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HC-UFTM pesquisa benefícios do monitoramento cerebral para neonatos de alto risco
Equipe afixa eletrodos que vão monitorar atividade cerebral de prematuro internado no Hospital de Clínicas da UFTM. Foto: João Pedro Vicente/HC-UFTM
O Hospital de Clínicas da UFTM, por meio de sua Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica e Neonatal (UTIPN), iniciou no dia 8 de fevereiro um estudo sobre os benefícios de se monitorar o risco de lesão neurológica em recém-nascidos com uso de uma tecnologia chamada eletroencefalograma de amplitude integrada. O método, não invasivo, utiliza eletrodos para visualizar continuamente a atividade cerebral do paciente e com isso dinamizar o diagnóstico de lesões em formação.
Durante 60 dias, a unidade hospitalar vai contar com o equipamento necessário para monitorar neonatos com risco aumentado de apresentar crise convulsiva ou alguma lesão cerebral, devido a condições como baixa oxigenação durante o nascimento, histórico de parada cardiorrespiratória e prematuridade extrema. O aparelho é cedido por uma empresa sediada em São Paulo, numa parceria que não vai implicar custos para o hospital.
Aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do HC, o estudo é desenvolvido no âmbito do Departamento de Pediatria da UFTM. O objetivo é avaliar na realidade local a frequência com que a adoção dessa tecnologia pode reduzir danos ao paciente, ao possibilitar intervenções imediatas nos casos em que sejam detectados indícios de atividade cerebral incomum.
De acordo com a médica coordenadora da UTIPN e responsável pela pesquisa, Fabiana Galdino Barsam, a mensuração desse tipo de risco, sem o equipamento em questão, é realizada como rotina da unidade por meio da observação contínua de sinais vitais, incluindo aferição de pressão, uso de monitor de saturação e de frequência cardíaca, além de avaliação clínica. “Esses parâmetros são acompanhados nas 24 horas do dia. Com o estudo dessa nova tecnologia, o que se pretende é demonstrar se esse monitoramento avançado traz benefícios para o perfil de paciente atendido no hospital, e se sim, em que medida”, adianta Barsam.
Na manhã do dia 8, um médico neonatologista e uma enfermeira intensivista da empresa parceira estiveram no Hospital de Clínicas, para treinar a equipe local quanto à afixação e retirada dos sensores. Segundo o neonatologista Alexandre Netto, cofundador da empresa, os eletrodos não trazem risco ou dano ao paciente, pois não ocorre transmissão de corrente elétrica através dos fios.
“No período neonatal, até 80% das crianças podem ter crises convulsivas subclínicas, ou seja, imperceptíveis ao olho humano. O eletroencefalograma de amplitude integrada visa a diminuir ou mesmo evitar danos neurológicos decorrentes de convulsões ou outros eventos, em pacientes de alto risco”, reforça Netto, acrescentando que 28 hospitais pelo país já contam com essa tecnologia, e que a UTI Neonatal do HC-UFTM é a primeira no estado de Minas Gerais a testar o equipamento.
A equipe que vai manusear o eletroencefalograma se capacitou para uso dessa tecnologia, no final de outubro de 2021, em um curso custeado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). Além do conhecimento a ser gerado, com a futura publicação dos resultados da pesquisa, a iniciativa também favorece a área do ensino, ao permitir que os residentes das especialidades de neonatologia e pediatria intensivista tenham contato com esse novo recurso e seu potencial. “A incorporação de tecnologias aos serviços de saúde é um caminho natural quando se fala em minimização de riscos ao paciente grave. Estudar as opções disponíveis é parte desse processo de incorporação”, Barsam finaliza.
Unidade de Comunicação Social HC-UFTM