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MEIO AMBIENTE
Manual orienta identificação de microplásticos em animais
Imagem Canva
O Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (CETENE) publicou um manual técnico que organiza as principais etapas para investigar a presença de microplásticos em animais. A publicação apresenta procedimentos padronizados que vão da coleta de organismos aquáticos à confirmação do tipo de plástico por técnicas de análise química.
Os Microplásticos são partículas plásticas com menos de cinco milímetros. Eles podem surgir da fragmentação de objetos maiores ou ser produzidos originalmente em tamanho reduzido. Por serem pequenos, podem ser ingeridos por animais aquáticos e entrar nas cadeias alimentares.
Por que o manual é importante?
A identificação dessas partículas exige cuidados rigorosos. Fibras de roupas, poeira, instrumentos mal higienizados e até reagentes não filtrados podem contaminar as amostras e comprometer os resultados. O manual do CETENE estabelece medidas para reduzir esses riscos e tornar as análises mais confiáveis e comparáveis.
O protocolo foi desenvolvido principalmente para estudos com peixes, mas seus princípios podem ser adaptados a outros organismos. A metodologia está dividida em cinco etapas principais:
A análise visual é considerada apenas uma triagem. Uma partícula pode se parecer com plástico sem ser formada por um polímero sintético. Por isso, o manual recomenda a confirmação por análise química (espectroscopia), comparando os resultados com bibliotecas espectrais validadas.
Principais impactos dos microplásticos
A presença de microplásticos em animais levanta preocupações ambientais e toxicológicas. Entre os principais impactos investigados pela ciência estão:
- Ingestão por animais: partículas podem ser confundidas com alimento e ingeridas por peixes e outros organismos.
- Transferência pela cadeia alimentar: microplásticos podem passar de um organismo para outro quando há predação.
- Acúmulo em tecidos: a presença de partículas em órgãos e tecidos pode contribuir para processos de bioacumulação, tema que ainda exige mais estudos.
- Efeitos físicos: partículas podem causar irritação, lesões ou alterações no funcionamento do sistema digestivo, dependendo do organismo, do tamanho e da quantidade ingerida.
- Transporte de contaminantes:a superfície dos plásticos pode interagir com substâncias químicas presentes no ambiente, embora os efeitos dessa associação variem conforme as condições analisadas.
- Possíveis efeitos tóxicos: aditivos presentes nos plásticos e contaminantes aderidos às partículas podem estar relacionados a alterações fisiológicas. A intensidade e a relevância desses efeitos ainda são investigadas pela comunidade científica.
O manual ressalta que a presença de microplásticos não deve ser interpretada apenas pela aparência das partículas. É necessário considerar o método de coleta, a matriz biológica, os controles de contaminação, os limites de detecção e a confirmação química.

Ciência com rastreabilidade
Em todas as etapas, o protocolo orienta o registro da espécie, do local e da data de coleta, do código da amostra, das características das partículas, das imagens e dos resultados químicos. Também recomenda o uso de amostras em branco para identificar possíveis contaminações introduzidas durante o processamento.
Esse cuidado é essencial para que os resultados possam ser auditados, reproduzidos e comparados com os de outras pesquisas. Ao reunir procedimentos de campo e laboratório em uma sequência única, o manual oferece uma referência prática para estudantes, técnicos e pesquisadores que estudam a poluição plástica em ambientes aquáticos.
A publicação não pretende substituir a validação específica de cada estudo. Diferentes espécies, tecidos e equipamentos podem exigir adaptações. Ainda assim, sua contribuição está em estabelecer uma base comum para produzir dados mais consistentes sobre a ocorrência de microplásticos em animais.
O Manual Técnico para Análise de Microplástico em Animais pode ser acessado atraves da plataforma zenodo.org - Albertin-Santos, C. J., Houllou, L. M., Freitas, A. F. F., & Moura, G. J. B. (2026). Manual Técnico para Análises de Microplásticos em Animais. CETENE. https://doi.org/10.5281/zenodo.21873188