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Sonho Realizado
Há, 10 anos, Centro de Reprodução Assistida em maternidade da Rede Ebserh/MEC oferta serviços pelo SUS
Natal (RN) –
Uma das primeiras pacientes atendidas pelo Centro de Reprodução Assistida (CRA) da Maternidade Januário Cicco (MEJC-UFRN/Ebserh), ainda em 2013, foi a Katiussi Kelly Pontes, mãe da Lívia Beatriz, hoje com 8 anos, que mora atualmente em Tijucas, Santa Catarina. Quando descobriu a dificuldade de engravidar pelas vias naturais, foi decidida a técnica de fertilização in-vitro. Finalmente, em 2014, Lívia nasceu, sem maiores complicações, gerando felicidade e gratidão aos pais. “A gravidez, que durou 39 semanas, foi bastante tranquila. A fertilização atendeu nossas expectativas, sem falar que na rede particular a técnica custaria em torno de 10 mil reais”, relata Katiussi.
O CRA da MEJC, maternidade que faz parte da Rede Ebserh/MEC, estatal vinculada ao Ministério da Educação que administra 41 hospitais universitários federais em todo o país, oferta serviços pelo Sistema Único de Saúde (SUS), preenchendo uma lacuna na assistência aos casais que têm algum tipo de problema de infertilidade. Atualmente, realiza cerca de 4 mil consultas e 249 procedimentos por ano.
A infertilidade é categorizada pela incapacidade de se obter uma gestação, após um ano de tentativas mantendo relações sexuais frequentes sem o uso de contraceptivos. Conforme a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), no Brasil, cerca de 8 milhões de indivíduos podem ser inférteis. A OMS ainda revela que um em cada cinco casais apresenta algum tipo de problema. Os fatores podem ser tanto de origem feminina como masculina.
Segundo Mychelle Garcia, médica ginecologista e especialista em Reprodução Assistida da MEJC, há muitos fatores clínicos que podem causar a infertilidade. Nas mulheres, variam desde as questões tubárias (decorrentes de processos inflamatórios ou endometriose), hormonais que podem comprometer o processo ovulatório) ou mesmo a redução na reserva ovariana. Entre os fatores masculinos que podem comprometer a produção de espermatozóides, destacam-se varicocele (varizes na região escrotal), infecções seminais, criptorquidia (testículos fora da bolsa testicular) e obstruções do canal deferente, além de disfunções hormonais.
Ainda segundo a especialista, a idade também pode ser determinante para a infertilidade para ambos os sexos, pois, com o passar dos anos, os óvulos e a produção de espermatozóides perdem qualidade, especialmente com a influência de fatores ambientais e de estilo de vida (tabagismo, álcool, obesidade e exposição a poluentes ambientais).
Felicidade e gratidão
Quem vê a felicidade estampada nos rostos de Edicarla Oliveira e Rudson Fontes não imagina a trajetória que eles atravessaram para alcançar o sonho de serem pais do Arthur, que hoje tem 4 anos. Depois de 8 anos tentando engravidar de forma natural sem sucesso, Edicarla soube do Centro de Reprodução Assistida da MEJC por uma amiga. Procurou o serviço especializado e o casal realizou as consultas e exames necessários, sendo chamado para os encaminhamentos e o início do tratamento.
Quando foi constatado que Edicarla contava com cinco óvulos, tendo apenas quatro desenvolvidos, a equipe médica testou o procedimento com dois. Depois de uma semana, finalmente chegou a notícia, tão improvável quanto desejada: o sonho da gravidez havia se concretizado. “Quando cheguei na maternidade, todas as meninas me abraçaram felizes e eu me acabando de chorar, quando Dra. Mychelle falou que ‘sim’, eu estava grávida”, relatou Edicarla.
O filho veio ao mundo de forma saudável em 19 de maio de 2018. Uma data que mudou e marcou a vida do casal. Edicarla enaltece a toda equipe multidisciplinar que a atendeu. “Muita felicidade e gratidão a Deus e a todos deste projeto: enfermeiras, médicas e embriologistas maravilhosos”, disse, revelando ainda o objetivo de ser mãe novamente em breve.
Acesso universal, equânime e gratuito
Segundo a enfermeira Edualeide Bulhões, chefe da Unidade de Saúde da Mulher da MEJC, todos os casais atendidos pelo CRA da maternidade acessam via SUS e chegam referenciados pela rede de saúde através do sistema de Regulação da Secretaria de Saúde Municipal de Natal, com o diagnóstico de infertilidade. Após isso, os usuários passam pela consulta médica no ambulatório da MEJC, onde são investigados todos os fatores relacionados à infertilidade e, após os exames e diagnóstico, é iniciado o tratamento mais adequado. “O local oferece toda a assistência médica e multidisciplinar, composto de psicólogos, enfermeiros, nutricionistas e assistentes sociais aos casais que entram no programa”, explicou.
A MEJC-UFRN/Ebserh oferece um diferencial no acompanhamento direto e contínuo dos casais que irão realizar a reprodução assistida, já que todo o procedimento/tratamento é feito na mesma Unidade Hospitalar, inclusive a administração das medicações.
Sobre a Ebserh
A Maternidade Escola Januário Cicco faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.