7º encontro - Imersão na Festa de Nossa Senhora do Rosário do Serro (4/7)
O 7º encontro formativo do projeto Tramas do Serro – Agentes Patrimoniais de Cultura, realizado no dia 4 de julho, proporcionou à turma uma imersão na Festa de Nossa Senhora do Rosário do Serro. Ao longo do dia, os participantes acompanharam diferentes momentos da celebração e desenvolveram atividades de pesquisa, registro de campo e mapeamento do patrimônio cultural do município.
Três séculos de devoção e ancestralidade
A Festa de Nossa Senhora do Rosário do Serro reúne três séculos de devoção e ancestralidade bantu-mineira. Celebrada na sede e nos distritos, a festa possui uma programação conduzida pelos Congados — Catopês, Caboclos, Marujos e Caixa de Assovios. Entre os momentos centrais da celebração está o primeiro domingo de julho, marcado pelo cortejo do Primeiro Reinado e pela procissão luminosa.
A Festa e os Congados são reconhecidos como patrimônios culturais nas três esferas de proteção. No município do Serro, são registrados como patrimônio imaterial desde 2016. Em Minas Gerais, integram o registro das Expressões e Celebrações do Rosário, reconhecido pelo IEPHA/MG desde 2024. No âmbito federal, fazem parte dos Saberes do Rosário: Reinados, Congados e Congadas, registrados pelo Iphan desde 2025.
A celebração também se relaciona a outros patrimônios culturais do município, como os saberes da Cozinha Mineira, os preparos tradicionais de milho e mandioca, as quitandas serranas e o Centro Histórico do Serro, tombado pelo Iphan desde 1938.
Formação a partir da experiência
A programação do encontro teve início com uma acolhida conduzida por Valéria Joviana Souza. Em seguida, os agentes acompanharam a Matina, a Caixa de Assovios e os cafés dos festeiros, participando de atividades de pesquisa e registro de campo vinculadas às disciplinas Memória, Fotografia e Audiovisual, com Michel Becheleni, e Música, Festa e Comunidade, com Gabriel Goulart. O integrante da Caixa de Assovios Diego Mota Fonseca também participou da formação.
A turma participou ainda de uma roda de conversa com Rita Teles e acompanhou o tradicional Samba dos Caboclos. As atividades permitiram aos participantes observar e registrar diferentes dimensões da festa, articulando os conteúdos trabalhados na formação com a experiência direta nos espaços e práticas da celebração.
Durante a programação, também foi distribuído o livro Festa, Vida e Morte nos Reinados do Rosário, de Joana Corrêa, coordenadora de pesquisa e formação do Tramas do Serro. Resultado de uma pesquisa iniciada em 2013 e de seu doutorado em Antropologia Cultural na UFRJ, a obra reúne reflexões sobre as relações sociais e os entrecruzamentos cosmológicos presentes nos Reinados do Serro.
Mapeamento dos bens culturais do Serro
No período da tarde, os agentes realizaram o mapeamento dos Bens de Referência Cultural do Serro e participaram de uma roda de conversa com Rafael Barros, Hermano Guanais e Queiroz, Célia Corsino e Roberta Duarte Magalhães, com mediação de Joana Corrêa.
A atividade possibilitou ampliar as discussões sobre patrimônio cultural a partir das referências identificadas no território, relacionando memória, celebrações, saberes, práticas comunitárias e os diferentes grupos que participam da construção e transmissão desses patrimônios.
O encontro foi encerrado com uma conversa entre Isabel Casimira, Rosiane Silva, Cida Reis e Rafael Barros sobre os Reinados e as tradições do Rosário. À noite, a turma acompanhou o tradicional levantamento da Bandeira de Nossa Senhora do Rosário, conduzido por Catopês, Caboclos, Marujos e Caixa de Assovios.
A participação na Festa de Nossa Senhora do Rosário possibilitou aos agentes aprofundar os conhecimentos desenvolvidos ao longo da formação a partir do contato direto com uma celebração que reúne devoção, ancestralidade, memória, música, território e diferentes formas de expressão do patrimônio cultural. A experiência também reforçou a importância dos detentores e das comunidades na transmissão, continuidade e salvaguarda dessas práticas.