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DE OLHO NA PESQUISA
Evidência que vira cuidado no Huap-UFF
Nesta edição do De Olho na Pesquisa, o Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap-UFF/Ebserh) destaca estudos que conectam tireoide, metabolismo e condições clínicas de alta prevalência, com ênfase em métodos diagnósticos, estratificação de risco e formação de novos pesquisadores — pilares que fortalecem o cuidado ofertado à população.
“Não se faz pesquisa de forma isolada. Todo o nosso trabalho tem contado com a colaboração de docentes, alunos de pós-graduação (mestrado e doutorado) e alunos de graduação”, afirma Rubens Antunes, chefe do Setor de Gestão da Pesquisa e Inovação Tecnológica em Saúde do HUAP e endocrinologista. Segundo o pesquisador, a produção científica nasce da integração entre assistência, pós-graduação e graduação, envolvendo áreas como patologia, imagem, cardiologia, ciência da computação, nutrição e nefrologia.
A trajetória em tireoide começou ainda na formação acadêmica e seguiu do laboratório para a clínica. “Ao terminar a residência médica, em 1988, me candidatei a vaga de mestrado em endocrinologia na UFRJ. Fui aprovado e tive como orientador o Professor Mario Vaisman, que tinha linha de pesquisa em tireoide”. Ele recorda o primeiro estudo: “Desenvolvi um estudo inédito no Brasil onde estudei a ‘Avaliação fenotípica dos infiltrados celulares e da expressão de HLA-DR em tireoides de pacientes com doença de Graves tratados com propiltiouracil’, através de imunohistoquímica (APAAP). Defendi a minha dissertação em 1990”.
O fio condutor sempre foi transformar perguntas em decisões clínicas melhores. “Quando comecei a estudar autoimunidade tireoideana tinha como objetivo contribuir com o descobrimento do que leva um paciente a desenvolver a doença autoimune, ou seja, os fatores desencadeadores de todo o processo. Por isso, no mestrado investiguei
que células estavam infiltrando a tireoide daqueles pacientes e, no doutorado, segui uma possível causa específica de desencadeamento da doença autoimune que é a infecção viral, especificamente, a infecção retroviral”. A linha culminou no estudo sobre HTLV-1 e autoimunidade da tireoide, base para novas hipóteses e protocolos de investigação no serviço.
As perguntas clínicas orientam escolhas diagnósticas mais precisas também no manejo de nódulos. “Em outra linha de pesquisa, estudamos uma forma de aprimorar o diagnóstico diferencial entre o nódulo de tireoide maligno e benigno. Para isso utilizamos a técnica da termografia, através de câmera que capta a radiação infravermelha”. Segundo o pesquisador, a colaboração com a área de computação resultou em publicações que exploram redes neurais e parâmetros térmicos para apoiar a decisão médica.
No cuidado ao idoso, a equipe buscou marcadores simples e factíveis na rotina. “Estudamos a prevalência de síndrome metabólica em pacientes idosos, por critérios diferentes”, diz Rubens, ressaltando a utilidade de medidas práticas. “Conseguimos mostrar que a circunferência do pescoço pode predizer a presença da chamada resistência à ação da insulina em idosos”.
Entre pessoas vivendo com HIV, os estudos focam composição corporal, saúde óssea e eixo hormonal. “Conseguimos avaliar através da DEXA (método que avalia densidade óssea e composição corporal) a massa óssea, composição corporal e a vitamina D nesses pacientes, além da avaliação da função gonadal em homens com HIV, mostrando a importância de se avaliar a Testosterona Livre nesses pacientes”. Para ele, evidências desse tipo refinam protocolos e qualificam o acompanhamento no SUS.
Produzir dados clínicos exige fôlego e estrutura. Segundo o pesquisador, os estudos demandam planejamento de recursos e continuidade de investimentos, além de rotinas robustas de coleta e qualificação de dados — um processo naturalmente trabalhoso, sujeito a perdas e retrabalhos. No HUAP, a colaboração com diferentes especialidades da UFF, o suporte do Centro de Pesquisa Clínica e o uso do DEXA da Faculdade de Nutrição têm sido decisivos para transformar desafios em resultados.
O tripé universitário fecha o ciclo que devolve conhecimento ao leito. “Praticamente todos os estudos citados foram gerados em conjunto com alunos de mestrado e doutorado, com envolvimento de alunos de graduação em projetos de iniciação científica, o que não só contribui em muito na formação de pós-graduandos, como também do aluno de graduação, além de envolver os nossos residentes”. Para Rubens, a quase totalidade dos estudos nasce do cotidiano do hospital — ambulatórios e enfermarias — e retorna como protocolos mais precisos, rastreio oportuno e acompanhamento mais seguro.
Sobre a Ebserh
O Hospital Universitário da Antônio Pedro da Universidade Federal Fluminense (Huap-UFF) faz parte da Rede Ebserh desde o início de 2016. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Felipe Monteiro
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh