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Interlocução da Direção do Inpa com parlamento de Brasília amplia investimentos nas pesquisas
O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) deve receber um reforço de R$ 5 milhões em emendas parlamentares para pesquisas e infraestrutura científica no próximo ano. O anúncio foi feito pelo senador Omar Aziz na quinta-feira (23), durante visita ao Inpa, para conhecer dois projetos que já receberam emendas no valor de R$ 1 milhão e ampliam a capacidade científica nas áreas de saúde pública e mudança climática.
A visita do senador contou com dois momentos. No prédio da Diretoria, com o diretor do Inpa, o professor Henrique Pereira, coordenadores e chefias, e o outro, com servidores e colaboradores da instituição, no Auditório da Ciência.
“Essa visita é política e extremamente importante, porque é estratégico que o Inpa possua um canal aberto de interlocução com o poder legislativo federal e que nossas contribuições e demandas estejam presentes nos debates do parlamento, em Brasília, por meio de um senador da região amazônica”, destacou Henrique Pereira.
Dos R$ 5 milhões, R$ 1,5 milhão será aplicado na conclusão do projeto Modernização Estrutural e Otimização (Mode On) do Laboratório da Malária e Dengue, que prevê a reforma e modernização, incluindo a implantação de ambientes especializados, do prédio nº 103, no campus 1 do Inpa. O restante permitirá que o Inpa apresente novas propostas, como a revitalização do prédio da Incubadora de Empresas, além de outras iniciativas a serem elaboradas ao longo do ano.
O senador Omar Aziz destacou a importância da pesquisa científica realizada pelo Inpa e por outras instituições para melhorar a vida das pessoas, preservar a floresta amazônica e beneficiar o Brasil. “As minhas emendas parlamentares são contribuições que dou por acreditar na ciência, por acreditar que a ciência pode salvar e melhorar a qualidade de vida das pessoas”, disse Omar Aziz.
As emendas em curso são aplicadas no projeto Mode On de Malária e Dengue e na recuperação da trilha de 2,4 km, que dá acesso à Torre K34 do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera da Amazônia (Programa LBA), localizada na Estação Experimental ZF-2, em Manaus. Cada projeto recebeu R$ 500 mil e as obras devem ser finalizadas no segundo semestre deste ano.
Durante a visita, o parlamentar renovou o apoio ao Projeto de Lei (PL) nº 1611/2026, que autoriza a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) a doar ao Inpa 23 mil hectares de área onde está localizada a Estação Experimental ZF-2, com entrada no quilômetro 934 da BR-174 (Manaus-Boa Vista). Com a aprovação do Congresso Nacional, o Inpa terá a titularidade definitiva da área, passo essencial para viabilizar financiamentos de infraestrutura.
A área da ZF-2 é historicamente ocupada por bases de pesquisa do Inpa, como Manejo Florestal, AmazonFACE, Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), Base Alto Cuieiras, Estações de Silvicultura e de Fruticultura. Nessas quatro últimas bases estão previstas obras e reformas vinculadas ao projeto Sistema Amazônico de Laboratórios Satélites (Salas/MCTI).
Obras e projetos
De acordo com a coordenadora do projeto Mode On, a técnica Erika Gomes, a emenda prevista para 2027 vai permitir ao laboratório adquirir os equipamentos necessários às pesquisas sobre malária e outras arboviroses na Amazônia — como dengue, zika e chikungunya —, ampliando a capacidade de análise, vigilância e resposta a essas doenças infecciosas.
A modernização contempla a implantação de um laboratório com capacidade avançada de contenção (NB2+), com características operacionais próximas ao NB3, além de espaço específico para estudos de vírus transmitidos por mosquitos.
“Com o novo aporte, vamos adquirir equipamentos especializados, como cabines de segurança biológica (CSB) classe II, tipo A2, freezer a -80°, estufas biológicas com CO2, que vão possibilitar realizar estudos completos em vetores de doenças tropicais”, comemora Gomes, doutora em doenças tropicais e infecciosas.
O processo de recuperação da trilha de acesso à torre K34 do Programa LBA está em fase de contratação. O LBA estuda o funcionamento do bioma amazônico, suas interações com o clima (balanço de água, energia e carbono) e a influência de mudanças no uso da terra e do clima sobre esses processos.
“A obra possibilita a instalação e manutenção de equipamentos na torre K34, melhora as condições de acesso para pesquisadores, técnicos e equipes de campo, além de assegurar a continuidade das séries temporais de dados ambientais estratégicos para o Brasil. A iniciativa também beneficiará outros grupos de pesquisa e laboratórios do Inpa que utilizam a área no desenvolvimento de suas pesquisas", ressaltou o gerente científico do LBA, Bruce Forsberg.
Em operação desde 1999, a torre K34 reúne a série de dados mais longa do mundo em área florestal tropical. Ela integra a Rede de Torres de Observações Micrometeorológicas do Programa LBA, que possui 17 torres ativas instaladas em quatro estados - Amazonas, Pará, Rondônia e Mato Grosso.
A Rede de Torres monitora continuamente as complexas relações entre a vegetação, a atmosfera, os biomas e os diversos usos do solo, contribuindo para compreender o funcionamento do bioma da Amazônia.
Na estação experimental ZF-2, o grupo de hidrologia do LBA monitora e avalia a qualidade da água da precipitação, das águas superficiais e subterrâneas e coleta dados meteorológicos da microbacia do igarapé Açu.