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ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL
Ebserh reforça importância do autocuidado no ambiente de trabalho
O Dia Internacional do Autocuidado, celebrado em 24 de julho, é um convite para que cada trabalhador da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) reflita sobre a importância de cuidar de si, inclusive no ambiente de trabalho. O autocuidado, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é a capacidade de indivíduos, famílias e comunidades de promover e manter a saúde, prevenir doenças e lidar com elas, com ou sem o apoio de profissionais da saúde.
Nos 45 Hospitais Universitários Federais (HUFs) da Rede Ebserh, diversas ações institucionais são desenvolvidas para incentivar o autocuidado. Práticas rotineiras, como fazer pausas, reconhecer sinais de estresse, buscar apoio e dialogar sobre saúde mental, são exemplos de atitudes que dependem do engajamento individual, mas que também precisam ser acolhidas e apoiadas pelo ambiente institucional.
A iniciativa Acolhe Ebserh visa fortalecer essas ações e promover um ambiente mais saudável. O projeto oferece espaços de escuta qualificada, diálogo e acolhimento, reconhecendo os desafios enfrentados por profissionais que atuam em cenários de alta pressão e demanda. Como parte do Planejamento Estratégico 2024/2025, o Acolhe Ebserh está em processo de expansão para toda a Rede, a partir da experiência piloto em algumas unidades.
Confira algumas das boas práticas nos HUFs da Rede Ebserh!
Hupes-UFBA: foco na espiritualidade
A Comissão de Espiritualidade e Saúde do Hospital Universitário Professor Edgard Santos da Universidade Federal da Bahia (Hupes-UFBA) fortalece o autocuidado dos trabalhadores por meio da integração da espiritualidade na prática profissional. A iniciativa segue diretrizes do Ministério da Saúde, está alinhada ao planejamento estratégico do Hospital e tem apoio da Superintendência e da Gerência de Atenção à Saúde.
Tendo como coordenadora a enfermeira Valdira Gonzaga Rodrigues, e como vice-coordenadora a enfermeira Luciana Souza, a Comissão foi instituída pela Portaria nº 62/2024. “É um espaço coletivo, multiprofissional e democrático. Atua com base na escuta ativa, no respeito à diversidade religiosa e cultural, e na valorização da espiritualidade no cuidado aos trabalhadores e pacientes internados. Entendemos que espiritualidade não é religiosidade, mas um recurso de equilíbrio interior que precisa ser fortalecido no ambiente de trabalho”, explicou Valdira.
A Comissão iniciou em de julho de 2025 uma etapa com capacitações práticas sobre cuidado espiritual no atendimento aos pacientes. “O trabalho busca apoiar os profissionais para que reconheçam seus próprios limites, cultivem equilíbrio emocional e estejam mais disponíveis para cuidar do outro com escuta e presença ativa. O cuidado com o outro começa com o cuidado consigo mesmo”, afirmou Luciana.
As representantes ressaltam que o autocuidado é uma necessidade institucional. “Em ambientes como os hospitais, onde lidamos diariamente com sofrimento e dor, estar em equilíbrio físico, emocional e espiritual é fundamental para manter a qualidade e a humanidade do cuidado”, disse Valdira.
Em reuniões mensais são definidos temas e ações, conforme as competências dos membros. A Comissão também conta com o apoio de outras iniciativas, como a Comissão de Ensino e Pesquisa em Enfermagem (CEPE), que já promoveu palestras. Entre as ações realizadas, estão eventos com a Liga Acadêmica de Cuidado Espiritual da Universidade Federal do Ceará e a participação em rodas de conversa promovidas pela Diretoria de Atenção à Saúde (DAS/Ebserh).
A Comissão promove ações educativas, espaços de escuta, reestruturação das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) e reconhecimento do valor das pessoas. “Queremos que o cuidado em saúde seja realmente integral, começando pelo cuidado com quem trabalha na linha de frente diariamente”, pontuou Luciana.
Casa Viva do CH-UFC
No Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará (CH-UFC), o projeto “Casa Viva” promove o autocuidado dos trabalhadores a partir de práticas integrativas e espaços de escuta, acolhimento e convivência. A iniciativa é coordenada pela chefe da Unidade de Saúde Ocupacional e Segurança do Trabalho (Usost), Daniele Gruska.
Segundo a gestora, a Casa Viva foi criada para oferecer atenção integral à saúde dos trabalhadores do hospital. “O projeto nasce da ideia de que o ambiente de trabalho também pode ser um espaço de acolhimento, escuta e saúde, visando o bem-estar coletivo”, explicou. O prédio tem oito salas e está equipado com materiais e profissionais para orientar a prática de musculação, ginástica funcional, além de rodas de conversa e oficinas de autocuidado. Práticas como Reiki, Auriculoterapia e Ventosas são administradas por especialistas, mas buscam equilibrar a saúde do trabalhador para que, assim, ele possa seguir com o autocuidado.
A proposta da Casa Viva é estimular a autonomia. “O incentivo ao autocuidado parte do olhar para si e para os outros, o cultivo de práticas saudáveis e a busca pelo equilíbrio. O nosso espaço é, antes de tudo, um lugar de respeito e de orientação”, destacou Daniele. “O trabalho ocupa um espaço relevante na nossa vida. A longevidade das pessoas, a permanência e a produtividade envolvem uma relação virtuosa entre emprego e indivíduo. Sem essa relação equilibrada, os adoecimentos acontecem”, compartilhou.
Programa Acolher promove saúde integral no CHC-UFPR
No Complexo do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR), o Programa Acolher promove o bem-estar emocional, social, físico e a qualidade de vida do trabalhador por meio de Práticas Integrativas e Complementares de Saúde (PICS). Iniciado como um projeto da Divisão de Gestão de Pessoas do CHC-UFPR, em 2022, conta, atualmente, com mais de 26 práticas integrativas e o acolhimento psicológico vinculado ao projeto Acolhe Ebserh”, explicou a psicóloga organizacional e do trabalho, Adriana Vargas.
“Éramos somente duas psicólogas e, hoje, contamos com vários voluntários. A oferta de PICS, inicialmente, foi uma forma de fortalecer a criação de vínculos saudáveis entre as equipes, assim como promover um momento de cuidado. E cuidado significa ‘cura’. O programa nasceu com a proposta de criar espaços de escuta, laços e cuidado mútuo”, destacou Adriana.
As atividades do programa incentivam a autonomia e a prática cotidiana do autocuidado. “Estimula práticas conscientes que atendem às necessidades físicas, emocionais, mentais e espirituais. O objetivo é tornar o autocuidado um hábito diário que fortalece o bem-estar e a saúde integral”, afirmou a profissional de Educação Física, Aline de Castro Machiavelli.
Segundo Aline, o autocuidado vai além da atividade física ou alimentação saudável. “Inclui estabelecer limites nas relações, respeitar as emoções e assumir o protagonismo do próprio bem-estar. Essa prática ajuda a prevenir estresse, ansiedade, depressão e até doenças físicas como hipertensão e diabetes”.
Entre os benefícios observados, estão a maior disposição e a melhora na saúde emocional. “Cuidar de si é um gesto de responsabilidade com a própria saúde. Transmitir ao subconsciente a mensagem de que você merece ser cuidado fortalece o valor próprio”, afirmou Aline. “Entre setembro e outubro de 2024, uma pesquisa com os participantes apontou melhora ou estabilidade em sintomas como ansiedade, dores físicas e sintomas depressivos, além de mais disposição no dia a dia”, completou Adriana.
Sobre a Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Andreia Pires, com revisão de Danielle Campos
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh