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SAÚDE PÚBLICA
Protocolos e equipes bem treinadas fazem a diferença na prevenção de sepse
Sepse é uma resposta desregulada do corpo a uma infecção e pode ser fatal se não for tratada com rapidez
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Brasília (DF) – O que parece ser uma ‘‘simples’’ infecção pode evoluir para uma emergência grave. Com a sepse é assim: ela começa silenciosa e, em poucas horas, pode comprometer os órgãos. Com protocolos clínicos bem estabelecidos e integração de equipes multiprofissionais, os Hospitais da Rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) demonstram que a eficiência no atendimento pode mudar o desfecho da doença. Neste Dia Mundial da Sepse (13 de setembro), reforça-se a importância da conscientização dessa questão de saúde pública.
Segundo o médico infectologista João Paulo Fonseca, do Hospital Universitário de Lagarto, da Universidade Federal de Sergipe (HUL-UFS), a expressão “infecção generalizada” sugere que o microrganismo tenha se espalhado por todo o corpo, o que não é necessário para que ocorra a sepse. “Na verdade, a sepse ocorre quando uma infecção localizada, como no pulmão, trato urinário, pele ou abdômen, desencadeia uma resposta desregulada do organismo, capaz de provocar disfunção grave em órgãos vitais”, descreve.
Entre os sintomas da sepse estão a alteração do nível de consciência, a dificuldade respiratória, a queda da pressão arterial, a redução da produção de urina e alterações de coagulação. A forma mais grave, que é o choque séptico, ocorre quando a pressão arterial tem uma queda muito relevante e os órgãos começam a falhar.
Diferentes fatores, como o local onde a infecção ocorre, o ambiente em que o paciente se encontra, o uso prévio de antibióticos que podem provocar uma resistência, a presença de dispositivos invasivos, cirurgias recentes, além de condições clínicas como imunossupressão e comorbidades, podem levar à sepse, explica o especialista.
Algumas bactérias são mais comuns de serem verificadas nos casos de sepse, especialmente aquelas associadas a infecções de pele, pneumonia e trato urinário. Porém, alerta João Fonseca, “a sepse pode surgir a partir de praticamente qualquer tipo de infecção, seja urinária, respiratória, abdominal, cutânea, fúngica ou até viral”. O ideal para a prevenção é manter hábitos saudáveis de vida, evitar automedicação e ficar atento aos sinais. Se uma doença infecciosa tiver qualquer sinal de evolução, busque auxílio médico.
O médico intensivista Hermeto Paschoalick, superintendente do Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD), revela que a sepse exige a capacidade de fazer o diagnóstico correto e que o tratamento deve ser iniciado o quanto antes. “As evidências mostram que o início do antibiótico na primeira hora de atendimento é importantíssimo para o controle da doença”. Ele ainda ressalta que a recomendação é que pacientes com sepse tenham acesso à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) dentro das primeiras seis horas.
Embora o uso rápido de antibióticos seja essencial, também existe um risco de resistência bacteriana. A infectologista Thallyta Antunes, do Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI), descreve que esse risco é minimizado pelo ajuste do antibiótico após sair o resultado das culturas. Inicialmente, o paciente é medicado com um antibiótico que combate um número maior de microrganismos e, assim que o exame identifica qual o tipo de agente infeccioso, pode ser utilizado um medicamento mais específico. “O momento certo de revisar o antibiótico é entre 24h e 48h do início do tratamento. A manutenção ou mudança do antibiótico deve considerar o quadro clínico do paciente e os exames laboratoriais”, detalha.
A agilidade no tratamento também está relacionada ao cuidado multiprofissional atento. Raquel Tauro, chefe do Setor de Paciente Crítico do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS), destaca o trabalho multiprofissional no combate, como a liberação automática da primeira dose de antibiótico pela Farmácia. “Além disso, nas Unidades críticas os exames para identificação da sepse, incluindo as hemoculturas, são coletados pela equipe assistencial, sem a necessidade de aguardar que a equipe de Laboratório esteja presente nestas unidades”.
No Humap-UFMS, por exemplo, a triagem para sepse é realizada em diversos setores, como nas Unidades de Admissão, Enfermarias, Unidade de AVC e UTIs. Desde 2019, a instituição promove treinamentos teórico-práticos com simulação realística envolvendo profissionais de todas as categorias assistenciais e residentes.
No HU-UFGD, o destaque é a prevenção e o tratamento da sepse neonatal, área na qual a instituição é referência regional. Além disso, os pacientes com sequelas pós-sepse continuam sendo acompanhados com foco na recuperação e na qualidade de vida. Já o protocolo de sepse do HU-UFPI, implantado em 2023, utiliza um algoritmo próprio que realiza a triagem dos pacientes com maior risco a cada seis minutos, permitindo acompanhamento mais atento e diagnóstico precoce pelos médicos plantonistas.
Sobre a Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Marília Rêgo, com revisão de Danielle Campos
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh