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CAPACITAÇÃO
SVE promove capacitação para recepcionistas sobre a importância do cadastro correto de pacientes
Aracaju (SE) - O Serviço de Vigilância Epidemiológica (SVE) do Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), realizou, nos meses de maio e junho, um ciclo de palestras voltado para os recepcionistas da instituição, com o objetivo de destacar a importância fundamental dos dados de identificação registrados nos prontuários dos pacientes para o sistema de vigilância em saúde.
O problema identificado
A iniciativa surgiu de uma necessidade observada pelo SVE durante suas atividades rotineiras de notificação de doenças, agravos e eventos de saúde pública. Segundo a equipe do serviço, dados básicos de identificação como nome social, telefone de contato e endereço frequentemente estavam incompletos ou incorretos nos prontuários.
"A gente percebia que dados básicos de identificação como nome social, telefone de contato, endereço, muitas vezes estavam incompletos ou eram endereços que não existiam", explica a enfermeira do SVE, Lícia Ribeiro.
A capacitação dos protagonistas da saúde
O ciclo de palestras foi planejado para mostrar aos recepcionistas que eles são muito mais do que profissionais que registram dados em um sistema. A capacitação buscou demonstrar como esses profissionais são protagonistas na rede de proteção à saúde pública.
"A gente quis mostrar para eles a importância do serviço deles. Eles não são simplesmente pessoas que ficam à frente do computador, registrando algo que não tem relevância", destaca Lícia.
Durante as palestras, foi explicado como os dados coletados pelos recepcionistas seguem um fluxo que impacta diretamente as políticas públicas de saúde: as informações registradas no hospital são encaminhadas para a Secretaria Municipal de Saúde, que as compila e envia para o Estado, e posteriormente chegam ao Ministério da Saúde.
Fundamentos da vigilância epidemiológica
A Vigilância Epidemiológica, conforme estabelecido pela Lei Orgânica da Saúde (8.080/1990), é definida como um "conjunto de ações que proporciona o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes da saúde individual ou coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos".
Na prática, essa vigilância funciona através de um ciclo contínuo de funções interrelacionadas, que permite monitorar constantemente o comportamento de doenças ou agravos específicos. Entre essas funções estão a coleta de dados e a notificação compulsória, ações que possibilitam a tomada oportuna de decisões e medidas de intervenção adequadas.
Resultados positivos
A atividade foi realizada em três momentos distintos e apresentou resultados bastante satisfatórios. Os participantes demonstraram compreensão da importância do tema abordado, sendo que muitos relataram não ter conhecimento anterior sobre a grandiosidade e relevância de seu trabalho para as ações de saúde pública.
Durante as palestras, os recepcionistas participaram de forma ativa, compartilhando suas experiências profissionais e contribuindo para esclarecer dúvidas de colegas, criando um ambiente de aprendizado colaborativo e enriquecedor.
Mudanças no dia a dia
A enfermeira do SVE, Genilde Gomes, destaca que já é possível perceber mudanças positivas após a realização das palestras. "A gente percebeu, depois do evento, mudança já em alguns prontuários que a gente utiliza, com dados mais completos", afirma.
Além disso, houve uma mudança significativa na comunicação entre os setores. "Alguns recepcionistas já nos ligam informando que tem notificação para o serviço de vigilância epidemiológica, que antes não acontecia. Era a gente que ligava para as recepções, para o laboratório, para a farmácia. Agora a gente já percebe esse feedback deles, porque eles entenderam que é importante dar esse retorno", explica Genilde.
Segundo a enfermeira, embora o tempo de avaliação ainda seja curto - cerca de um mês após as palestras -, os resultados já são visíveis: "A gente já percebeu uma mudança nesse cenário, isso é importante. É uma gotinha no oceano que de gota em gota a gente vai enchendo".
O SVE já planeja dar continuidade ao projeto de capacitação. "A gente vai continuar fazendo esses eventos, porque sempre tem recepcionistas contratados", explica Genilde. "A ideia agora é a gente pensar num projeto para os que forem sendo contratados, para que a gente não perca esse trabalho".
Sobre a Ebserh
O HU-UFS faz parte da Rede Ebserh desde outubro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.