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HUMANIZAÇÃO HOSPITALAR
HU-UFS, em parceria com a UFS, desenvolve projeto de humanização assistencial Infantil
Mais que uma brincadeira, a ludicidade em ambiente hopsitalar é um direito garantido
O Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS) e a Universidade Federal de Sergipe (UFS) estão desenvolvendo um projeto de extensão voltado para a humanização da assistência hospitalar infantil, por meio da implementação de atividades lúdicas na brinquedoteca do HU-UFS. A ação foi aprovada em junho pela Pró Reitoria de Extensão da UFS, visando capacitar acadêmicos de diferentes cursos da área da saúde para atuarem junto às crianças hospitalizadas, com o objetivo de ampliar o horário de funcionamento da brinquedoteca. O HU-UFS é um dos 45 hospitais vinculados à Rede Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares).
O projeto beneficia pacientes internados na Pediatria e seus acompanhantes. São realizadas várias atividades, como contação de história, oficina de artes, brinquedo instrucional, teatro e cinema. “Temos também um catálogo itinerante que visa atender as crianças impossibilitadas de brincar no nosso espaço”, ressaltou a enfermeira da Divisão de Gestão do Cuidado, Rosemar Mendes.
De acordo com o psicólogo da Unidade de Atenção Psicossocial, Jakson Cerqueira, a ludicidade reduz efeitos negativos da hospitalização, proporcionando momentos de repouso e alívio para a criança e para os pais. Isso ajuda a transformar a percepção sobre o hospital, que deixa de ser visto como um local de dor e sofrimento e passa a ser reconhecido também, como um espaço de vida, recuperação da saúde e interações humanas positivas. “O brincar é a ocupação principal da criança, não é um mero passatempo. Ao brincar, ela coloca em exercício o estágio sensório-motor, aprende ação e reação”, destacou.

Para ele, a hospitalização tende a causar sofrimentos, que incluem procedimentos invasivos, contato com desconhecidos, dieta hospitalar exclusiva e restrições de visitas. Esse processo pode levar a efeitos negativos como mutismo seletivo (a criança não interage adequadamente com membros da equipe multiprofissional), sono prejudicado, choro fácil e irritabilidade. “Ao brincar, ela interage melhor com outras crianças e membros da equipe multiprofissional, aceita melhor os procedimentos hospitalares”, complementou.
Relatos de experiência
A presença materna é muito importante na brinquedoteca. Dá segurança, apresenta os brinquedos, incentiva a explorar e dá limites quando preciso. Iranildes Moura, mãe de Heitor Moura, de quatro anos e autista, faz acompanhamento no HU-UFS com frequência. “Na realidade, a minha luta com ele já é de quatro anos. Ele foi uma criança que vivia sempre internado e nunca se descobria o que ele tinha. Neste ano, descobrimos que ele tem uma imunodeficiência (condição em que o sistema imunológico é incapaz de proteger o corpo contra doenças, infecções e outras ameaças). Praticamente, todos os meses ele fica internado no hospital”, disse. “Só tenho a agradecer ao hospital universitário, que acolheu meu filho. E ao doutor Jackson, por esse ambiente, que faz com que meu filho fique um pouco calmo e brinque. As crianças e as mães se sentem acolhidas na brinquedoteca”.
Para Jaile Silva, mãe da paciente Brenda Gabriela, o espaço é muito agradável, uma sala de distração e entretenimento para as crianças enquanto estão internadas. “Aqui elas têm aquele momento para poder vir brincar e interagir com outras crianças, com as mães e com as tias da salinha”, finalizou.
Saiba mais
O projeto está respaldado pela Lei nº 11.104/2005, que estabelece a obrigatoriedade da presença de brinquedotecas em hospitais com atendimento pediátrico, e pela Resolução nº 41/1995 do CONANDA (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente), que assegura o direito da criança hospitalizada às atividades de recreação.
O direito ao brincar é reconhecido como uma ocupação fundamental da infância por diversos marcos legais e institucionais. Ele é assegurado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), pela Declaração dos Direitos da Criança da ONU/UNICEF (1959), pela Resolução nº 41/1995 do Conanda — que trata dos direitos da criança e do adolescente hospitalizados — e pela Lei nº 11.104, de 21 de março de 2005, que estabelece a obrigatoriedade de brinquedotecas em hospitais com atendimento pediátrico. Mais recentemente, esse direito foi reforçado com a instituição do Dia Nacional do Brincar, por meio da Lei nº 15.145, de 9 de junho de 2025.
Sobre a Ebserh
O HU-UFS faz parte da Rede Ebserh desde outubro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Reportagem: Neurizete Duarte, com revisão de Danielle Campos