Notícias
Nota de Pesar - David Conway Oren
Banner - Ascom Inpa
É com muito pesar que recebemos a informação da morte do biólogo e ornitólogo David Conway Oren, de 70 anos, ocorrida na última quinta-feira (07). O velório do pesquisador que atuou no Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG, entre 1981-2008) está acontecendo em Brasília. O pesquisador americano, naturalizado e de coração brasileiro, é conhecido por sua paixão pela ciência na Amazônia, espírito visionário e generoso.
Em contribuições ao Inpa, Oren participou na década de 1970 das discussões de criação, e foi um apoiador, do experimento em nível de paisagem para compreender as consequências da fragmentação florestal, que veio a tornar-se o Projeto de Dinâmica Biológica de Fragmento Florestal (PDBFF/ Inpa), junto com Thomas Lovejoy (1941-2021). O pesquisador contribuiu com o avanço do conhecimento sobre o bioma Amazônia, em especial sobre as lacunas de conhecimento da avifauna amazônica, onde já houve e onde nunca houve coleta de aves amazônicas, e conservação. Atuou ainda no Conselho Técnico-Científico do Inpa durante o período em que foi coordenador das Unidades de Pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), pasta na qual atuou também em outras áreas entre 2008 e 2014.
O pesquisador tinha experiência na área de inventário biológico, biogeografia e conservação, além de uso de informações técnicas para auxiliar a formulação de políticas públicas de uso sustentável e conservação da biodiversidade. Foi pioneiro no estudo das aves do Maranhão, e na liderança da Curadoria de Aves do MPEG tornou a Coleção Ornitológica do Museu a segunda maior do país e uma das mais modernas do mundo. Além de pesquisador do Goeldi, Oren trabalhou na Conservation International do Brasil e na Universidade Federal do Pará (UFPA).
David Oren descreveu seis espécies novas de aves do Brasil, em coautoria com outros pesquisadores, e foi homenageado com o nome de uma nova espécie de ave do oeste da Amazônia, em 2013, a "choquinha-do-bambu" (Myrmotherula oreni). A descoberta da choquinha-do-bambu foi publicada na edição especial da Handbook of the Birds of the World que trouxe a descrição de 15 novas espécies de aves na Amazônia, organizada pelo pesquisador do Inpa, o ornitólogo Mario Cohn-Haft. Foi a maior descrição de aves de uma única vez em 142 anos.
O cientista trabalhou na documentação de exemplares de aves do Brasil, principalmente da Amazônia, distribuídas em museus ao redor do mundo. O trabalho permitiu que estudantes e pesquisadores usassem esse material para compreender melhor a avifauna brasileira, além disso, a iniciativa serviu como um primeiro passo para um projeto de repatriação desse material, permitindo que retornem às suas origens no Brasil.
O pesquisador ficou muito conhecido por propor a teoria de que a criatura do mapinguari era uma preguiça-gigante terrestre que teria convivido com as pessoas na Amazônia, sendo muito mais que uma lenda.
Registramos aqui os nossos agradecimentos pelo legado do pesquisador à ciência e sinceras condolências a toda a família e amigos de David Oren.
Veja algumas mensagens de despedida
“David Oren nos deixou e ficamos órfãos de sua criatividade e dedicação, um visionário. David na década de 1970 participou da visão em criar um experimento em nível de paisagem para compreender as consequências da fragmentação florestal. Dessas discussões e visões criou-se o PDBFF. Hoje, mais de 40 anos depois, centenas de jovens cientistas tiveram parte de sua formação participando desta grande visão transformada em realidade. O que seria do mundo e especificamente da conservação da Amazônia sem esses grandes pensadores. Viva David Oren. Deixará um legado, grandes lembranças e saudades”. José Luiz Camargo, pesquisador associado ao PDBFF e professor dos Programas de Pós-Graduação do Inpa PPG-Ecologia e PPG-Botânica.
“O David foi importante para mim, para minha carreira, por vários motivos. Quando eu estava iniciando as coletas para o mestrado e depois para o doutorado, o David me ajudou bastante. O David foi muito importante para a pesquisa no Brasil, e principalmente na Amazônia, com o estudo de aves, lacunas de conhecimento, conservação de espécies; e até mesmo depois que ele saiu do Museu Goeldi para Brasília, para trabalhar no Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, na área de Biodiversidade. Lá na gestão da ciência, ele continuou ativo, num lugar de apoio, e assim foi uma influência muito favorável à continuidade de pesquisas na Amazônia e às nossas instituições, como o Inpa e o Goeldi, que devem um agradecimento a ele por esse serviço também. O David tinha um espírito muito generoso, com conhecimento, com oportunidades de pesquisa e com comentários. Ele era um bom apoiador do trabalho dos outros, uma pessoa que fazia críticas muito construtivas e sabia elogiar trabalhos que ele achava importantes e bem feitos". Mario Cohn-Haft, ornitólogo, pesquisador e curador das coleções de Aves do Inpa.