultados obtidos. “Ficamos muito felizes com os resultados das pesquisas e principalmente a dedicação dos bolsistas que participaram desta edição. Que esta iniciativa contribuindo para que mais acadêmicos possam desenvolver suas habilidades de pesquisa científica”.
Complementando, o chefe da Unidade de Gestão da Inovação Tecnológica em Saúde (UGITS), Pedro Baptista dos Santos, destacou o papel da inovação desde a graduação. “Estimular a inovação tecnológica permite que os estudantes construam uma visão proativa sobre os desafios do sistema de saúde. No HU-Furg/Ebserh, isso significa formar profissionais capazes de propor soluções criativas para melhorar o cuidado aos pacientes, otimizar processos hospitalares e contribuir para a sustentabilidade do SUS”.
Conhecimento que se transforma vidas
Para a bolsista Isabel Cristina Schwarzer Spies, acadêmica do 10º semestre de Medicina, a experiência na iniciação científica foi transformadora: “Iniciei minha jornada como bolsista do PIC no HU-Furg/Ebserh em 2023, logo no começo da faculdade, então meus aprendizados do currículo da graduação e da iniciação científica se confundem”. Durante esse período, Isabel se dedicou ao estudo teórico do tema do projeto, à pesquisa bibliográfica e às atividades práticas propostas, sempre contando com o apoio da GEP e de sua orientadora para sanar dúvidas e lidar com intercorrências.
Dentre os marcos em sua trajetória, a acadêmica destacou as apresentações, inclusive uma internacional, o desenvolvimento de habilidades de leitura e escrita científica e a vivência do trabalho em equipe. “Tenho segurança em afirmar que minha participação na iniciação científica foi determinante para meu desenvolvimento acadêmico, para a construção da médica que pretendo ser, por facilitar meu acesso à prática clínica e por contribuir para meu amadurecimento pessoal”, afirmou.
Para Isabel, “compreender, ou ao menos buscar compreender, os passos, protocolos, dificuldades e o rigor de uma pesquisa ampliaram sua capacidade de reconhecer evidências científicas robustas e valorizá-las na prática médica. Participar de todas as etapas, desde a coleta de dados, entrevistas, transcrição, análise até a apresentação dos resultados, me permitiu conhecer um universo que, mesmo na Universidade, às vezes passa despercebido”.
A bolsista também ressaltou o impacto humano da experiência: "ganhou confiança, desenvoltura, habilidades de comunicação, técnica de oratória e fez amizades. “Precisei aprender a me comportar em situações críticas e a resolver problemas — muitos deles causados por mim mesma. Além disso, a porta de entrada para o Hospital que a iniciação científica me proporcionou, para além das aulas práticas do currículo, me permitiu conhecer casos clínicos, pessoas e suas histórias de vida, e profissionais que se tornaram inspirações e modelos de conduta”.
Isabel deixou um conselho aos colegas: “Às vezes, principalmente no início da graduação, pode parecer muito difícil escrever um projeto ou acessar um programa de iniciação científica, as oportunidades parecem não surgir. Meu conselho é identificar as áreas e temas com os quais você se identifica — ou um problema que deseja resolver, uma questão que quer levantar — e procurar diretamente os professores dessas áreas, seja por e-mail ou ao final de uma aula, para propor um trabalho e demonstrar interesse. Não existe um momento certo para começar, o que existe é uma lacuna quando ela não é realizada em nenhum momento da graduação. Sou muito grata por essa experiência!”.
Inovação e Pesquisa em Foco
Dentre os estudos desenvolvidos no PIT estão:
- Um sistema baseado na Inteligência Artificial de Imagens para auxílio ao diagnóstico precoce de câncer de pele na Rede de Atenção Básica e Estratégia de Saúde de Família do SUS em Rio Grande – RS, do bolsista Luiz Felipe dos Reis Neves, com o orientador Luciano Zogbi Dias;
- Desenvolvimento de um modelo de simulador de baixo custo para treinamento de inserção de implante subdérmico de etonogestrel – IMPLANON NXT®, do bolsista Luana Raquel Karkow Wajciechawski, com o orientador Heitor Silva Biondi;
- Implementação de um sistema informatizado para o controle do uso de antimicrobianos no ambiente hospitalar, da bolsista Alice Maria Alves da Silva, com a orientadora Aline Kegler;
- Desenvolvimento de fármacos para o tratamento de infecções relacionadas à assistência em saúde (IRAS), da bolsista Marcela Barbosa Garcia, com a orientadora Daniela Fernandes Ramos;
- Repositório dinâmico de informações pregressas e atuais de saúde do usuário, com o bolsista Pedro Garcia Machado, com a orientadora Graçaliz Pereira Dimuro;
- Desenvolvimento de um modelo de simulador de baixo custo para treinamento da punção do cateter totalmente implantado – PORT-A-CATH®, do bolsista Oscar Figueira Filho, com o orientador Heitor Silva Biondi.
Dentre os estudos desenvolvidos no PIC estão:
- Prática baseada em evidências: Práticas, atitudes e conhecimentos de estudantes de graduação em enfermagem e enfermeiros, da bolsista Rhaíssa Grazielli Vieira de Azevêdo, com a orientadora Jamila Geri Tomaschewski Barlem;
- Estudo Epidemiológico sobre a Prevalência Nacional de Agentes Respiratórios em Crianças, do bolsista Gustavo Ianzer Moraes, com a orientadora Ivy Bastos Ramis de Souza;
- Avaliação de um protocolo assistencial de vigilância ativa para câncer de próstata no SUS, da bolsista Beatriz Sofia Bretas Velasques, com o orientador Hsu Yuan Ting;
- Disparidade étnico-racial em indicadores de saúde de setores de um Hospital Universitário no sul Brasil, da bolsista Luiza Silva da Cruz, com o orientador Flávio Manoel Rodrigues da Silva Júnior;
- Vigilância e Atenção em Anomalias Congênitas no estado do Rio Grande do Sul: projeto piloto baseado no SINASC, da bolsista Isabel Cristina Schwarzer Spies, com a orientadora Simone de Menezes Karam;
- Ensaio clínico prospectivo multicêntrico para avaliar a acurácia de novos testes diagnósticos de TB e TB droga resistente em diferentes regiões do país: Standard M10 e MDR MTB LAMP, da bolsista Eduarda Silva Mello, com o orientador Pedro Eduardo Almeida da Silva;
- Perfil das pacientes que buscam inserção de DIU na construção de estratégias de planejamento familiar em Rio Grande/RS, do bolsista Tarcísio Lopes, coma orientadora Kharen Carlotto;
- Avaliação do conhecimento dos profissionais de saúde sobre Ressuscitação Cardiopulmonar do adulto após atividade de ensino baseado em simulação: um estudo quase experimental longitudinal, do bolsista Raphael Pablo Abreu dos Santos, com o orientador Heitor Silva Biondi.
Sobre a Ebserh
O HU-Furg faz parte da Rede Ebserh desde julho de 2015. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Andreia Pires
Fotos: Alan Bastos (UAO 5) e Andreia Pires
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh