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ENFRENTAMENTO AOS ASSÉDIOS
CETENE realiza II Semana de Mobilização para a Prevenção e o Enfrentamento ao Assédio e à Discriminação
a Portaria nº 8.885/2025 instituiu o Plano Setorial de Prevenção e Enfrentamento do Assédio e da Discriminação
O Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (CETENE) realizou, entre os dias 26 e 28 de maio, a II Semana de Mobilização para a Prevenção e o Enfrentamento ao Assédio e à Discriminação. A iniciativa teve como objetivo promover reflexões, ampliar o acesso à informação e fortalecer a construção de um ambiente institucional cada vez mais respeitoso, inclusivo e acolhedor para todos.
A programação foi aberta com a participação do educador e palestrante Hoton Esteves, que conduziu o diálogo sobre o tema “Pedagogia da Liberdade: como a educação pode desconstruir preconceitos”. Durante o encontro, foram discutidos os desafios para a superação de práticas discriminatórias e a importância da educação como ferramenta de transformação social.
Segundo o palestrante, ocupar espaços institucionais com debates sobre diversidade, respeito e inclusão contribui para processos de inovação social, reparação histórica e transformação cultural. A reflexão destacou como ações educativas fortalecem relações mais justas e promovem ambientes de trabalho saudáveis e livres de preconceitos.
“Quando fazemos um convite à reflexão, ele não chega de forma agressiva. Chega de forma sensível e empática, porque eu também me coloco nesse lugar. O que eu não posso oferecer ao outro, eu também não gostaria de receber. E aquilo que desejo oferecer ao outro, também quero receber. É dentro desse processo, que mistura educação, cultura, diálogo e fluidez, que conseguimos promover mudanças e transformar realidades”, destacou Hoton Esteves.
A programação também contou com a participação da pesquisadora, antropóloga e presidente da NATRAPE, Dra. Samantha Vallentine Cabral, que abordou o tema da LGBTfobia no ambiente de trabalho. A palestra trouxe reflexões sobre a importância da construção de espaços institucionais mais inclusivos, diversos e livres de assédio e discriminação, a partir das contribuições da pedagogia travesti e das experiências vividas pela população LGBTQIAPN+.
“É sempre importante avançar em todos os espaços, principalmente os institucionais, quando se trata das violências que enfrentamos. A partir do que trouxemos como pedagogia travesti, compartilhamos um saber construído por experiências muitas vezes atravessadas por violências cotidianas e históricas. Falar sobre essas vivências é fundamental para ampliar a reflexão e promover mudanças”, afirmou Dra. Samantha Vallentine Cabral.
A mobilização foi encerrada nesta quinta-feira (28) com um debate conduzido pelo Analista em Ciência e Tecnologia do CETENE, Pedro Barbosa, e pelo jornalista e mestre em Comunicação, Jocélio Oliveira. O encontro abordou como os algoritmos podem alimentar práticas de assédio e discriminação, além dos limites éticos necessários para a construção de ambientes digitais mais seguros.
De acordo com Pedro Barbosa, a realização da segunda edição da semana de mobilização reforça a importância do cuidado coletivo dentro da instituição.
“Toda essa comunidade, formada por pesquisadores, bolsistas, terceirizados e servidores, precisa interagir de maneira harmoniosa. Isso exige a capacidade de reconhecer situações de assédio, conhecer os canais de acolhimento e solução e garantir que as pessoas sejam acolhidas conforme suas necessidades. É um processo institucional, mas também profundamente humano”, afirmou.
Durante o debate, Jocélio Oliveira destacou a importância do letramento midiático e da conscientização como estratégias fundamentais para o enfrentamento ao assédio e à discriminação.
“O melhor caminho para combater o assédio é, de fato, a conscientização, a capacitação e a orientação das pessoas. Explicar quais são os canais disponíveis e promover esse diálogo foi algo oportunizado ao longo das palestras que vivenciamos. A instituição cumpre um papel muito relevante ao fortalecer essa cultura de respeito. Trata-se de uma mudança de hábito e de paradigma, que precisa ser continuamente reforçada para se consolidar”, ressaltou.
A iniciativa está alinhada às políticas públicas nacionais de prevenção e enfrentamento ao assédio e à discriminação. Em 2024, o Governo Federal lançou o Programa Federal de Prevenção e Enfrentamento do Assédio e da Discriminação na Administração Pública Federal, por meio do Decreto nº 12.122/2024, estabelecendo diretrizes para ações educativas, escuta ativa e proteção das vítimas.
No âmbito do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a Portaria nº 8.885/2025 instituiu o Plano Setorial de Prevenção e Enfrentamento do Assédio e da Discriminação, reforçando o compromisso institucional com a promoção de ambientes de trabalho éticos, inclusivos, seguros e respeitosos.