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Quando lixo vira oportunidade: economia circular foi tema da Conferência Livre ODS do CTI Renato Archer

- Marcello Fornari, Marcos Pimentel, Juliana Daguano, Tatiana Parra Vello e David Noronha, no auditório do CTI Renato Archer.
Com o objetivo de discutir o gerenciamento sustentável dos resíduos eletrônicos, o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer realizou, na última quarta (20/5), a sua Conferência Livre dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, com o tema “Tecnologias em Economia Circular”. O evento reuniu especialistas da academia e do setor privado com a sociedade civil, em um painel dedicado a transformar o problema do lixo eletrônico em soluções alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) – um conjunto de 17 objetivos que abordam os maiores desafios enfrentados pela humanidade ao redor do globo.
Em sua fala de abertura, a diretora do CTI, Juliana Daguano, contextualizou o evento como etapa preparatória para a Conferência Nacional ODS, que vai reunir, entre 30 de junho e 2 de julho, diversas instituições e movimentos sociais em Brasília, para votar propostas de políticas públicas que ajudem o Brasil a alcançar a Agenda 2030 da ONU. Esse plano de ação, do qual o Brasil é signatário, traça metas para um mundo mais igualitário, próspero e ambientalmente seguro.
Dando início ao painel, a tecnologista Tatiana Parra Vello, da nossa Divisão de Projetos, Análise e Qualificação de Circuitos Eletrônicos, fez referência ao relatório Global E-Waste Monitor, divulgado em 2024 pelo Instituto das Nações Unidas para Formação e Pesquisa (Unitar), que situa o Brasil na quinta posição do ranking dos países que mais produzem resíduos eletrônicos. “O que parece um problema, aqui no CTI a gente vem enxergando como oportunidade”, afirmou Tatiana. É que por meio do Programa Ambientronic, o CTI desenvolveu técnicas inovadoras de mineração urbana – isto é, a extração de minerais críticos de resíduos sólidos urbanos, especialmente lixo eletrônico. O processo Rematronic, patenteado pela instituição, é capaz de extrair 200 gramas de ouro por tonelada de placas eletrônicas, contra os 5g por tonelada extraídos na mineração convencional, com custo de implementação mais baixo, menor consumo energético e baixo impacto ambiental.
Marcello Fornari, COO da Circular Brain, expôs, em seguida, o funcionamento da Rede Circulare, que conecta governo, consumidores e a iniciativa privada em todo o País com soluções de gerenciamento da cadeia de valor de eletrônicos. A empresa atua em logística reversa, descarte corporativo, coleta domiciliar e campanhas ambientais, entre outros serviços. “Quando o material tem valor, ele não vai ficar na rua; alguém vai pegar e fazer a reciclagem. Mas como a gente escala esse processo? A nossa plataforma ajuda mais gente a fazer parte desse ecossistema”, afirmou Fornari. A Circular Brain tem desenvolvido tecnologias como visão computacional – uma IA que analisa imagens capturadas por câmeras e identifica materiais críticos – e o Passaporte Digital de Produto (DPP), ferramenta de rastreamento que compila informações sobre componentes, processos de fabricação, rotas de comércio e circulação e muito mais sobre determinado objeto – dados valiosos para efetivar a logística reversa de um eletroeletrônico.
David Noronha, CEO da Energy Source, encerrou a rodada de apresentações falando da importância crescente do reparo, reciclagem e refino de baterias de lítio – o foco de atuação da empresa – à medida que carros elétricos tornam-se mais comuns. Segundo o empresário, o Brasil já é um dos países que mais vendem carros elétricos e híbridos por ano; veículos eletrificados já representam 16% do market share nacional. Mesmo baterias descartadas que não possam ser reparadas ou recicladas são fonte de materiais valiosos, como níquel, cobalto, manganês, cobre, alumínio e, claro, lítio. Para Noronha, o Brasil tem a oportunidade de se posicionar como um hub de reparo, reciclagem e refino para baterias de toda a América do Sul. Ele defendeu, ainda, maior diálogo e parceria entre a academia e o setor privado; o empreendedor, em suas palavras, é aquele que “transforma inovação em nota fiscal”, viabilizando na prática o que se desenvolve nos laboratórios de instituições de pesquisa.
A Conferência culminou em um debate entre painelistas e público para definir as propostas que serão levadas a votação na Conferência Nacional. Também foi designado o delegado encarregado de representar a etapa livre em Brasília: o pesquisador Marcos Pimentel, do CTI Renato Archer. As sugestões de propostas, que devem ganhar sua redação final nos próximos dias, versam sobre tecnologias de rastreabilidade, rotas para recuperação de materiais críticos e estratégias para garantir uma maior conformidade dos produtos comercializados no Brasil à legislação vigente e aos acordos internacionais dos quais o País é signatário.

