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ASSISTÊNCIA
Musicoterapia ganha força como prática humanizada de cuidado hospitalar
O manejo clínico da música é uma especialidade do musicoterapeuta
Rio de Janeiro (RJ) – A prática da musicoterapia tem se destacado pela humanização do cuidado, pelo baixo custo e pelo impacto positivo em diferentes contextos hospitalares. O Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Rio de Janeiro (CH-UFRJ), administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), tornou-se referência nacional nesse campo, com ações na Maternidade-Escola (ME/UFRJ), no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF) e no Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG).
Uso terapêutico da música alia arte e responsabilidade clínica
O HUCFF abriga o projeto de extensão “Toma essa canção como um beijo”, que atende pacientes graves do Instituto de Doenças Torácicas (IDT) e da Hepatologia. “No hospital, nós abordamos paciente a paciente, e muitas vezes oferecemos a possibilidade de o familiar cantar para ele. Quando o paciente pode escolher, ele define a música que será reproduzida ao vivo, ao lado do leito”, relata Bianca Bruno Bárbara, professora do curso de graduação em Musicoterapia da UFRJ.
Segundo ela, o manejo clínico da música exige formação especializada. “Requer entender quando uma canção pode ser mobilizadora demais, como modular a voz para que seja acolhedora ou como lidar com a emoção despertada em alguém vulnerável. Até os graduandos em música são acompanhados de perto, com supervisão semanal para discutir cada caso”, complementa.
Pesquisa e assistência na Maternidade Escola
"Vários estudos demonstram que a musicoterapia pode reduzir o uso de medicamentos, diminuir o tempo de procedimentos e otimizar a atuação das equipes de saúde”, destaca Ana Carolina Arruda, coordenadora do serviço de Musicoterapia da maternidade, criado em 1988 por Martha Negreiros.
As intervenções acontecem em enfermarias, salas de espera de ambulatórios e até no Centro Obstétrico. “Atuamos durante o pré-parto e parto, em parceria com a Enfermagem, ampliando estratégias não farmacológicas para o alívio da dor e fortalecendo o acolhimento de gestantes, familiares e profissionais”, explica Ana.
Musicoterapia humaniza rotina hospitalar no IPPMG
No Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG), a prática tem se consolidado como ferramenta essencial de humanização hospitalar, especialmente para crianças em longas internações. Coordenado por Gabriela Koatz, com apoio de estudantes da UFRJ e do projeto ComuniMúsica, o trabalho oferece alívio emocional tanto aos pacientes quanto às famílias, muitas das quais vivem praticamente no hospital devido a condições crônicas.
O impacto do projeto vai além dos pequenos pacientes. Familiares e profissionais de saúde também se beneficiam dessa pausa sensível na rotina hospitalar. “A musicoterapia pode aliviar o estresse de uma mãe preocupada ou renovar as energias de uma equipe no fim do plantão, transformando o clima do ambiente”, exemplifica Gabriela Koatz.
Reconhecimento e desafios
A musicoterapia é considerada Prática Integrativa e Complementar em Saúde (PICS) pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e em 2024 foi regulamentada oficialmente no Brasil. “Ela contribui fortemente para a humanização, promoção de saúde, bem-estar e redução do tempo da internação, como também na recuperação de pacientes em áreas específicas, tudo isso é comprovado com estudos científicos”, ressalta Beatriz de Freitas Salles, coordenadora do curso de graduação em Musicoterapia da UFRJ, do qual a Maternidade Escola é uma das instituições participantes.
Dia do Musicoterapeuta
O dia 15 de setembro é dedicado a reconhecer os profissionais que utilizam a música como instrumento de cuidado, saúde e humanização. Para Beatriz, a data é também uma oportunidade de valorizar quem, além de apoiar no tratamento, oferece esperança e acolhimento a pacientes, famílias e equipes de saúde.
Sobre a Ebserh
O Complexo Hospitalar da UFRJ é gerido pela Ebserh desde junho de 2024. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Reportagem: Claudia Holanda, com edição de Danielle Campos
Coordenadoria de Comunicação Social da Ebserh