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ACESSIBILIDADE
Teclado desenvolvido por colega muda rotina de trabalhadora em hospital da Rede Ebserh no Rio
Esther ganhou mais qualidade de vida no trabalho.
Brasília (DF) – No Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), unidade do Complexo Hospitalar da UFRJ, gerenciada pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), a solidariedade entre colegas resultou na criação de um teclado especial, adaptado para pessoas com limitações motoras. Aproximado do tamanho de um celular, o dispositivo facilitou o trabalho diário da assistente administrativa da Unidade de Planejamento de Compras do HUCFF, Esther Regina Matias do Nascimento.
“A minha função é basicamente corrigir a documentação para fazer as compras no hospital universitário. Como eu tenho paralisia cerebral, tenho uma coordenação motora limitada. Com o meu membro esquerdo não consigo acessar algumas teclas do teclado”, relatou Esther. A ideia do Fabrício foi fazer um tecladinho que a auxiliou a usar apenas uma mão, a direita. Segundo ela, o tempo e o esforço dedicados às tarefas diminuíram pela metade graças ao suporte.
Um olhar para a diferença
A convocação para o cargo público na Ebserh marcou a primeira experiência profissional de Esther, concursada em 2024. O ingresso trouxe desafios, mas a atenção de um colega tornou o processo mais leve. “Estava corrigindo uma documentação e o Fabrício sentou do meu lado, porque notou a dificuldade que eu tinha com os atalhos, viu que eu esticava meu braço ao máximo que podia e às vezes apertava a tecla errada. Ele notou e disse ‘Esther, eu estou com a ideia de um teclado’”.
Para ela, o gesto, apesar de simples, teve grande impacto: “Eu costumo dizer que por mais que seja uma ideia simples, muitas pessoas não pensam na acessibilidade. Foi uma ideia muito boa e prática.”
Projeto veio de experiência com inclusão no Hucam-Ufes

O teclado adaptado para pessoas com deficiência (PCDs) foi idealizado e produzido por Fabricio Cezar Vieira de Oliveira. O gestor hospitalar, atualmente chefe da Unidade de Licitações no CH-UFRJ, construiu sua trajetória em parceria com o setor de Terapia Ocupacional do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam-Ufes), no Espírito Santo, onde atuou por sete anos. “Lá havia projetos como pegadores adaptados para pessoas com mobilidade reduzida nos dedos”, explicou.
Para desenvolver o teclado de Esther no HUCFF, Fabrício utilizou uma pequena placa eletrônica, botões de teclado mecânico e uma estrutura impressa em 3D. A configuração dos comandos foi programada em Python. Segundo ele, o custo total do dispositivo não chegou a R$ 70, mostrando que acessibilidade nem sempre depende de grandes investimentos.
Fraldário adulto vira referência de dignidade para PCDs em hospital de Santa Maria (RS)

Iniciativas inovadoras têm contribuído para tornar os Hospitais Universitários geridos pela Ebserh ambientes cada vez mais inclusivos e acessíveis. Outro exemplo vem do Rio Grande do Sul: o Hospital Universitário de Santa Maria, da Universidade Federal de Santa Maria (HUSM-UFSM), conta, desde meados de 2024, com um espaço de referência para pessoas com deficiência.
Localizado no térreo do hospital e com dimensões adequadas, o fraldário adulto oferece conforto e privacidade para higienização adequada e digna a pessoas usuárias de cadeira de rodas, ostomizadas e acamadas que fazem uso de fraldas. “A inauguração do espaço foi uma grande conquista, pois oferece conforto e segurança aos pacientes, que podem utilizar o espaço para troca de fraldas, bolsas de colostomia e iliostomia”, destacou a ouvidora, Fabiana Baptista Goulart.
O projeto do fraldário surgiu a partir de sugestões à Ouvidoria do HUSM, primeiro do pai de um paciente com paralisia cerebral, e, em seguida, de um engenheiro civil e membro do Núcleo de Estudos Projeto Pessoa e Ambiente (Neppa) da UFSM.
“Enquanto Ouvidoria, é muito gratificante saber que fomos o canal de comunicação entre os usuários dos serviços e a gestão, para que o fraldário fosse criado. O fraldário significa muito mais que um espaço físico, é acolhimento, acessibilidade, cuidado, e o mais importante, oferece dignidade e respeito para com os pacientes e acompanhantes”, destaca Fabiana.
Acessibilidade e inclusão
O Dia Nacional da Acessibilidade, 5 de dezembro, chama à reflexão sobre como transpor barreiras que dificultam ou impedem o acesso e a autonomia plena nos espaços, serviços, informações e oportunidades. Segundo o IBGE, há 18,6 milhões de PCDs no Brasil. Das que estão em idade economicamente ativa, apenas 26,6% encontram espaço no mercado de trabalho.
Sobre a Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Elisa Andrade, com edição de Danielle Campos
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh