Júlia Morais: a ciência que acolhe e transforma através do saber
Natural de Mossoró (RN), Júlia Morais Fernandes é filha de uma professora de escola pública e cresceu vendo na educação o poder de mudar vidas e no exemplo materno a inspiração para seguir o caminho do conhecimento. “Trabalhar com educação e conhecimento muda a vida das pessoas, e são as pessoas que mudam o mundo”, reflete Júlia, que hoje é uma das novas pesquisadoras do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (CETENE), unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
A chegada à ciência farmacêutica teve uma influência afetiva: sua avó. Embora não fosse cientista de formação, a matriarca demonstrava muito conhecimento sobre plantas medicinais e chás, despertando em Júlia a curiosidade sobre o potencial terapêutico da biodiversidade. Essa conexão entre o saber popular e o rigor acadêmico ajudou a construir sua visão de mundo, levando-a a acreditar que a ciência não deve ficar restrita aos laboratórios, mas sim dialogar com a realidade das comunidades.
Talvez por isso mesmo, seu interesse de atuação no Centro de Pesquisa seja por explorar a flora do bioma Caatinga. Um reencontro com suas origens, no semiárido potiguar, em conexão com a biotecnologia e o potencial metabólico das plantas da nossa região. Esta entrega encontra implicações práticas na sociedade, podendo fortalecer e contribuir com o desenvolvimento de pequenas comunidades rurais e vinculadas à agricultura familiar.
Para Júlia, a divulgação científica é a ponte necessária para reduzir a distância entre o cientista e o cidadão. Ela defende que o pesquisador precisa falar uma linguagem acessível para que as pessoas compreendam o que é produzido. “O cientista tem que se aproximar falando de forma que isso possa ser discutido e criticado, porque todo mundo tem seu conhecimento. O saber da minha avó não era científico, mas era um saber e precisa ser valorizado”, afirma.
Recentemente, a identidade de Júlia ganhou uma nova e poderosa camada: a maternidade. Ela conta que, antes de ser mãe, sua definição passava quase inteiramente pelo trabalho, mas hoje seus olhos enxergam o mundo através do filho, Pedro. Essa nova fase a tornou uma profissional mais resiliente e persistente, mas também mais atenta às necessidades humanas.
No Cetene, Júlia busca aplicar essa sensibilidade em suas pesquisas, focando em soluções que gerem bem-estar social. Ela acredita que o papel da tecnologia é trazer conforto e dignidade para a população, especialmente para aqueles que têm menos oportunidades de acesso à formação acadêmica. Sua atuação é marcada pela perseverança de quem sabe que a ciência é um processo contínuo de descoberta e entrega.
Ao olhar para o futuro, Júlia Fernandes espera que seu trabalho no Cetene possa "tocar as pessoas" e mostrar que a ciência é parte integrante do cotidiano. Entre microscópios e fórmulas, ela segue reafirmando que o conhecimento só faz sentido quando é compartilhado e quando serve para melhorar a vida de quem está ao redor.
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