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FOLIA SEGURA
Carnaval: A diversão com mais cuidado é completa
Com informação, planejamento e cuidado o feriado pode ser um momento de folia e saúde (Imagem ilustrativa: Freepik).
Brasília (DF) – Para quem vai atravessar o carnaval entre blocos, viagens e encontros, o cuidado com a saúde não precisa tirar o brilho da festa. Especialistas de hospitais universitários da Rede Ebserh reuniram orientações práticas para os dias de folia e para o pós, com foco em hidratação, alimentação e prevenção das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Entre as estratégias disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), de forma 100% gratuita, estão a profilaxia pós-exposição (PEP), indicada em situações de risco, e outras medidas de prevenção combinada.
A nutricionista Carine Costa, do Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF), chama atenção para um ponto que costuma se perder no ritmo da festa: manter a hidratação do começo ao fim, sobretudo quando há consumo de álcool. “As pessoas costumam consumir bebida alcoólica e acabam esquecendo de beber água. Por isso, é essencial se hidratar antes, durante e após a folia.” Para facilitar a rotina, ela sugere carregar líquidos e variar as opções ao longo do dia. “O ideal é andar sempre com uma garrafinha de água, podendo alternar com água de coco, sucos naturais ou chás gelados.” Se a escolha incluir bebida alcoólica, uma estratégia simples ajuda a reduzir o risco de desidratação: “A dica é intercalar a bebida alcoólica com um copo de água”.
Na alimentação, a orientação é organizar o carnaval em três momentos e fazer escolhas que garantam energia sem sobrecarregar o corpo. Antes de sair, Carine recomenda evitar “compensações” que costumam cobrar um preço depois, como pular refeições ou apostar em comidas muito pesadas. “Evite pular as principais refeições, como almoço ou jantar. Priorize refeições completas, com bastante salada, boas fontes de carboidrato para garantir mais energia e fontes de proteína, como frango ou peixe”. Para reduzir desconfortos, ela sugere ainda dar preferência a preparações mais leves.
Equilíbrio é a chave
Durante a folia, o objetivo é não ficar muitas horas sem comer e, ao mesmo tempo, reduzir a chance de problemas gastrointestinais, mais comuns nessa época. “Lanches rápidos e leves ajudam a manter a energia, como frutas, sucos, picolé de frutas, isotônicos, castanhas e sanduíches naturais.” Além do que se come, importa onde se compra. “Prefira estabelecimentos de confiança e com boa higiene, pois o risco de contaminação aumenta nessa época”. No pós-folia, o corpo pede reposição e descanso, e o caminho, segundo a nutricionista, é retomar com leveza e equilíbrio. “Priorize uma refeição leve e equilibrada, com bastante frutas, legumes e verduras, proteínas magras e carboidratos de boa qualidade. Reforce a hidratação e evite alimentos muito gordurosos e ultraprocessados.” Ela também inclui o sono no pacote de recuperação: “Um bom descanso e uma noite de sono adequada também fazem parte desse cuidado pós-folia.” Sobre álcool e medicamentos, a recomendação é de cautela, porque os efeitos podem mudar de pessoa para pessoa. “Muitos remédios podem ter seus efeitos alterados quando associados à bebida alcoólica… é importante verificar sempre com o médico”.
Cuidados após exposição a ISTs e HIV
Na prevenção das ISTs, o infectologista Jorge Luiz Nobre, do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará (CH-UFC), destaca que o período pede informação clara sobre as formas de proteção oferecidas pelo SUS, com apoio do Ministério da Saúde e das redes estaduais e municipais, sobre as possibilidades de prevenção do HIV, tanto na PEP como na PrEP, e, principalmente, em todas elas, o uso de preservativo.
Ao tratar especificamente da PEP, Jorge Luiz explica que ela é indicada quando há risco de exposição, como relações sexuais sem proteção, e em situações de violência sexual. “A PEP é a profilaxia pós-exposição, é para aqueles casos que o paciente tem relação sexual desprotegida, com parceiro desconhecido, por exemplo”. O tempo é um fator decisivo e a busca pelo serviço de saúde deve ser imediata. “Você deve procurar um serviço de saúde, no máximo em três dias, 72 horas. Quanto mais precoce você procurar, terá mais efetividade”.
Segundo o infectologista, o atendimento inclui avaliação e exames antes do início da medicação, e o esquema recomendado dura 28 dias. Ele explica que o serviço faz os testes indicados antes de liberar o tratamento. “Antes de prescrever o serviço especializado faz as sorologias, incluindo HIV, antes de liberar a medicação.” Em algumas situações, quando há informação segura sobre o parceiro, pode não ser necessário iniciar a PEP. “Se ele souber a sorologia do parceiro e elas forem negativas, ele não teria necessidade de fazer o uso da PEP.” E reforça o foco em situações de maior risco: “A PEP é para casos de estupros ou parceiros desconhecidos”.
Para contextualizar outras estratégias, Jorge Luiz menciona a PrEP, destacando que há esquemas distintos e que algumas pessoas fazem uso contínuo. Ao citar a opção sob demanda, ele descreve o protocolo. “Você toma dois comprimidos pelo menos duas horas antes da relação sexual, toma um comprimido no dia seguinte e no dia subsequente. Então, você estaria protegido de HIV”. Ainda assim, ele ressalta que a proteção precisa ser combinada, porque PrEP e PEP não previnem outras ISTs. “Se você não usar preservativo… você tem chance de pegar outras ISTs, como sífilis, gonorreia… o condiloma transmitido pelo vírus do HPV.” Por isso, ele reforça a importância do preservativo como parte do cuidado.
Ao unir informação, planejamento e cuidado, o carnaval pode seguir como deve ser: um tempo de encontro e alegria, com mais segurança para o corpo e para a saúde antes, durante e depois da festa.
Sobre a Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Felipe Monteiro, com edição de Danielle Campos
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh