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TECNOLOGIA
Hupes-UFBA investe em procedimento de alta complexidade visando oferecer resposta rápida a pacientes em situações críticas
Salvador (BA) – O Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hupes-UFBA) passou a oferecer, a cerca de um mês, a plasmaférese por membrana, procedimento de alta complexidade que remove mediadores inflamatórios, autoanticorpos e complexos antígeno-anticorpo presentes no plasma sanguíneo, muitas vezes responsáveis pelo desencadeamento ou agravamento de doenças. A nova técnica, realizada com equipamento de hemodiálise contínua, amplia a assistência já prestada pelo hospital com a plasmaférese por centrífuga e reduz o tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento.
Segundo explica o chefe do Serviço de Nefrologia do Hupes-UFBA, Marco Antônio Silveira, o procedimento é indicado para uma série de condições, principalmente doenças autoimunes em que mediadores inflamatórios, antígenos ou complexos antígeno-anticorpo circulam no plasma, podendo levar a inúmeras manifestações graves em diferentes órgãos. Entre essas, podemos citar insuficiência renal aguda em doenças como a síndrome de Goodpasture, manifestações neurológicas (paralisia ascendente) como na síndrome de Guillain-Barré, alterações oftalmológicas (perda da visão) como na neurite óptica autoimune e até comprometimento pulmonar (hemorragia pulmonar) em casos de vasculite grave.
Ao realizar a plasmaférese, o plasma é substituído por uma solução salina com albumina ou plasma doado, o que contribui para estabilizar o paciente e melhorar a resposta ao tratamento, podendo não só acelerar e aumentar a chance de recuperação, como também evitar ou reduzir sequelas.
“Antes, a realização da plasmaférese dependia da disponibilidade da centrífuga do banco de sangue/Serviço de Hematologia, equipamento que tem várias utilidades. Por isso, trata-se de um equipamento de grande demanda diária, essencial no banco de sangue, na assistência a pacientes assistidos pela hematologia clínica, oncohematologia/transplante de medula. Assim, nem sempre era possível dar uma resposta ideal ao paciente com necessidade da realização de plasmaférese assistidos por outras especialidades, particularmente nefrologia, neurologia e reumatologia”, afirmou o nefrologista.
Com a implementação da nova técnica, utilizando equipamento de hemodiálise contínua, as indicações de plasmaferese não hematológicas serão realizadas por membrana pela equipe da nefrologia a beira leito nas unidades abertas e nas unidades fechadas com a equipe da UTI. Dessa forma, será possível oferecer uma resposta muito mais rápida, sem comprometer a rotina do banco de sangue/Serviço de Hematologia com benefício direto aos pacientes ao reduzir mais rapidamente os sintomas e aumentar a possibilidade de recuperação sem sequelas.
O Hupes-UFBA já possui aparelhos de hemodiálise contínua, assim o único investimento foi a aquisição de kits específicos para plasmaférese. “É uma máquina com a qual a equipe de nefrologistas e equipe da UTI está muito familiarizada, por isso mesmo o treinamento da equipe é simples e rápido, pois envolve apenas questões especificas dessa modalidade terapêutica. Importante ressaltar que, além do benefício ao paciente, existe também a qualificação de estudantes e pós-graduandos para utilizar a técnica”, disse.
Isso significa que profissionais de medicina e enfermagem treinados(as) no Hupes-UFBA poderão aplicar o procedimento em outros centros que já dispõem de equipamentos de hemodiálise contínua mesmo quando não houver um Serviço de Hematologia ou um banco de sangue que possua uma centrífuga. “Assim, a técnica se torna mais acessível e viável em hospitais de diferentes regiões, ampliando a capacidade de resposta do sistema de saúde em situações críticas”, afirmou Marco Antônio Silveira.
O Hupes-UFBA é o único hospital do SUS em Salvador que realiza esse tipo de procedimento. “A maior parte das instituições operacionaliza a plasmaférese em unidade de terapia intensiva de hospitais que possuem banco de sangue próprio. O Hupes-UFBA destaca-se como um dos hospitais que oferece o tratamento em unidade aberta a beira leito (podendo inclusive oferecer em situações muito especificas ambulatoriamente), garantindo acesso a quem antes precisava esperar ou ser transferido para outras unidades”, disse a enfermeira especialista em Nefrologia e Gestão em Saúde do Serviço de Nefrologia, Luciana Sena de Mendonça.
A previsão da equipe é realizar cerca de 20 plasmaférese por membrana por mês (dois a três pacientes), beneficiando pacientes da nefrologia, neurologia, oftalmologia, reumatologia e hematologia, dentre outros.
Sobre Ebserh
O Hupes-UFBA faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Redação e revisão: Luna Normand