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SETEMBRO VERDE
HU-UFPI promoveu Fórum sobre transplantes de órgãos
Teresina (PI) – Na manhã da quinta-feira (18), foi realizado o II Fórum “Avanços e desafios do transplantes de órgãos: conectando ciência, ética e vidas”, no Auditório do Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI), administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). O encontro reuniu profissionais da saúde, estudantes, pacientes transplantados e familiares em um espaço dedicado à reflexão sobre o presente e o futuro da doação de órgãos no estado.
A iniciativa é resultado de uma parceria entre o HU-UFPI, a Central Estadual de Transplantes do Piauí, a Unimed Teresina e a Associação de Pacientes Renais Crônicos e Transplantados. O Fórum faz alusão ao Setembro Verde, mês de campanha nacional pela doação de órgãos.
Temas
A programação incluiu três palestras com os seguintes focos: o nefrologista e gerente de Atenção à Saúde do HU-UFPI, Avelar Alves, abordou o “Transplante renal no Piauí: avanços, desafios e esperanças para uma vida saudável”; o cirurgião digestivo Wellington Figueiredo falou sobre a “Cirurgia para retirada de múltiplos órgãos: da doação ao transplante”; e o cirurgião cardiovascular Eucário Alves apresentou sobre o “Transplante cardíaco ontem e hoje: a importância de se lutar pela vida”. O momento também contou com a presença de Gilson Cantuário, coordenador da Organização de Procura de Órgãos (OPO-PI).
Segundo Avelar Alves, o Fórum é um espaço essencial para promover o debate e ampliar o conhecimento sobre o tema, especialmente esclarecendo sobre a importância da doação de órgãos. “O número de transplantes ainda é baixo em relação às filas de espera, e isso se deve, em grande parte, à recusa das famílias em autorizar a doação. Precisamos de campanhas de conscientização para mudar esse cenário”, afirmou.
O evento também contou com relatos de pacientes transplantados. Entre eles, Clementino Barbosa Segundo, de 43 anos, que compartilhou sua jornada desde o diagnóstico de diabetes tipo 1 ainda na infância, aos oito anos de idade, até a insuficiência renal que o levou a precisar de um transplante renal, realizado em outubro de 2024, com o rim doado pelo irmão, Cristhiano Neiva. “É uma vida nova que eu ganhei. Sou imensamente grato ao meu irmão. O transplante dá a liberdade de ter uma vida normal. Minha família e eu só temos alegria e satisfação, porque recebemos um milagre, na verdade. O transplante mudou não só a minha vida, mas a vida de todas as pessoas que me rodeiam”, declarou Clementino.
Doação de órgãos no Brasil
Referência mundial, o Sistema Nacional de Transplantes (SNT) do Sistema Único de Saúde (SUS) atua em parceria com a Central de Transplante de cada Secretaria Estadual, dando transparência à lista de espera e proporcionando um serviço gratuito e universal. Em 2024, o Brasil bateu o seu recorde de transplantes com mais de 30 mil procedimentos, um crescimento de 18% em relação a 2022. Os órgãos e tecidos mais transplantados foram córnea (17.107), rim (6.320), medula óssea (3.743) e fígado (2.454).
A maior parte das doações é realizada após a morte do doador, sendo necessária a autorização da família que, geralmente, respeita o desejo do parente. Daí, a importância de informar aos mais próximos sobre a decisão de doar. Mas há também a doação entre vivos, com foi o caso de Clementino e seu irmão com o transplante de um dos rins (doador falecido fornece os dois). O transplante entre vivos também pode ser feito com parte do fígado, parte da medula ou parte dos pulmões, sendo a compatibilidade sanguínea necessária em todos esses casos, além de testes para selecionar o doador que apresenta maior chance de sucesso.
Tecidos também são doados
Quando o assunto é transplante de tecidos, o de córnea é o mais realizado no Brasil. Outros tecidos que podem ser doados são pele, ossos, valvas cardíacas, medula óssea e tendões.
Sobre a Ebserh
O HU-UFPI faz parte da Rede Ebserh desde 2012. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Marília Rêgo e Moisés de Holanda
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh