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JANEIRO BRANCO
Cuidar de quem cuida: HC-UFTM reforça cuidados com a saúde mental dos pais de bebês prematuros
Foto: Banco de imagens Canva
Janeiro Branco é o mês de conscientização sobre a saúde mental. Quando o foco está no cuidado de outra vida, o tema é ainda mais importante. Mães de bebês prematuros internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) têm 2,5 vezes mais chances de desenvolver depressão pós-parto, de acordo com a Associação Brasileira de Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês Prematuros (ONG Prematuridade.com). O Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), apoia a campanha nacional do Janeiro Branco e oferece atendimento psicossocial para as famílias.
“É comum que as mães, no período de puerpério, apresentem oscilações de humor, intensificação de reações emocionais, podendo apresentar inclusive características depressivas, como uma tristeza importante, que é chamada de Baby Blues. O Baby Blues se caracteriza por uma tristeza que aparece geralmente dias após o parto e pode acompanhar a mãe durante um período de até duas semanas. Essa reação é normal, de intensidade leve, e requer suporte da rede de apoio, além de descanso”, explica Thaysa Brinck, psicóloga no HC-UFTM.
A depressão pós-parto, em contrapartida, é uma condição severa que vai além do cansaço comum de ter um recém-nascido. “Ela pode surgir logo nas primeiras semanas ou até um ano após o parto. Os sinais podem ser emocionais, físicos e comportamentais, como por exemplo: tristeza profunda e persistente; irritabilidade extrema; sentimento de culpa ou inadequação quanto à própria maternidade; preocupação excessiva com a saúde e segurança do bebê (muitas vezes sem motivo real); exaustão extrema; alterações do sono e do apetite; dificuldade de conexão com o bebê; isolamento social; e, por fim, um sinal crítico que exige ajuda imediata: medo ou desejo de machucar o bebê ou a si mesma”, aponta a especialista.
Esses sinais merecem especial atenção no contexto de uma UTI neonatal, visto que as mães nessa situação apresentam um risco maior de desenvolverem esse transtorno. Após o nascimento de um bebê prematuro, 26% das mães relatam ansiedade, 40% relatam depressão e 30% relatam estresse pós-traumático, segundo a ONG Prematuridade.com.
“Para as mães de UTI é muito importante que possam se sentir incluídas nos cuidados e na rotina do setor. Os bebês são delas e elas precisam sentir isso também por parte da equipe. É importante que elas sejam orientadas, incentivadas e encorajadas quanto ao aleitamento materno, quanto ao contato pele a pele, quanto à importância de sua presença, que é insubstituível. É preciso que a equipe esteja atenta quanto aos indicadores de suporte social e saúde mental das mães”, afirma a psicóloga.
Procure ajuda profissional
O apoio profissional pode e deve ser buscado mediante qualquer desconforto por parte dos pais, ainda que dentro do esperado para o momento. Avanços nos estudos têm comprovado que homens também podem desenvolver depressão após o nascimento dos filhos, segundo o Ministério da Saúde. Esse apoio especializado pode ser ofertado, principalmente, por psicólogos e psiquiatras.
“Não é porque é normal, que não requeira cuidado. A maternidade traz muitos desafios do ponto de vista emocional, e sentir-se devidamente amparada, inclusive profissionalmente, pode favorecer o exercício dessa maternidade de forma mais leve e saudável. Contudo, os sinais mais preocupantes dizem respeito à frequência e à intensidade com que aparecem, e o impactos associados a eles. Quando a tristeza é muito intensa, duradoura, afeta a vinculação da mãe com o bebê e sua capacidade de cuidar dele e de si mesma, o apoio profissional se faz necessário”, pontua Thaysa.
Famílias de prematuros internados no berçário, bebês e crianças internados na UTI Neonatal e Pediátrica (UTINP) do HC-UFTM podem contar com os serviços de acompanhamento psicológico, social e de acolhimento familiar, durante todo o período de internação do bebê ou criança no setor. A equipe é composta por psicóloga, assistente social e técnica em enfermagem. Esses serviços podem ser ofertados quando há demanda espontânea, quando as próprias famílias buscam, por indicação de qualquer membro da equipe ou por busca ativa dessa equipe psicossocial. O apoio psicológico ofertado no HC-UFTM é individualizado e ocorre conforme as demandas apresentadas.
Medo e preconceito
Ainda existe preconceito relacionado ao desconhecimento sobre o acompanhamento psicológico e psiquiátrico, frequentemente associados a condições muito extremas e distantes da realidade cotidiana das pessoas, o que é uma inverdade. “Nós tratamos o sofrimento psíquico, que é humano e comum a todos, e que em algum momento da vida pode estar para além daquilo que conseguimos e/ou devemos suportar sozinhos”, lembra a especialista.
O uso de medicamentos ainda é, de fato, bastante temido, em função da ideia de que eles necessariamente causam dependência. Mas, nem todo tratamento exige medicação. O suporte psicológico e, mais especificamente, a psicoterapia, podem apresentar excelentes resultados. “Contudo, para qualquer tipo de tratamento medicamentoso, há um planejamento específico e individualizado, de modo a atender as demandas necessárias em relação a duração e respostas esperadas. É muito importante que as pessoas possam conversar abertamente sobre seus receios com os profissionais, para que os mitos se transformem em conhecimento, e que estes não sejam um empecilho para o autocuidado”, explica Thaysa.
Dicas para as mamães
Para as mães, em geral, é importante que possam reconhecer e falar sobre suas emoções, sobre sua experiência em relação à maternidade, sobre suas dificuldades e aprendizagens, seja com pessoas de sua rede de apoio social em quem confiem e se sintam acolhidas, seja com profissionais especializados. Que possam pedir ajuda sempre que se perceberem em dificuldades, na certeza de que não precisam passar por essa experiência sozinhas. “Há grupos de mães e há profissionais na rede pública, que podem compor uma rede de apoio para as mães que não tenham esse suporte em sua família”, finaliza Thaysa.
Sobre a Ebserh
O HC-UFTM faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Redação: Pollyana Freitas
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh