Notícias
HUSM-UFSM
Hospital da Ebserh em Santa Maria (RS) usa modelos tridimensionais para planejar procedimentos cardíacos
Santa Maria (RS) – O Hospital Universitário de Santa Maria da Universidade Federal de Santa Maria (HUSM-UFSM), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), usou a impressão 3D do coração a partir da tomografia do paciente para planejar procedimento cardíaco. A impressão 3D, ou tridimensional, criou objeto sólido a partir de desenho digital, construindo-o em camadas finas. Essa inovação no atendimento dos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) visou aumentar a segurança e previsibilidade de resultados nos procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos.
A técnica permitiu que acadêmicos e profissionais testassem e visualizassem próteses antes dos procedimentos. A chefe da Unidade do Sistema Cardiovascular, Luiza Cremonese, afirmou que “a impressão 3D do coração possibilitou ao meio acadêmico a discussão com visualização do coração. Como hospital universitário, essa técnica é uma aliada para melhor demonstração do procedimento aos pacientes e acadêmicos”. Ela também mencionou a colaboração da UFSM na impressão do coração, destacando a participação do professor Giovani Sturmer do Laboratório Mostra de Ciências Morfológicas, situado no prédio 19.
“A impressão 3D do coração é muito útil para pacientes com problemas na estrutura do órgão, sejam eles presentes desde o nascimento ou desenvolvidos ao longo da vida, especialmente em situações raras e incomuns. Essa tecnologia nos permite analisar minuciosamente como o problema se relaciona com as outras partes do coração. Com essa análise aprofundada, conseguimos escolher os dispositivos mais adequados para o tratamento e as técnicas cirúrgicas que melhor se ajustam à anatomia específica de cada paciente, evitando interferências em outras estruturas importantes”, explicou o médico cardiologista Romualdo Bolzani dos Santos.
O especialista também explicou a importância da ferramenta em procedimentos menos invasivos: “Em tratamentos por cateter, por exemplo, nem sempre conseguimos prever com total certeza como uma prótese vai interagir com os tecidos vizinhos. A impressão 3D nos oferece a chance de testar diferentes tipos de próteses, de vários tamanhos e marcas, em um modelo físico do coração do paciente. Assim, podemos identificar qual prótese se adapta melhor ao problema sem comprometer a função das estruturas ao redor. Isso resulta em maior previsibilidade e segurança no procedimento”.
Sobre a técnica de construção de modelos cardíacos em 3D
O processo começa com a realização de uma tomografia computadorizada com contraste, que permite visualizar as diferentes fases do coração, como a sístole, quando o sangue é bombeado, e a diástole, quando o coração relaxa e recebe sangue. Segundo o estudante de medicina da UFSM e estagiário do setor de Hemodinâmica do HUSM, Gian Bisognin, “Utilizamos essas diferenças para, a partir dos resultados das tomografias, integrar as imagens em softwares específicos. Assim, conseguimos delimitar as cavidades do coração e identificar malformações nas paredes cardíacas”. O uso combinado da tomografia e do ultrassom proporciona uma análise mais detalhada, já que cada método tem suas vantagens e se complementam.
Após a reconstrução virtual do coração, é possível criar um modelo 3D. Esse modelo permite realizar simulações virtuais, testando próteses para verificar sua adequação aos defeitos do coração do paciente. As impressões 3D são feitas em impressoras específicas, com apoio da UFSM, utilizando tanto filamento quanto resina, dependendo do nível de detalhe necessário. A principal função dessa tecnologia é o planejamento cirúrgico. Com a impressão 3D, é possível obter uma representação fiel do coração do paciente, facilitando a análise das condições anatômicas e o planejamento de intervenções minimamente invasivas.
Além disso, Gian ressaltou a importância da colaboração entre o setor privado, o SUS, a Ebserh e a UFSM. “Estamos trazendo inovações que antes eram escassas no Brasil, visando melhorar o atendimento aos pacientes do SUS e de outros convênios”, afirmou. Esses avanços não somente melhoram a eficácia e a segurança dos procedimentos, mas também proporcionam um tratamento mais humanizado. “O objetivo é garantir a segurança máxima para o paciente e um tratamento eficaz, especialmente para aqueles com diagnósticos complexos”, concluiu Gian.
O estudante destacou que “o que era inimaginável há alguns anos, como a impressão de um coração em 3D, agora é uma realidade em nossa cidade, servindo como exemplo para outras localidades, não somente nas capitais, mas também no interior do país”.
Sobre a Ebserh
O HUSM-UFSM faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Andreia Pires
Coordenadoria de Comunicação Social da Rede Ebserh