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HU em Cuiabá participa de estudo sobre 1ª vacina brasileira contra a dengue
Cuiabá (MT) - Cerca de 1,2 mil pessoas de 2 a 59 anos devem participar dos testes clínicos em humanos da primeira vacina brasileira contra a dengue em Cuiabá (MT). Desenvolvida pelo Instituto Butantan, um dos maiores centros de pesquisa biomédica do mundo, os ensaios clínicos são conduzidos pelo Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM) da Universidade Federal de Mato Grosso, administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
Nesta sexta-feira (07), tiveram início os testes no Centro de Avaliação e Pesquisa da Vacina Contra a Dengue com a presença do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin; do superintendente em exercício do HUJM, Eduardo De Lamonica Freire; do Presidente da Fundação Butantan, André Franco Montoro Filho e do Superintendente da instituição, Carlos Magalhães, além de outras autoridades.
O estudo integra a terceira e última etapa de testes antes da vacina ser submetida à aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para que possa ser produzida em larga escala pelo Butantan e disponibilizada para campanhas de imunização em massa na rede pública de saúde em todo o Brasil.
A vacinação dos voluntários é realizada sob a responsabilidade do médico pesquisador Cor Jesus Fontes. “Nós acreditamos muito no sucesso desse estudo e participar dessa avaliação representa um orgulho para nossas instituições. Uma vez que uma vacina brasileira, produzida para o SUS, é a grande esperança para o controle da dengue e, certamente, irá reduzir o sofrimento da população”, assegura o médico pesquisador.
Os testes envolverão 17 mil cidadãos em 13 cidades nas cinco regiões do Brasil. Podem participar do estudo pessoas saudáveis, que já tiveram ou não a doença em algum momento da vida e que se enquadrem em três faixas etárias: 2 a 6 anos, 7 a 17 anos e 18 a 59 anos.
Os participantes do estudo são acompanhados pela equipe médica por um período de cinco anos para verificar a eficácia da proteção oferecida pelo medicamento de imunização. Os voluntários do estudo em Mato Grosso serão recrutados por agentes comunitários de saúde específicos da pesquisa.
A vacina do Butantan, desenvolvida em parceria com os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês), é produzida com vírus vivos, mas geneticamente atenuados, isto é, enfraquecidos.
“Com os vírus vivos, a resposta imunológica tende a ser mais forte, mas, como estão enfraquecidos, eles não têm potencial para provocar a doença. A vacina deve proteger contra os quatro sorotipos da dengue com uma única dose”, explica o diretor do Instituto Butantan, Jorge Kalil.
Nesta última etapa da pesquisa, os estudos visam comprovar sua eficácia. Do total de voluntários, 2/3 receberão a vacina e 1/3 receberá placebo, uma substância com as mesmas características, mas sem os vírus, ou seja, sem efeito. O objetivo é descobrir, mais à frente, a partir de exames coletados, se quem tomou a vacina ficou protegido e quem tomou o placebo contraiu a doença.
Os dados disponíveis até agora das duas primeiras fases indicam segurança do procedimento, que induz o organismo a produzir anticorpos de maneira equilibrada contra os quatro vírus da dengue e que é potencialmente eficaz.
Com informações da Assessoria do Instituto Butantan e da Comunicação Social do HUJM