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Indícios de doenças renais devem ser investigados precocemente, advertem profissionais do HC-UFTM
A doença renal crônica é uma enfermidade silenciosa que, em estágios avançados, pode provocar a perda progressiva e até irreversível das funções dos rins, levando à necessidade de hemodiálise ou mesmo de um transplante. Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), cerca de 140 mil pessoas fazem diálise no país. Em 2022, a data de 10 de março (Dia Mundial do Rim) serviu de alerta para esse quadro.
De acordo com o nefrologista Fabiano Bichuette Custódio, chefe da Unidade do Sistema Urinário do Hospital de Clínicas da UFTM, a segunda quinta-feira do mês de março chama a atenção, anualmente, para as enfermidades que acometem os rins, conscientizando acerca da importância de se diagnosticar o quanto antes a doença renal crônica.
“Essa educação deve atingir não só a população mais leiga, mas educar os nossos profissionais de saúde para saberem quais exames devem ser pedidos, qual a população de maior risco que deve ser investigada”, explica Custódio. O profissional retrata que “na doença renal crônica, em 70% das vezes o paciente começa a fazer diálise ou hemodiálise não tendo sintomas antes, porque a doença é silenciosa”.
Os principais grupos de risco são os diabéticos, os hipertensos e pessoas com inflamações ou doenças autoimunes que afetam os rins. O nefrologista enumera as alternativas de tratamento para o doente renal crônico: “Existem três formas de se substituir o funcionamento do rim: a hemodiálise, na qual o sangue é filtrado através de uma máquina; a diálise peritoneal, na qual o sangue é filtrado através de um líquido que é colocado dentro da cavidade abdominal do paciente, e o transplante”. Atualmente, 42 pacientes fazem hemodiálise no Hospital de Clínicas da UFTM.
Custódio reforça que as alternativas de tratamento, para serem eficazes, precisam ser definidas conforme cada ciclo evolutivo da doença, sendo o fator tempo primordial para barrar o avanço da enfermidade. Para o nefrologista, isso se faz "cuidando da pressão e do diabetes, usando medicamentos que diminuem a proteína perdida pelos rins, fazendo uma dieta pobre em proteína, não tomando anti-inflamatórios sem indicação, perdendo peso e não fumando", esclarece, ressalvando que essas medidas não curam a doença renal, mas atrasam sua progressão.
Regina Célia de Paiva Resende, de 58 anos, passou por momentos difíceis no último ano. Sentia tanta fraqueza que por vezes era difícil fazer atividades corriqueiras como vestir-se ou mesmo ficar em pé. “Estive internada 11 dias no HC-UFTM. O médico falou que o que pode ter causado isso é um problema de pressão alta, que tenho faz muitos anos, e também porque eu ingeria remédios demais”, relata a paciente. Resende agora faz três sessões semanais de hemodiálise. O tratamento trouxe de volta o otimismo e a vida cotidiana: “Estou normal, levanto, vou embora bem, chego em casa e faço minhas coisas, graças a Deus. Estou bem, muito bem”, sorri.
A patologista responsável técnica pelo Núcleo de Pesquisa em Rim (NuEPRim) do Hospital de Clínicas, Marlene Antônia dos Reis, salienta que as doenças renais podem ser originadas no próprio rim ou serem secundárias a problemas sistêmicos, que começaram em outros órgãos. “Por isso, a rapidez na investigação é importante para permitir o diagnóstico precoce e antecipar o tratamento adequado, evitando a evolução para quadros mais graves”, pontua.
Custódio e Reis apontam a importância da prevenção, principalmente para hipertensos, diabéticos e pessoas que utilizam anti-inflamatórios prolongadamente. Advertem, ainda, que sinais como inchaço nas pernas, nos pés e nas pálpebras não podem ser negligenciados, e sublinham a necessidade de se fazer anualmente exame de urina para verificar a presença de albumina e de sangue para dosar a creatinina. Ambos os exames podem ser solicitados mediante consulta médica via Sistema Único de Saúde (SUS), seja no Hospital de Clínicas ou numa Unidade Básica de Saúde.
Referência em pesquisa
O NuEPRim, composto por nefrologistas, patologistas, enfermeiros e biomédicos, reúne-se semanalmente para discutir resultados de biópsias e trabalhos científicos acerca do que há de mais atual na nefrologia. O Núcleo contempla três pilares: ensino, pesquisa e extensão/assistência por meio do diagnóstico de problemas renais via biópsias, também utilizadas na formação de profissionais da área de saúde.
Na pesquisa, o Núcleo desenvolve projetos de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado. O primeiro caso de amiloidose por deposição de fibrinogênio descrito na América Latina (acúmulo de uma proteína no rim que faz com que o paciente apresente várias alterações e que pode evoluir para perda gradativa da função renal) foi resultado de pesquisas do Núcleo, em 2010.
O diferencial das biópsias realizadas no NuEPRim está na associação de três microscopias: de luz, fluorescência e eletrônica. A rapidez na liberação do laudo fez com que o Núcleo se tornasse referência entre os hospitais da Rede Ebserh na região sudeste. O serviço também passou a ser reconhecido por outras unidades hospitalares do país, que enviam para o HC-UFTM suas demandas.
“Tentamos liberar o laudo o quanto antes para o médico, às vezes o resultado preliminar, especialmente nos casos urgentes, que são prioridades, como os que envolvem transplantados e doenças rapidamente progressivas, permitindo o início do tratamento o mais precocemente possível”, destaca a professora Juliana Reis Machado Silva, coordenadora do NuEPRim. Em 2021, mesmo com o impacto causado pela pandemia, foram analisadas 537 biópsias renais pelo Núcleo.
Unidade de Comunicação Social HC-UFTM