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Relatos De Quem Cuida

Terapeutas ocupacionais relatam o dia a dia da profissão em ambiente hospitalar – parte 2

Publicado em 09/11/2021 14h27 Atualizado em 12/11/2021 13h38
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Luana Cunha/HC-UFTM e UCS do HC-UFTM/Ebserh

Um dos primeiros contatos do paciente numa unidade de saúde de alta complexidade, o terapeuta ocupacional trabalha a promoção da qualidade de vida por meio de estímulos motores, sensoriais e cognitivos, além de criar adaptações para estimular a autonomia em práticas cotidianas e de autocuidado. Profissionais dessa área que atuam no Hospital de Clínicas da UFTM/Ebserh/MEC retrataram as atividades que desenvolvem na instituição.

 

Luisa Arantes Loureiro

O campo de atendimento de Luisa Arantes Loureiro (37) é um dos mais desafiadores: a pediatria. A T.O. atua no Berçário e no Ambulatório. “Aqui tem uma ruptura da vida cotidiana, e nós tentamos fazer a ressignificação desse dia a dia. Mais especificamente, em situações como se alimentar, posicionamento postural no leito, em momentos de brincar... A vivência social, pois a ruptura destes hábitos é drástica na criança e no idoso, e envolve toda a família”, explica.

Com experiência em ONGs e na iniciativa privada, Luisa salienta a complexidade de uma unidade de saúde do porte do HC-UFTM, que atende pacientes não somente de Uberaba, mas de 27 cidades. Para Luisa, cada caso é individual. Ela enumera que, na prática, o profissional promove diferentes atividades didáticas, verifica o posicionamento da criança no leito, se consegue alimentar-se sozinha, tomar banho sem ajuda e estabelece distintas linguagens de comunicação adaptadas às necessidades dos pequenos.

 

Paulo Estevão Pereira

Paulo Estevão Pereira (49) está há sete anos no HC. É da primeira turma de concursados da Ebserh. Desde agosto de 2021, assiste pacientes da Oncologia na Unidade Dona Aparecida do Pênfigo (parte do complexo hospitalar). Durante cinco anos atendeu pessoas com problemas renais. Atualmente, divide-se entre a Central de Quimioterapia e a enfermaria de Onco-Hematologia, voltada para as doenças do sangue.

“Quando atendia aos pacientes renais, era comum haver tratamentos de longa duração, e os vínculos eram maiores. Tinha um rapaz que na época era bem jovem, com um contexto familiar bastante complicado. Ele precisava atualizar vacinas, passar por outras consultas, e tinha uma desorganização muito grande nessa parte. Uma médica acompanhava, o Serviço Social também. Ele não queria se vacinar de forma nenhuma. Nós conseguimos fazer um vínculo: preparamos um jogo para explicar como funcionava a imunização e ele compreendeu qual era a importância, tomou as vacinas e a gente conseguiu nesse processo cuidar da saúde dele como um todo”, conta Paulo Estevão.

A intervenção além-leito muitas vezes extrapola os momentos do atendimento. No caso citado, Paulo Estevão relata que houve uma atuação “junto com a família ajudando nesses aspectos ocupacionais, de organização de rotina, organização da casa, então foi uma experiência que nos marcou bastante pelo que a gente pode trazer específico da Terapia Ocupacional, de construir a intervenção na saúde de modo integral”. Isso aconteceu há cerca de cinco anos, e o personagem em questão - que tem déficit cognitivo - não perdeu o vínculo com a instituição: aos 23 anos, continua o tratamento, na Unidade de Terapia Renal (UTR).

 

Karen Karoline Silva

Karen Karoline Silva (41) é lotada no Centro de Reabilitação, um dos anexos ambulatoriais do HC. Por lá passam pessoas que não são necessariamente egressos de internação no hospital, podendo ser encaminhadas pela rede SUS. Os atendimentos são voltados para a avaliação, prescrição, dispensação de órteses, próteses e materiais especiais.

Karen é responsável pelas orientações para o paciente usar o equipamento. Tudo com muito planejamento, levando em conta o histórico, respeitando o que ele elege como mais importante, seja um talher para se alimentar sozinho, ou o controle da TV. “O termômetro da felicidade é o sorriso no rosto. Imagine estar com os movimentos limitados e sair da reabilitação pilotando uma cadeira de rodas motorizada”, propõe.

O equipamento é doação do SUS, e o usuário passa por avaliações e diversos testes cognitivos junto a outros profissionais da área de saúde. “Algumas entregas acabam sendo bem emocionantes, pois [os usuários] precisavam de alguém para se locomover e depois passaram a ter uma independência maior”, Karen destaca.

Sobre a Rede Ebserh

O HC-UFTM faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi criada em 2011 e, atualmente, administra 40 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência.

Essas unidades hospitalares, que pertencem a universidades federais, têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e, principalmente, apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas.

Devido a essa natureza educacional, os hospitais universitários são campos de formação de profissionais de saúde. Com isso, a Rede Ebserh atua de forma complementar ao SUS, não sendo responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde das regiões em que os hospitais estão inseridos, mas se destacam pela excelência e vocação nos procedimentos de média e alta complexidades.

Acesse a parte 1.

Com informações do HC-UFTM/Ebserh/MEC