Relatos e Historias
Cuiabá (MT)
Ações de acolhimento transformam a experiência de crianças em situação cirúrgica no HUJM-UFMT
Cuiabá (MT) – A rotina no Centro Cirúrgico do Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM-UFMT/Ebserh) ganhou novos significados a partir de ações voltadas ao acolhimento humanizado de crianças em situação cirúrgica. Desenvolvidas a partir da vivência diária com o público infantil, as iniciativas têm como objetivo reduzir o medo, a ansiedade e o estresse relacionados ao ambiente hospitalar, aos procedimentos anestésicos e ao contato com profissionais de saúde.
As ações são conduzidas pela profissional Elizabete Franzosi, técnica em enfermagem do centro cirúrgico, que explica que o cuidado vai além da técnica. Ao promover vínculo, confiança e colaboração, o acolhimento contribui diretamente para uma indução anestésica mais tranquila e um despertar mais seguro, beneficiando também os responsáveis que acompanham as crianças.
Entre as atividades realizadas estão a entrega de certificados de coragem, medalhas simbólicas de primeiro lugar, sempre que possível personalizadas com as cores preferidas da criança ou do seu time, e pulseiras personalizadas, especialmente para meninas, muitas vezes com o nome. O ambiente cirúrgico também passa por transformações visuais, com ambientação temática de astronauta e céu estrelado, criando um cenário lúdico e acolhedor.
Outra estratégia adotada é o uso de água perfumada pediátrica, com dez fragrâncias diferentes à escolha da criança, ajudando a minimizar o odor do anestésico inalatório sevoflurano. Além disso, as crianças recebem capas de super-heróis e heroínas, podendo escolher personagens com os quais mais se identificam. Atualmente, estão disponíveis temas como Homem-Aranha, Bela e a Fera, Batman, Bailarina, Barbie, Hulk, Frozen, Superman e Mulher-Maravilha.
A novidade agora é ampliação das ações com a inclusão de carrinho com controle remoto, permitindo que as crianças cheguem à sala cirúrgica de forma ainda mais descontraída e divertida.
Embora o projeto tenha partido de uma iniciativa individual, ele se consolidou por meio do trabalho coletivo. O certificado e a medalha foram sugeridos pela anestesista Aline Lima, a ambientação com céu estrelado foi idealizada pela anestesista Marina Lima, e as capas de super-heróis contam com a parceria de Márcia Rezer, responsável pela confecção dos materiais.
Jackelline Bonilha e Admilson Gomes, pais da paciente Anna Liz, acreditam que foram privilegiados em vivenciar de perto o acolhimento humanizado oferecido às crianças no pré-operatório, bem como a primeira cirurgia realizada por videolaparoscopia no hospital. Um momento histórico, marcado por cuidado, empatia e profissionalismo.
"Desde o primeiro contato, foi possível perceber o quanto o acolhimento afetuoso, o diálogo e a atenção às emoções da criança fazem diferença. Esse cuidado reduziu o medo e a ansiedade, trazendo mais tranquilidade e segurança para nossa filha e também para nós, como pais. A forma como Anna Liz foi preparada para entrar no centro cirúrgico fez toda a diferença nesse processo tão delicado", ressaltou a mãe da pequena.
O impacto do acolhimento ultrapassa o momento cirúrgico. Mesmo sem acompanhar diretamente o pós-operatório ambulatorial, relatos demonstram os efeitos duradouros das ações. Em um dos casos, durante a retirada de pontos, uma criança solicitou que o procedimento fosse realizado novamente no Centro Cirúrgico, local associado à experiência positiva vivida. Em outra situação, uma mãe entrou em contato solicitando a reposição de um certificado que havia se molhado, após a criança demonstrar tristeza pela perda do símbolo recebido.
As iniciativas também inspiram profissionais em formação. Há registros de residentes que afirmam a intenção de incorporar práticas semelhantes em suas futuras atuações, e passam a desenvolver ações de acolhimento infantil em outro serviço, levando adiante o propósito do projeto.
Para Elizabete, os resultados confirmam o valor do cuidado humanizado. Um dos momentos mais marcantes ocorreu quando uma criança, após a alta do Centro Cirúrgico, pediu que a profissional a acompanhasse até a porta. O gesto simples reforçou a certeza de que o trabalho realizado, em conjunto com a equipe multiprofissional, conseguiu transmitir segurança, confiança e acolhimento em um momento delicado.
Pequenas ações, quando realizadas com sensibilidade e compromisso, demonstram que a humanização do cuidado tem o poder de gerar impactos profundos e duradouro, não apenas nas crianças, mas também em seus familiares e nos profissionais envolvidos.
Sobre a Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
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