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Evento celebrou os 15 anos do MPGAP do Inpa, primeiro mestrado e um dos poucos Programas do Brasil voltados à gestão de áreas protegidas
Seminário Internacional discute resiliência de áreas protegidas na Amazônia
O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) foi o ponto de encontro para debater mudanças climáticas, geopolíticas e resiliência social no II Seminário Internacional de Gestão de Áreas Protegidas (SIGAP). O evento reuniu pesquisadores, gestores, autoridades e estudantes para pensar estratégias sobre como lidar com os fenômenos que atravessam questões como sustentabilidade, sociobioeconomia, governança nas comunidades tradicionais e influências externas nas áreas protegidas.
O Seminário contou com mesas-redondas, fóruns temáticos e a participação de palestrantes nacionais e estrangeiros, de países da Pan-Amazônia como Colômbia, Equador e Peru, além de Costa Rica e Estados Unidos. Os mais de 150 inscritos acompanharam palestras, relatos de experiências e estabeleceram contatos para ampliar redes de colaboração entre pesquisadores e profissionais que atuam na Amazônia.
Para a coordenadora do Mestrado Profissional em Gestão de Áreas Protegidas (MPGAP) e do evento, a pesquisadora do Inpa Ordilena Miranda, é necessário pensar não somente a Amazônia brasileira, mas toda a região, considerando os problemas transfronteiriços da Pan-Amazônia.
“Alcançamos nosso principal objetivo com o SIGAP: unir esforços em prol da Amazônia, da conservação da biodiversidade, do bem-estar das populações locais e, principalmente, para a formação de pessoas qualificadas para trabalhar na Amazônia”, destaca Miranda.
Além dos debates e troca de experiências, o Seminário foi um momento de celebrar os 15 anos do MPGAP, o primeiro e um dos poucos Programas voltados à gestão de áreas protegidas do Brasil.
“Qualquer um de nós que olharmos para o mapa geográfico brasileiro, para o norte do país, para a Amazônia, veremos a presença das áreas protegidas em boa parte do território. O Amazonas, o maior estado brasileiro, tem mais da metade de seu território sob essa proteção especial de áreas protegidas. Nós somos responsáveis por formar gestores para metade do Amazonas, isso, absolutamente, não é pouco! Não é apenas uma questão física, é pela importância que isso tem para um objetivo estratégico brasileiro e das nações amigas, que é conservação da biodiversidade”, ressalta o diretor do Inpa, o professor Henrique Pereira, .
Temas
Mudanças geopolíticas foi o tema do primeiro dia do evento, que aconteceu de 15 a 17 de abril, no Inpa. A mesa de abertura destacou a trajetória e contribuições do Mestrado Profissional em Gestão de Áreas Protegidas (MPGAP) para os profissionais que atuam em campo, junto às comunidades nos territórios.
Uma das mesas contou com a presença de alunos egressos do Programa que destacaram o desafio e a importância de participar da construção inicial do MPGAP. Entre eles está o geógrafo Hueliton Ferreira, da primeira turma do Programa, que trabalhou no Ibama e atualmente é analista ambiental do ICMBio. Representantes de vários países fizeram um panorama das áreas protegidas da Pan-Amazônia e apresentaram considerações sobre as situações de políticas públicas e economia.
As preocupações com as mudanças climáticas deram o tom do segundo dia. Em palestras e debates, os participantes puderam interagir e questionar suas atuações dentro desse contexto, além de pensar estratégias para lidar com o futuro, tanto em âmbito local, quanto a partir de novas conjunturas políticas e desafios emergentes. Na oportunidade, houve o lançamento do livro comemorativo dos 15 anos do MPGAP.
O terceiro e último dia teve como tema a resiliência social, presente também nos discursos de palestrantes e inscritos frente às situações encontradas nos territórios e que precisam de soluções sustentáveis, respeitando modos de vida local e participação ativa das comunidades. Os relatos dos profissionais atuantes nas regiões de áreas protegidas dão conta de crimes ambientais, como o tráfico ilegal de madeira e narcotráfico, influenciando a cultura das comunidades, demandando a urgência da união das instituições para propor e promover políticas públicas eficazes e adequadas a realidade dos territórios.
Segundo Miranda, como resultado do Seminário será gerada uma relatoria, com proposições para a conservação de áreas protegidas e dar suporte a um documento mais amplo que deve ser elaborado em parceria com o Seminário Brasileiro sobre Áreas Protegidas e Inclusão Social (Sapis).
15 anos do MPGAP
De acordo com a bióloga da Costa Rica e docente do MPGAP, Lorena San Roman, 81 professores já passaram pelo Programa e mais de 130 mestres foram titulados. Os números, segundo a professora, demonstram a consolidação e a realização de um sonho daqueles que deram início ao Programa.
“Quero agradecer aos colegas, professores, amigos que têm colocado todo seu empenho e dedicação para que todos e cada um de nossos estudantes tenham se tornado excelentes profissionais que ajudam o bioma amazônico, com sua diversidade de populações, incluindo as comunidades indígenas, os povos tradicionais e os ribeirinhos”, destaca.
Publicação de livro
Publicado pela Editora Inpa, o livro Mestrado Profissional em Gestão de Áreas Protegidas: A história dos 15 anos de ciência, resistência & construção da gestão na Amazônia foi organizado pelo docente Helder Henrique de Faria e pelo discente Franco Saraiva.
A obra em formato digital traz artigos, pesquisas e depoimentos dos profissionais formados no Inpa. Para fazer download do livro, acesse o link.