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HC-UFTM
Especialista do Hospital da Rede Ebserh em Uberaba (MG) explica como funciona a Hebiatria, área voltada para a saúde e bem-estar dos adolescentes
Adolescência é uma fase que necessita de acompanhamento mais próximo por conta do crescimento acelerado, mudança física, social, psicológica, emocional e psicossocial. Imagem ilustrativa: freepik.
Uberaba (MG) – A adolescência, marcada por grandes transformações é o período de transição da infância para a vida adulta. Para auxiliar nessa etapa da vida, existe a hebiatria, uma subespecialidade da pediatria, voltada exclusivamente para os adolescentes. O Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM), administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), oferta para os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) consultas especializadas em hebiatria, a medicina focada na saúde e bem-estar dos adolescentes.
O hebiatra do HC-UFTM, Marcelo Meirelles, conta que os adolescentes começam a ter uma necessidade de privacidade e de individualização de atendimento. Por isso, já não funciona mais o formato da pediatria, que apesar do foco da consulta ser criança, o bate-papo é voltado para os pais. Na adolescência, o alvo principal da consulta é o adolescente, que precisa ser o protagonista.
“A gente precisa fazer o adolescente se expressar, perguntar diretamente para ele. O adolescente gosta de ser ouvido e o hebiatra tem uma certa habilidade para conseguir extrair as informações que são importantes, para deixar o paciente à vontade para conversar, tirar dúvidas também. No final a gente dá uma devolutiva para família, mas sem entrar em detalhes do que a gente conversou, se não for necessário”, contou o especialista.
Como funciona a consulta?
A consulta em hebiatria, ou medicina da adolescência, tem duração de 40 minutos a uma hora, e funciona em três tempos. O primeiro tempo é com a família e com o adolescente. O segundo tempo é só com o adolescente, onde é possível explorar a vida de um modo mais amplo, histórico de medicamentos, alimentação, horas vagas, drogas, sexualidade, questões emocionais, segurança e prevenção de acidentes. Esse momento acontece em sigilo relativo e não absoluto, que é como é possível ganhar a confiança do paciente, mas sem deixar de comunicar à família algo que coloque em risco a vida e a saúde do paciente. No terceiro tempo é feita a devolutiva com a família ou acompanhante responsável.
O médico alerta que a adolescência é uma fase que necessita de acompanhamento mais próximo: “Quando bebê, as consultas são mensais, depois passam de dois em dois meses, para de seis em seis. Na infância, a gente passa para uma vez por ano, porque é uma fase de crescimento mais lento. Na adolescência, a gente aproxima as consultas de novo, para de quatro em quatro ou de seis em seis meses, por conta do crescimento acelerado, mudança física, social, psicológica, emocional e psicossocial. Na adolescência, a gente volta a fazer mais consultas do que na infância”.
O risco de adiar as consultas é que, devido ao crescimento acelerado, quando o adulto procura atendimento após essa fase, pode não ser possível realizar a intervenção médica necessária. O ideal é que os pais procurem acompanhamento de rotina com profissional especializado para essa fase entre 10 e 19 anos, considerada adolescência pela OMS (Organização Mundial de Saúde).
Em caso de necessidade, é feito o de encaminhamento multiprofissional. “Não é incomum o hebiatra trabalhar em paralelo com outros profissionais especializados, como psiquiatras, psicólogos e neurologistas”, salientou Marcelo.
O atendimento no HC-UFTM é feito dentro do Ambulatório de Atendimento Integrado à Vida - Infância (AII), para adolescentes até 18 anos que tenham sido vítimas de violência sexual, e no Centro de Atenção Integrada em Saúde (Cais), numa parceria da UFTM com a Prefeitura de Uberaba para atendimentos em medicina da adolescência.
Para atendimento no Cais, o responsável pode procurar diretamente a recepção ou ser encaminhado via unidade de saúde mais próxima. São atendidos, em média, de 15 a 20 pacientes de até 20 anos por semana, nas terças no período da manhã, e nas quartas e quintas no período da tarde. No HC-UFTM são realizados cerca de 12 atendimentos por semana para pacientes de até 18 anos, nas terças e sextas, no período da tarde.
Rede Ebserh
O HC-UFTM faz parte da Rede Ebserh desde janeiro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Redação: Pollyana Freitas
Coordenadoria de Comunicação Social da Rede Ebserh