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CIÊNCIA CONTRA A SECA
Pesquisa entre Brasil e Chile busca fortalecer cultivos diante do estresse hídrico
O Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (CETENE), unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e a Universidad Católica de Temuco (Chile) firmaram o Acordo de Colaboração nº 19/2025 para desenvolver bioinsumos nanotecnológicos capazes de aumentar a resistência de plantas ao estresse hídrico.
A iniciativa busca enfrentar um desafio comum ao Nordeste brasileiro e ao sul chileno: a escassez de água e seus impactos sobre a produção agrícola. Com investimento estimado em R$ 4,47 milhões e duração inicial de 60 meses, o projeto prevê a criação de nanomateriais bioestimulantes voltados à melhoria do desempenho fisiológico das plantas em condições adversas.
A parceria reúne a expertise do CETENE em síntese e caracterização de materiais e a infraestrutura da Universidad Católica de Temuco para validação agrícola em ambientes controlados. O objetivo é avançar no desenvolvimento de soluções sustentáveis capazes de reduzir os efeitos da seca sobre culturas de interesse agrícola.
A colaboração internacional também se apoia em resultados científicos recentes. Em estudo publicado na revista científica Polymers, pesquisadores das duas instituições demonstraram que nanopartículas de quitosana aplicadas em mudas de tomateiro (Solanum lycopersicum) contribuíram para mitigar os efeitos do déficit hídrico. Os experimentos indicaram melhorias na eficiência fotossintética, no transporte de elétrons e na assimilação de carbono, além do fortalecimento dos mecanismos antioxidantes das plantas sob condições de menor disponibilidade de água.
Segundo o pesquisador bolsista do CETENE, Dr. Rafael Vilela, o foco da colaboração é ampliar o desenvolvimento e a validação desses nanomateriais para aplicação agrícola. Já o coordenador da pesquisa na instituição chilena, Dr. Ricardo Marcelo Tighe Neira, destaca que Brasil e Chile compartilham desafios relacionados ao estresse hídrico, tornando a cooperação científica estratégica para a busca de soluções adaptadas a diferentes condições ambientais.
Para a pesquisadora do CETENE e coordenadora do projeto, Dra. Bianca Galucio, a parceria representa uma oportunidade de transformar resultados científicos em tecnologias com potencial de aplicação no campo. "Os estudos mostram que a nanotecnologia pode aumentar a tolerância das plantas à escassez de água. Com essa parceria, vamos avançar na validação desses materiais e no desenvolvimento de tecnologias para uma agricultura mais resiliente às mudanças climáticas."
Além do desenvolvimento dos bioinsumos, o acordo prevê ações de proteção da propriedade intelectual, intercâmbio de pesquisadores e estudantes e atividades voltadas à transferência de tecnologia. Os próximos passos incluem testes em diferentes escalas para ampliar a maturidade tecnológica das soluções desenvolvidas e avaliar seu potencial de aplicação em sistemas agrícolas sujeitos à restrição hídrica.