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RECUPERAÇÃO AMBIENTAL
Pesquisa do CETENE valida novas técnicas para a restauração de manguezais no Nordeste
Fotos: Jocelio Oliveira/Ascom CETENE
Pesquisadores do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (CETENE), em parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), deram um passo importante para a recuperação de ecossistemas costeiros degradados.
Exatos 100 dias após a coleta das sementes (propágulos), a equipe de pesquisadores do CETENE retornou à Barra de Catuama, em Goiana, no litoral norte de Pernambuco, para realizar o plantio das mudas de mangue-vermelho (Rhizophora mangle L.).
Desenvolvidas sob novas metodologias de cultivo que testaram diferentes substratos em viveiro ao longo de 13 semanas, as mudas agora integram um experimento de campo onde cada exemplar é monitorado individualmente para validar a eficácia da técnica na recuperação de áreas degradadas da região Nordeste.
O estudo, publicado recentemente na revista internacional Ecological Engineering, traz avanços significativos para tornar a restauração de manguezais mais eficiente e sustentável. A pesquisa conduzida pela Dra. Cândida Juliana Albertin-Santos (CETENE).
Inovação em Substratos e Escala de Produção
O experimento avaliou o desempenho das mudas ao longo de 13 semanas de cultivo em viveiro, comparando quatro tipos de substratos: Solo nativo de manguezal (utilizado como controle); Vermiculita; Substrato florestal comercial (Basaplant Florestal®); Uma mistura dos dois materiais anteriores.
Os resultados indicaram que o uso de substratos comerciais e vermiculita resultou em mudas com crescimento mais rápido, maior vigor estrutural e sistemas radiculares mais robustos em comparação ao solo nativo.
De acordo com a Dra. Juliana, essa técnica permite a produção de mudas mais fortes em maior quantidade, “facilitando a ampliação da produção em larga escala e transformando o conhecimento experimental em uma solução aplicada para as áreas degradadas do Nordeste”, destacou.
Monitoramento e Impacto Social
Com o retorno ao campo, as mudas foram plantadas em áreas divididas por blocos, onde cada planta está individualmente identificada para que os pesquisadores saibam exatamente a qual tratamento (substrato) ela pertence. Esse rigor técnico permitirá acompanhar como o fortalecimento obtido no viveiro ajudará a planta a enfrentar a dinâmica das marés e a salinidade.
Além do ganho científico, a iniciativa é celebrada pela comunidade local. O objetivo final é devolver as características naturais ao ecossistema, beneficiando a população e o turismo. A expectativa de moradores e técnicos é que, em um horizonte de cinco anos, o manguezal esteja totalmente recuperado e "verdinho novamente".
Importância Ambiental
A produção de mudas de qualidade é vital para o sucesso da restauração, pois elas precisam estar preparadas para a competição por recursos naturais antes do plantio definitivo. Ao evitar a retirada de grandes volumes de solo nativo de áreas sensíveis, a técnica desenvolvida pelo CETENE também reduz o impacto ambiental do próprio processo de recuperação.