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Especialista do HC-UFTM explica mitos sobre a dengue
A dengue faz parte do grupo de doenças das arboviroses, que se caracterizam por serem causadas por vírus transmitidos por vetores artrópodes. No Brasil, o vetor da dengue é a fêmea do mosquito Aedes aegypti (significa "odioso do Egito"). Os vírus dengue (DENV) estão classificados cientificamente na família Flaviviridae e no gênero Flavivirus. De acordo com o Ministério da Saúde, até o momento são conhecidos quatro sorotipos – DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4 –, que apresentam distintos materiais genéticos (genótipos) e linhagens.
Nas primeiras quatro semanas de 2025, o país registrou 160.984 casos prováveis de dengue, com 33 óbitos. Até 03/02, Minas Gerais registrou 19.598 casos prováveis de dengue, 6.277 confirmados e dois óbitos confirmados por dengue no estado. Onze óbitos estão em investigação. Um dos fatores apontados pelo Ministério da Saúde para o aumento de casos no Sudeste é a circulação crescente do sorotipo 3 da dengue, em expansão desde julho de 2024.
De acordo com o boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais no início de fevereiro (03/02), o tipo DENV-3 é o que tem mais circulação na regional do município de Uberaba. O infectologista Rodrigo Molina, do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM), esclarece que, como a maioria da população não foi exposta a este sorotipo previamente, aqueles que se infectarem com o sorotipo DENV-3 deverão apresentar o quadro de dengue.
O HC-UFTM, administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) é referência no atendimento de casos graves de dengue para as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e macrorregião. O especialista explica que para as UPAs, a referência é somente para os quadros graves, classificados como Grupo D. Já para a macrorregião, o HC-UFTM é a referência para pacientes com dengue do grupo C: aqueles com sinais de alarme: dor abdominal; vômitos persistentes; acúmulo de líquidos, como ascite, derrame pleural, derrame pericárdico; hipotensão postural e/ou lipotímia; letargia e/ou irritabilidade; hepatomegalia maior do que 2cm abaixo do rebordo costal;sangramento de mucosa e aumento progressivo do hematócrito.
A dengue é uma das doenças tropicais negligenciadas, e o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nº 3 é acabar com a epidemia de doenças tropicais negligenciadas até 2030. Uma das medidas adotadas pelo Ministério da Saúde no combate à dengue foi a ativação do Centro de Operações de Emergência em Saúde Pública para Dengue e outras Arboviroses (COE Dengue) no início deste ano, como uma ferramenta para monitorar e responder de forma integrada e coordenada às epidemias e às emergências de saúde pública das arboviroses, como a dengue.
Mitos, de acordo com o infectologista do HC-UFTM, Rodrigo Molina
Os sorotipos diferentes apresentam sintomas diferentes?
Apesar dos sorotipos serem diferentes, não há diferenças entre os sintomas, mas pode ocorrer que em cada epidemia alguns sintomas sejam mais exacerbados.
Quem já foi diagnosticado com um sorotipo de dengue torna-se imune?
Ao adquirir um sorotipo, geralmente as pessoas apresentam imunidade contra este sorotipo específico. Por isso que, como muitas pessoas não contraíram o sorotipo 3, estamos vendo muitas pessoas infectadas.
Suco de inhame é eficaz no tratamento da doença?
Drogas caseiras não são eficazes, como suco de inhame. Também é importante não fazer uso de anti-inflamatórios. Ao perceber os sintomas (febre, dor no corpo, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dor nas articulações, manchas vermelhas na pele) a orientação é procurar uma UBS ou UPA para o diagnóstico e iniciar o tratamento, que é feito com hidratação e medicações sintomáticas como dipirona e paracetamol.
Rede Ebserh
O HC-UFTM faz parte da Rede Ebserh desde janeiro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Redação: Pollyana Freitas