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“Voltarei para casa como uma física melhor”, diz mestranda italiana sobre período no CBPF
Uma parceria iniciada durante a graduação atravessou o Atlântico. Anna Lucà, mestranda em Física pela Universidade de Torino, chegou ao CBPF para retomar uma colaboração que começou anos atrás sobre a análise dos ambientes ao redor de buracos negros supermassivos.
Sua pesquisa se insere no campo da astrofísica de altas energias – investigando os ambientes extremos no centro de galáxias. Essas regiões, onde a matéria é intensamente atraída e aquecida antes de ser incorporada ao buraco negro, são conhecidas como Active Galactic Nuclei (AGN) ou Núcleos Galácticos Ativos. Extremamente luminosos, os AGN podem emitir mais energia do que todas as estrelas de suas galáxias somadas, sendo objetos-chave para compreender a evolução do universo.
Durante sua estadia no CBPF, Lucà vem se familiarizando com ferramentas e métodos de análise desses objetos astrofísicos. Entre eles está o software EasySpec (ES), desenvolvido pelo pesquisador do CBPF Raniere de Menezes, que busca simplificar a análise de espectros astronômicos, além de facilitar a documentação, o armazenamento e o compartilhamento de resultados científicos.
Fortalecendo laços
O interesse pela colaboração com o CBPF começou durante a graduação, quando trabalhou com Menezes. Já no mestrado, a parceria foi retomada por meio de uma bolsa de três meses concedida por sua universidade, que possibilitou a realização do projeto de forma presencial aqui no Brasil.
“Fiquei intrigada com a ideia de trabalhar em um centro de pesquisa, que oferece um ambiente um tanto diferente em comparação com uma universidade. Poder fazer isso e, ao mesmo tempo, vivenciar um país tão lindo como o Brasil tornou essa oportunidade imperdível”.
Anna Lucà também destaca a importância da cooperação internacional: “Espero que esta experiência seja a primeira de muitas trocas entre a minha universidade de origem e o CBPF. Gostaria de contribuir para fortalecer essa ligação, abrindo oportunidades não só para que estudantes de Turino venham para cá, mas também no sentido inverso”.
A aproximação entre o CBPF e a Universidade de Torino já resultou em um acordo de cooperação internacional entre as duas instituições. Coordenado cientificamente também pelo pesquisador Raniere de Menezes, o convênio prevê a mobilidade de estudantes, docentes e pesquisadores para atividades de estudo e pesquisa, fortalecendo a formação internacional em Física e Astronomia.
A mestranda avalia a experiência como positiva e ressalta o ambiente acadêmico encontrado no Centro: “Consigo perceber, mesmo entre outros mestrandos como eu, uma forte paixão pelo trabalho, o que tem sido muito inspirador”.
Além disso, ressalta que a vivência tem contribuído para o desenvolvimento científico como pessoa: “Me senti muito acolhida pelas pessoas aqui no CBPF, e isso definitivamente contribuiu positivamente para a minha experiência de viver no Brasil como estrangeira”.
Profissionalmente, Lucà conta que aprendeu a trabalhar de forma mais independente, ao mesmo tempo que teve contato com pesquisadores mais experientes: “Também me proporcionou uma visão mais clara sobre o que significa ser pesquisadora e sobre minha futura trajetória profissional. Acredito que voltarei para casa como uma física melhor, com maior confiança em minhas habilidades e uma compreensão mais profunda da minha área de estudo”.
Anna parte em breve, mas a parceria entre o CBPF e a Universidade de Torino – construída em torno dos segredos ainda guardados pelos buracos negros supermassivos – permanece.
