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AVANÇO MÉDICO
HC-UFTM realiza cirurgia ortopédica com transplante ósseo
A cirurgia de alta complexidade em ortopedia teve duração de 4 horas Foto: Luana Cunha/UECI HC-UFTM
O Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM), administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), realizou ontem (23/01) a primeira cirurgia ortopédica de 2025 com uso de transplante ósseo. O hospital é prestador de serviços de alta complexidade em ortopedia via Sistema Único de Saúde (SUS).
Apesar de não ser tão popular, o transplante ósseo é um procedimento realizado no HC-UFTM, proporcionando melhoria da qualidade de vida dos pacientes. O osso transplantado é proveniente do Banco de Tecidos Musculoesqueléticos do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), do Ministério da Saúde, que é responsável pela captação, processamento e distribuição de osso, tendões e meniscos para utilização em cirurgias de transplantes na área da ortopedia e odontologia, localizado no Rio de Janeiro.
Adriano Jander Ferreira, ortopedista responsável pelo procedimento no HC-UFTM, explicou como funcionou o procedimento: “O paciente deu entrada no hospital no dia anterior (22/01). O osso chegou do Rio de Janeiro na madrugada, foi acondicionado em um freezer especial, para o procedimento no início da manhã de ontem (23/01), com a troca da antiga prótese e o transplante do osso.”
A cirurgia de alta complexidade em ortopedia, realizada apenas em grandes centros no Brasil, teve duração de 4 horas e ocorreu sem intercorrências. Segundo Adriano Jander Ferreira, o paciente tem previsão de alta em 72 horas e será submetido a reabilitação fisioterapêutica, além de acompanhamento ambulatorial para monitorar sua recuperação.
O paciente que realizou o procedimento tinha uma prótese de quadril, que, com o passar dos anos, apresentou desgaste. “Junto com desgaste, houve reabsorção do osso do paciente. O novo procedimento só foi possível com a utilização de recursos que substituíam o defeito ósseo. Uma das maneiras de realizar essa substituição é o uso de osso de doador”, explicou o médico.
“Considerando o tempo em que esse paciente vem sentindo fortes dores, caminhando com dificuldade, me sinto gratificada por participar desse processo e por atuar junto a essa equipe. É um privilégio poder oferecer serviço de tamanha relevância à população Uberabense e da macrorregião do triângulo sul”, contou Gianna Ribeiro Carvalho. Ainda segundo a chefe da Unidade do Sistema Musculoesquelético, "o procedimento realizado possibilita o desenvolvimento de plano terapêutico personalizado para otimizar a função do tecido transplantado, facilitando a reintegração funcional do paciente, considerando suas atividades diárias e ocupacionais." Gianna também informou que, a partir dessa experiência, será solicitada à gestão a criação de um grupo técnico de trabalho. O objetivo é articular melhor os trâmites operacionais relacionados a esse tipo de cirurgia, permitindo ampliar o acesso ao procedimento no hospital.
Além de proporcionar melhoria da qualidade de vida desses pacientes, o objetivo é trazer celeridade: “Antes, os pacientes eram inseridos em um programa nacional para procurar um prestador no Brasil que realizasse o procedimento. Mas o processo, que era moroso, agora pode ser realizado no HC-UFTM”, acrescentou Adriano Ferreira.
“O transplante ósseo é de suma importância para o hospital, pois permite que pacientes acompanhados nos ambulatórios de ortopedia recebam ossos doados para reparar fraturas, tumores, deformidades e outras condições”, finalizou Gianna Carvalho.
Saiba mais sobre a doação de ossos
Segundo o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), a doação de ossos só pode ser feita depois de confirmada a morte do doador, sendo ela encefálica ou cardíaca, com o consentimento da família. Os ossos retirados de um doador podem beneficiar aproximadamente 30 pessoas.
Podem doar pessoas com idade entre 18 e 70 anos, que não tenham sido vítimas de câncer ósseo, osteoporose ou doenças infecciosas transmitidas através do sangue (como hepatite, AIDS, malária). Não é permitida doação de pessoas que há menos de um ano possuírem tatuagem, tiverem feito uso prolongado de corticoides, acupuntura ou recebido transfusão sanguínea.
Os ossos encaminhados para o Banco de Tecidos do Into são armazenados em temperatura de -80ºC, podendo ser guardados por até cinco anos. A doação pode beneficiar aqueles que apresentem perdas ósseas decorrentes de tumores, trocas de próteses e traumatismo, além de pacientes portadores de deformidades congênitas e de coluna, problemas odontológicos, dentre outros.
Rede Ebserh
O HC-UFTM faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Redação: Pollyana Freitas com colaboração de Felipe Monteiro e revisão de Vanda Laurentino