Notícias
CONSCIENTIZAÇÃO
HU-Unifap realiza ação educativa sobre doença de Chagas em comunidades do Amapá
Barbeiro da doença de Chagas - Trypanosoma cruzi
Macapá (AP) - Nesta quinta-feira (30), é celebrado o Dia Mundial de Enfrentamento às Doenças Tropicais Negligenciadas, que inclui a doença de Chagas. Durante todo o ano, o Hospital Universitário da Universidade Federal do Amapá (HU-Unifap), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), desenvolve ações educativas e de conscientização sobre essa patologia, com foco na prevenção e no diagnóstico precoce e nas especificidades da Amazônia. No mês passado, cerca de 100 pessoas, entre ribeirinhos e quilombolas, foram atendidas por meio de visitas realizadas em comunidades do interior do estado.
Durante as atividades, além de promover a conscientização sobre os sinais e formas de prevenção da doença de Chagas, o HU-Unifap realizou exames e coletou dados epidemiológicos, fundamentais para o mapeamento da patologia na região. A ação envolveu o Centro de Pesquisa Clínica (CPC), ligado à Gerência de Ensino e Pesquisa (GEP) da unidade hospitalar, e teve o objetivo de estreitar o vínculo entre as equipes de saúde e as comunidades, além de fornecer informações estratégicas sobre o Trypanosoma cruzi, o parasita causador da doença de Chagas, e os cuidados necessários para prevenir a infecção.
Entre 2023 e 2024, o HU-Unifap atendeu 10 pacientes diagnosticados com a doença, sendo que seis participaram de um estudo clínico em andamento na unidade hospitalar. Não houve óbitos no período, o que reforça a importância do acompanhamento contínuo e do diagnóstico precoce.
Pesquisa inédita busca novos diagnósticos e tratamentos
Em setembro do ano passado, o HU-Unifap iniciou um estudo para desenvolver tratamentos mais eficazes e adaptados às particularidades da região amazônica. "Nossa pesquisa investiga novas formas de diagnóstico e tratamentos, com foco na fase aguda e crônica da doença, considerando as condições ambientais e biológicas da Amazônia", explica Luana Soares, enfermeira do hospital universitário e responsável pela pesquisa.
Além disso, o estudo visa aprimorar os métodos de diagnósticos, capacitando as equipes de saúde locais com técnicas como a microscopia de gota espessa, que permite identificar a doença logo no início. “Essa abordagem é fundamental para o diagnóstico precoce, o que evita complicações graves em áreas de difícil acesso, como as ribeirinhas e quilombolas”, complementou Soares.
Doença de Chagas
A doença de Chagas é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, transmitido principalmente pelo Triatoma infestans (barbeiro). A infecção ocorre quando as fezes do inseto entram em contato com a pele ou mucosas, como olhos ou boca, permitindo a penetração do parasita. A transmissão também pode ocorrer por transfusão de sangue, de mãe para filho (vertical), ou por ingestão de alimentos contaminados, como o açaí.
Os sintomas variam conforme a fase da doença. Na fase aguda, pode haver febre, mal-estar, inchaço e problemas cardíacos. Já na fase crônica, a pessoa pode permanecer assintomática por anos ou desenvolver complicações graves, como insuficiência cardíaca ou distúrbios digestivos. O tratamento é realizado com medicamentos antiparasitários, enquanto a prevenção envolve o controle do barbeiro, melhoria das condições de habitação e saneamento e educação sobre a doença.
Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs)
As Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs) são um grupo de doenças infecciosas que afetam, principalmente, populações em situação de vulnerabilidade social e geográfica. Entre as principais DTNs, destacam-se a doença de Chagas, a dengue, a leishmaniose, a esquistossomose, a meningite, entre outras. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), essas doenças são responsáveis por uma estimativa de 500 mil a 1 milhão de óbitos anuais nas Américas.
A OPAS tem atuado em parceria com os países da região para combater essas doenças, com o objetivo de erradicá-las até 2030. O Dia Mundial de Enfrentamento às Doenças Tropicais Negligenciadas, instituído pela Assembleia Mundial da Saúde, busca sensibilizar governos, organizações e a população sobre a importância de ações conjuntas no combate a essas patologias.
Desafios no Brasil
As dificuldades para erradicar as Doenças Tropicais Negligenciadas no Brasil estão relacionadas a fatores como a pobreza, a falta de saneamento básico e o acesso limitado aos serviços de saúde, principalmente nas regiões mais remotas do país.
De acordo com José Carlos Tavares, gerente de Ensino e Pesquisa do HU-Unifap, a falta de conhecimento sobre as doenças e a limitação no diagnóstico precoce também despontam como desafios no controle das DTNs. "A conscientização e o acompanhamento contínuo, como o realizado por nossa equipe, são indispensáveis para reduzir o impacto dessas doenças na sociedade", afirma Tavares.
Sobre a Rede Ebserh
O Hospital Universitário da Universidade Federal do Amapá (HU-Unifap) faz parte da Rede Ebserh desde 2022. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.