Notícias
Ação deste sábado (31) integrou o projeto Ebserh em Ação e utilizou tecnologia com inteligência artificial para apoiar diagnósticos
HUJM-UFMT realiza novo mutirão de colonoscopia com foco na redução de filas e diagnóstico precoce de doenças intestinais
Com o objetivo de ampliar o acesso a exames especializados e reduzir o tempo de espera por procedimentos eletivos no Sistema Único de Saúde (SUS), o Hospital Universitário Júlio Müller, da Universidade Federal de Mato Grosso (HUJM-UFMT), vinculado à Rede Ebserh, promoveu no último sábado (31) mais um mutirão de colonoscopia, beneficiando 22 pacientes com queixas gastrointestinais crônicas e suspeitas de doenças inflamatórias ou tumorais.

A iniciativa faz parte do projeto Ebserh em Ação, voltado à intensificação de cirurgias e exames em hospitais universitários federais. Segundo o gerente de Atenção à Saúde do HUJM, Ricardo Lisita, esse tipo de esforço concentrado permite não apenas acelerar o atendimento da população como também otimizar o uso da estrutura hospitalar e das equipes multidisciplinares, principalmente em finais de semana, quando as salas cirúrgicas costumam estar desocupadas.
“Essa estratégia é relevante na agilidade dos atendimentos, diminuindo significativamente o tempo de espera dos pacientes em filas cirúrgicas, o sofrimento prolongado e a piora da qualidade de vida daqueles que aguardam pelo procedimento”, pontuou Lisita.

Além do impacto imediato na fila, o mutirão teve como prioridade o diagnóstico precoce por meio da colonoscopia, considerado o principal exame para rastreamento do câncer colorretal e para investigação de sintomas como diarreias persistentes. Os 22 pacientes atendidos tinham entre 20 e 78 anos, sendo 18 mulheres e quatro homens. Os atendimentos envolveram residentes, equipe de enfermagem e coloproctologistas, com apoio do Setor de Centro Cirúrgico (STCOR).
Maio Roxo: ação integra campanha de conscientização

A atividade ocorreu no contexto do Maio Roxo, campanha nacional de sensibilização sobre doenças inflamatórias intestinais, como retocolite ulcerativa e doença de Crohn. À frente do mutirão, o médico coloproctologista Mardem Machado destacou a relevância de se ampliar o acesso ao exame como forma de garantir diagnósticos mais precoces e intervenções clínicas mais eficazes.
“Existe uma importância muito grande de fazermos diagnósticos muito cedo, para que esses pacientes possam ser tratados da maneira adequada. E como há uma fila extensa de pessoas com diarreia crônica, estamos utilizando o mutirão como forma de acelerar esse processo e contribuir com a população”, explicou.
Detecção precoce evita cirurgias mutilantes

De acordo com o também coloproctologista Wladimyr Moreno, a colonoscopia permite identificar e remover lesões ainda em estágio inicial — como pólipos de poucos milímetros — antes que evoluam para câncer colorretal. Com isso, evita-se a necessidade de procedimentos cirúrgicos complexos, como a amputação do reto e o uso de colostomias definitivas.
“É essencial ampliar a oferta de colonoscopias como forma de rastreamento. Isso reduz custos, evita mutilações e melhora a qualidade de vida dos pacientes”, afirmou.
Tecnologia e colaboração

O mutirão contou ainda com a participação técnica da empresa Kyotech, que forneceu, de forma colaborativa, uma torre de vídeo com suporte de inteligência artificial para auxiliar na precisão dos diagnósticos. A equipe técnica da empresa esteve presente durante os atendimentos para garantir o suporte operacional ao equipamento.

Já a equipe de enfermagem do Centro Cirúrgico foi responsável pela condução da rotina de atendimento e logística dos procedimentos. A enfermeira Cláudia Irene Reis Arruda ressaltou que, apesar do número maior de pacientes, o fluxo se manteve organizado e seguro graças ao preparo prévio e ao engajamento dos profissionais.
“É a mesma rotina que realizamos diariamente, mas com um ritmo mais intenso, dinâmico e com a alegria que os mutirões sempre trazem para a equipe”, relatou.
A nova chefe da Divisão Médica do HUJM, a cardiologista Jamila Leite Xavier, também destacou a importância de fortalecer a participação institucional em ações desse tipo. Segundo ela, os mutirões realizados por meio do projeto Ebserh em Ação são oportunidades valiosas de aproximação entre hospital e sociedade, com impactos diretos na assistência.
“As perspectivas são animadoras, visto que são ações que informam, conscientizam e unem a sociedade com o Hospital Universitário, além de contribuir com a diminuição do tempo de espera para realização de exames e procedimentos. São ações importantes em que há oportunidade do HUJM reforçar seu papel protagonista de promover educação e saúde para toda a sociedade”, afirmou.
Rede Ebserh
O HUJM-UFMT faz parte da Rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Rede Ebserh) desde novembro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.