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RETROSPECTIVA
HU-UFRR fecha o ano com fortalecimento da saúde indígena, ampliação do quadro de pessoal e avanços em infraestrutura
Boa Vista (RR) - O ano de 2025 foi de consolidação dos serviços do Hospital Universitário da Universidade Federal de Roraima, vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), com a estruturação de áreas médico-assistenciais, mutirões, adequação de estruturas e contratação de empregados públicos.
“Dentro das expectativas que nós tínhamos para o ano de 2025, eu acho que nós atingimos a grande maioria delas. Como pontos importantes, eu posso citar a implementação da Unidade de Retaguarda Hospitalar dos Povos Indígenas em abril e o encerramento do período de transição da governança do hospital entre o Governo do Estado e a Ebserh em setembro”, avaliou a superintendente do Hospital Universitário da UFRR, Bianca Jorge Sequeira.
Ela destacou ainda a realização do concurso público e chamamento de empregados públicos, o abastecimento de medicamentos e a manutenção de infraestrutura da unidade. “Em setembro, assumimos a gestão integral do hospital, marcada pela chegada de novos empregados Ebserh, pelos serviços de manutenção e pelo abastecimento pleno de suprimentos”, acrescentou.
O Hospital Universitário finalizou o ano de 2025 com mais de 420 profissionais em atuação, sendo 349 empregados efetivos. “A partir da abertura de novos serviços e novas unidades, mais profissionais serão convocados. Então quem fez o concurso não deve perder a esperança”, afirmou Bianca.
Para 2026, a expectativa é iniciar a construção de um bloco com salas de centro cirúrgico, UTI e farmácia satélite e adquirir um parque tecnológico maior. “Nós estamos esperando equipamentos que serão adquiridos a partir de emendas parlamentares. Esperamos que 2026 seja um ano muito produtivo, mais produtivo até que 2025, porque já teremos o nosso corpo técnico atuando de forma quase completa”, disse.
Atenção à Saúde
Atualmente o HU-UFRR dispõe de 128 leitos de clínica médica, sendo 36 destes exclusivos para a população indígena. Vinte e oito leitos estão em reforma. O hospital possui ainda duas salas ambulatoriais, com possibilidade de ampliação no próximo ano. Desde abril de 2025, foram registradas cerca de mil internações, 2.500 tomografias, 1.200 raios-x, 630 ultrassonografias e 758 exames externos.
O ano de 2025 foi marcado pelos mutirões na Rede Ebserh, com mais de 100 mil procedimentos realizados nos 45 hospitais universitários federais. Em setembro, o HU-UFRR participou pela primeira vez do Ebserh em Ação, mobilização nacional promovida em parceria com o programa Agora Tem Especialistas, do Ministério da Saúde. Foram ofertados exames de imagem, destinados a pacientes indígenas, encaminhados pelos Distritos Sanitários Especiais Indígenas e Casas de Saúde Indígena Yanomami e Leste Roraima.
Realizado em novembro, o Mutirão de Saúde Indígena e Quilombola ofereceu consultas - clínica médica, cardiologia, dermatologia, infectologia, gastroenterologia e nefrologia - e exames - eletrocardiograma, ultrassonografia, tomografia, raio-x e laboratoriais, garantindo cuidado especializado e integral às populações indígenas em Roraima.
Em dezembro, cerca de 100 pacientes foram atendidos durante o Dia E, com consultas e exames especializados, contribuindo para a redução do tempo de espera na fila e para o início do tratamento.
Ensino e Pesquisa
O Hospital Universitário da UFRR também é espaço de ensino e pesquisa. Desde o início das atividades acadêmicas na unidade, 65 internos dos cursos de Medicina e Enfermagem atuaram no HU. Atualmente 18 residentes atuam nas unidades assistenciais, sendo 12 da Residência Multiprofissional e seis da Residência em Clínica Médica, apoiados por 39 preceptores.
Além disso, 91 graduandos fazem visitas técnicas semanais, coletam dados para projetos de pesquisa, participam de projetos de extensão e estágios em Psicologia e Saúde Coletiva Indígena.
Em outubro, a pesquisa “Educação em Saúde na Atenção Terciária de Roraima para Prevenção de Reinternações e Amputações por Complicação do Pé Diabético”, desenvolvida pela acadêmica Amanda Maria de Albuquerque Cunha, do curso de Medicina da Universidade Federal de Roraima e bolsista do Programa de Iniciação Científica do Hospital Universitário da UFRR, conquistou o segundo lugar no terceiro ciclo do PIC/Ebserh.
Desde novembro, 27 acadêmicos indígenas de diversos cursos da UFRR atuam no hospital como mediadores interculturais, por meio do programa de extensão “Acolhimento Intercultural na Unidade de Retaguarda Hospitalar dos Povos Indígenas do Hospital Universitário da Universidade Federal de Roraima”. O objetivo é facilitar a comunicação entre pacientes e profissionais de saúde, por meio da interpretação linguística, da tradução de sentidos e contextos culturais e da explicação acessível de condutas terapêuticas e cuidados em saúde.
Em 2026, o Hospital Universitário abrirá chamamento público para que as instituições de ensino privadas possam utilizar a unidade como cenário de práticas. “Nós queremos expandir esse cenário de prática para os alunos e professores da UFRR, que eles utilizem cada vez mais o nosso hospital para estágios, visitas técnicas, internato, residência e, além disso, queremos proporcionar a outras instituições a oportunidade de realizar estágios e atividades práticas no HU”, anunciou a superintendente.
Sobre a Ebserh
O HU-UFRR faz parte da Rede Ebserh desde 2024. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Vanessa Vieira
Unidade de Comunicação Regional 30
Fotos: UCR30 e CoordCom/UFRR