Relatos e Historias
Minha História com a Rede Ebserh
“São coisas que vão ficar para a memória, recordações dele”
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São Luís (MA) - “A força dele é a minha força. Se ele fosse fraco, eu já teria desistido há muito tempo.” Uma frase marcada pela vontade de fazer cada dia ser único. Ela foi dita pela dona de casa Silvaneide Gomes Morais, 32, mãe de dois meninos, um de 13 anos e o outro de dois meses. O bebê, Luís Gabriel, nasceu prematuro (29 semanas de gestação), e ficou internado no Hospital Universitário da UFMA, desde seu nascimento, em 15 de março. Um guerreiro, que ensinou a família e a equipe sobre amor e resiliência. Infelizmente, Luís Gabriel faleceu na última sexta, 9, mas com tão pouco de vida, deixou um legado que marcará para a sempre a vida de quem o conheceu.
Devido ao diagnóstico, Gabriel e a família receberam uma assistência que vai além do tratamento e das intervenções habituais. Trata-se de um cuidado que enxerga uma necessidade maior, de enfrentar o inevitável: o cuidado paliativo. Essa é uma área de atuação médica que aborda a melhoria da qualidade de vida de pacientes e de seus familiares, quando enfrentam problemas associados a doenças que ameaçam a vida. São tratamentos focados na prevenção e no alívio do sofrimento físico, psicológico, social e espiritual, assim como, na melhoria do bem-estar geral dos doentes em estado terminal, com doenças graves ou incuráveis, internados ou no domicílio.
“Quando me falaram que a equipe médica de cuidados paliativos iria se reunir comigo eu não sabia o que era exatamente. Fui pesquisar para entender e quando cheguei na reunião eu já fui sabendo um pouco, até pela situação dele. Já sabia que não seria fácil”, desabafou a mãe.
A anestesista e especialista em cuidados paliativos, Vanise Motta, relatou que eles acompanharam o bebê desde o nascimento, discutindo o planejamento terapêutico, o tratamento de dor e realizando conferência familiar para acolher todas as dúvidas. “O caso dele era delicado por conta de uma inflamação que afeta o trato gastrointestinal (TGI), enterocolite necrosante (ECN), quase que exclusivamente de recém-nascidos, predominantemente, em prematuros. É a emergência cirúrgica mais comum em recém-nascidos. No caso dele, comprometeu todo o intestino, infelizmente não havia como tratar”, explicou Vanise Motta.
Dessa forma, diante de um cenário sensível, ele teve alta da UTI e seguiu internado na Unidade da Criança e do Adolescente, recebendo todas as medidas de conforto, por meio dos cuidados paliativos. “Esses cuidados são apropriados, em qualquer fase da doença, e oferecem mais vantagens quando oferecidos cedo, juntamente com outras terapêuticas orientadas para curar ou controlar a doença subjacente,” reforçou a especialista.
Vanise Motta complementou que os cuidados paliativos são um ato contínuo. “Têm o compromisso de promover o bem-estar do paciente, permitindo trabalhar o conceito de morte sem dor, em paz, de maneira digna, sem tirar da pessoa qualquer outra possibilidade existencial”.
Ações humanizadas para eternizar a relação mãe-filho
Centrado no desejo da mãe, os profissionais da Unidade da Criança e do Adolescente organizaram um mensário (ou mêsversário, como é conhecida a comemoração ao se completar meses de vida) e um ensaio fotográfico para comemorar os dois meses de vida do Gabriel. O tema foi escolhido carinhosamente pela mãe, “Super-herói”, com a montagem do cenário pela Terapia Ocupacional e registros caprichados da fotógrafa e técnica de Enfermagem, Dedyane Lustosa, e do fotógrafo da instituição, Merval Filho.
O ensaio permitiu eternizar, nas imagens, a relação mãe e filho, vivida intensamente dia a dia. “Organizaram a festinha, tiramos fotos, foi bem legal. São coisas que vão ficar para a memória, recordações dele. E, para mim, foi gratificante aproveitar cada momento ao lado do Gabriel. Cada foto, cada vídeo, vai ficar para sempre. O que eu pude aproveitar, eu aproveitei. Ele foi um guerreiro, passou por tantas coisas e suportou tudo”, afirmou Silvaneide, com um olhar carregado de amor.
Sobre a Ebserh
O Hospital Universitário da UFMA faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Danielle Morais, com revisão de Andréia Pires
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh