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MATA ATLÂNTICA
CETENE fortalece conservação da Mata Atlântica com produção de mudas e desenvolvimento de tecnologias para restauração ambiental
Outro diferencial do trabalho desenvolvido pelo CETENE é a preocupação em preservar a variabilidade genética das espécies produzidas.
O Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (CETENE) contribui para a conservação da Mata Atlântica, um dos biomas mais ricos em biodiversidade do planeta e, ao mesmo tempo, um dos mais ameaçados. Há mais de 12 anos, a instituição desenvolve pesquisas voltadas à produção de mudas de espécies nativas e ao desenvolvimento de protocolo capaz de aumentar a taxa de germinação, processo pelo qual uma semente retoma seu crescimento e dá origem a uma nova planta, e a sobrevivência das espécies vegetais.
As atividades são realizadas por meio do Laboratório de Pesquisas Aplicadas a Biomas (LAPAB), dedicado ao desenvolvimento de pesquisas e tecnologias voltadas ao conhecimento, à conservação e ao uso sustentável dos biomas brasileiros, com especial atenção aos ecossistemas do Nordeste. O laboratório atua de forma interdisciplinar, integrando áreas como biotecnologia, ecologia, genética, microbiologia ambiental e restauração ecológica para desenvolver soluções voltadas aos desafios ambientais contemporâneos.
Entre as iniciativas desenvolvidas está o Programa Mata Atlântica, no qual pesquisadores trabalham na coleta de sementes, identificação de matrizes, cultivo in vitro e produção de mudas destinadas a ações de reflorestamento e recuperação ambiental.
Atualmente, cinco pesquisadores atuam diretamente nessa linha de pesquisa. Entre os estudos em desenvolvimento está o do biólogo e bolsista PCI Robson Souza. O trabalho utiliza técnicas de cultivo in vitro e também o biochar durante a etapa de aclimatização das mudas, contribuindo para reduzir custos e aumentar a taxa de sobrevivência das plantas produzidas.
"O CETENE desempenha um papel fundamental no combate à perda da biodiversidade da Mata Atlântica. Por meio da pesquisa e da biotecnologia, desenvolvemos técnicas que auxiliam na reprodução de espécies vegetais, na recuperação de áreas degradadas e no fortalecimento desse bioma tão importante para o país", afirma Robson Souza.
O estudo
Desde o início das atividades, o Programa Mata Atlântica já realizou o mapeamento de dezenas de espécies em municípios de Pernambuco e do Ceará, estudou representantes de 23 famílias botânicas e ampliou significativamente a produção de mudas destinadas a ações de recuperação ambiental.
"Um dos principais diferenciais do Programa Mata Atlântica é trabalhar com uma grande diversidade de espécies para produção de mudas, inclusive utilizando técnicas de cultivo in vitro. Hoje, somos a única instituição de ciência e tecnologia do Brasil com essa capacidade de produção em larga escala, contribuindo para ações de conservação e recuperação ambiental", destaca a pesquisadora Dra. Laureen Houllou.
Além da preservação da biodiversidade, o programa contribui para a manutenção dos chamados serviços ecossistêmicos, benefícios proporcionados pelos ecossistemas à sociedade, como a regulação do clima, a conservação dos recursos hídricos, a proteção do solo e a manutenção da qualidade ambiental. Esses fatores são essenciais para a conservação da Mata Atlântica e para o bem-estar das populações que dependem diretamente desses recursos.
Outro diferencial do trabalho desenvolvido pelo CETENE é a preocupação em preservar a variabilidade genética das espécies produzidas. Para isso, os pesquisadores realizam a coleta de sementes provenientes de diferentes matrizes, ou seja, de diferentes árvores-mãe, garantindo uma maior diversidade genética nas mudas produzidas.
"Quando trabalhamos com a germinação de espécies em cultivo in vitro, conseguimos conservar esse material genético por mais tempo dentro do laboratório. Isso nos permite acompanhar o desenvolvimento das mudas de forma controlada, realizar a aclimatização e, posteriormente, distribuí-las para ações de conservação e recuperação ambiental", explica a Dra. Laureen Houllou.
Segundo a pesquisadora, essa estratégia permite que as mudas utilizadas em projetos de restauração ambiental sejam o mais próximas possível das populações naturais encontradas nas áreas em recuperação, aumentando as chances de adaptação e sucesso das ações de reflorestamento.
"O desenvolvimento deste protocolo está baseado em três pilares principais. O primeiro é a identificação das matrizes e a coleta das sementes, etapa fundamental para garantir a diversidade genética do material. O segundo é a micropropagação in vitro, em que realizamos o tratamento e o cultivo das sementes em ambiente estéril e controlado, reduzindo riscos de perdas e contaminações. Já o terceiro pilar é a produção e a viabilidade das mudas em larga escala, permitindo que esse material seja distribuído para parceiros e utilizado em ações de recuperação ambiental", explica o bolsista Robson Souza.
Importância para a sociedade
"Essa é uma pesquisa de extrema importância para a sociedade porque atua diretamente na preservação da Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados do país. Ao contribuir para a conservação da biodiversidade e para a recuperação de áreas degradadas, também ajudamos a mitigar os impactos das mudanças climáticas e a manter os serviços ambientais essenciais para a população. Preservar a floresta significa preservar também as espécies animais e vegetais que dependem dela, garantindo o equilíbrio ecológico para as futuras gerações", destaca o bolsista Robson Souza.
Essa ação desenvolvida no Centro, estão alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), especialmente às ODS 2 (Fome Zero e Agricultura Sustentável), 6 (Água Potável e Saneamento), 9 (Indústria, Inovação e Infraestrutura), 12 (Consumo e Produção Responsáveis), 13 (Ação Contra a Mudança Global do Clima) e 15 (Vida Terrestre), reforçando a contribuição do CETENE.
Toda a tecnologia desenvolvida pelo CETENE para a produção de mudas e propagação de espécies nativas possui potencial para ser transferida a organizações não governamentais (ONGs), cooperativas, viveiros e outras instituições de pesquisa. Os protocolos desenvolvidos pelo Programa Mata Atlântica já apresentam um nível de maturidade que permite ampliar a rede de produtores de mudas, fortalecendo as iniciativas de recuperação ambiental e conservação da biodiversidade em diferentes regiões do país.
"A sociedade é a principal beneficiária desse trabalho. Quando uma muda chega a uma área em recuperação, ela pode levar de 10 a 20 anos para atingir a maturidade e voltar a produzir flores, frutos e sementes que irão sustentar a fauna e enriquecer o ambiente. Já a recuperação de uma floresta para níveis próximos aos de sua condição original pode levar até um século. Por isso, os maiores beneficiários das ações que desenvolvemos hoje serão as futuras gerações. Essa é a herança ambiental que estamos construindo agora", afirma a pesquisadora Dra. Laureen Houllou.