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Inpa e mais sete institutos da Rede Bioamazonia debatem ameaças e soluções para a sustentabilidade da Amazônia
Foto: Acervo Rede Bioamazonia e Sinchi
Começou nesta segunda-feira (11) a III Reunião Anual da Rede Bioamazonia, uma iniciativa que reúne oito institutos de pesquisa e inovação sobre a biodiversidade da Pan-amazônia e da qual o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) tem a vice-presidência. O encontro em Letícia (Colômbia), na região no Alto Solimões, na tríplice fronteira do Brasil, Peru e Colômbia, segue até sexta-feira (15) e traz para o debate o enfrentamento das ameaças e os conflitos da Amazônia para construir respostas conjuntas a partir da ciência, do conhecimento local e do território.
O evento reúne pesquisadores, autoridades, organizações indígenas e organismos internacionais de cooperação na sede principal do Instituto Amazônico de Pesquisas Científicas (Sinchi), em uma cidade onde as discussões sobre a Amazônia não são distantes nem abstratas. Em Letícia, como em grande parte do bioma amazônico, os efeitos das mudanças climáticas, a perda de biodiversidade e de conhecimentos tradicionais, a poluição dos rios, a pressão sobre as espécies silvestres e os incêndios florestais fazem parte do cotidiano das comunidades.De acordo com o diretor do Inpa, Henrique Pereira, a reunião é fundamental para consolidar uma articulação inédita entre os principais institutos de pesquisa da Pan-Amazônia. “Estamos fortalecendo uma rede científica regional capaz de produzir conhecimento, compartilhar experiências e construir soluções conjuntas para os desafios comuns da Amazônia. Mais do que um espaço de debate, este encontro representa um avanço concreto na cooperação entre os países amazônicos em temas estratégicos como biodiversidade, mudanças climáticas, bioeconomia e sustentabilidade do bioma”, destacou Pereira, vice-presidente da rede e coordenador do grupo de trabalho sobre conflitos e ameaças, que participou da primeira parte do painel.
A abertura contou com a participação dos oito institutos de pesquisa de cinco países da Amazônia (Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador e Peru), cujas equipes científicas desenvolvem seu trabalho na região, combinando pesquisa rigorosa, anos de trabalho de campo e diálogo constante no território, com as comunidades e os povos indígenas.
O evento reúne diversas vozes e perspectivas sobre o que está acontecendo em um dos territórios mais estratégicos do planeta e sobre as alternativas que existem para sua proteção e sustentabilidade. Entre as questões complexas e urgentes que serão tratadas na reunião estão a mineração e a contaminação por mercúrio, a expansão de atividades ilegais, os impactos das usinas hidrelétricas, os incêndios florestais, a pressão sobre os territórios e a perda de conhecimentos tradicionais.
A coordenação do evento, destaca que o encontro busca ir além de uma narrativa centrada exclusivamente na crise. A aposta é construir uma visão mais ampla e propositiva que reconheça tanto a gravidade dos desafios quanto às capacidades, experiências e oportunidades que emergem da própria Amazônia.
A programação de abertura contou com a participação da vice-ministra de Políticas e Normalização Ambiental da Colômbia, Edith Bastidas Calderón; do prefeito de Leticia, Elquin Jadrian Uni Heredia; do governador do Amazonas (Colômbia), Oscar Enrique Sánchez Guerrero; e da presidente da Rede Bioamazonia e diretora-geral do Instituto Sinchi, Luz Marina Mantilla Cárdenas. Também participaram da abertura representantes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) e da Coordenadora das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (Coica).
O painel técnico reúne especialistas dos cinco países, cujas pesquisas são realizadas no território e tratam questões concretas da região amazônica. As apresentações abordam temas como o tráfico de espécies silvestres, os impactos das mudanças climáticas, a expansão hidrelétrica, o manejo integrado do fogo e a perda de conhecimentos ecológicos tradicionais.
“No painel sobre conflitos e ameaças na Pan-Amazônia, destacamos a importância da cooperação científica regional para compreender fenômenos que são transfronteiriços, como os impactos das mudanças climáticas, os incêndios extremos, a degradação florestal e a perda acelerada da biodiversidade. Nenhum país resolverá esses desafios sozinho. Precisamos integrar ciência, conhecimento tradicional e inovação para fortalecer a sustentabilidade do bioma amazônico”, ressaltou Henrique Pereira.
Do Inpa, participam do evento o coordenador-geral de Pesquisa, Capacitação e Extensão, Jorge Porto; a coordenadora-geral de Planejamento, Administração e Gestão, Magalli Henriques; a diretora substituta e Sônia Alfaia.
Além do debate público de abertura, a III Reunião Anual da Rede Bioamazonia permitirá avançar na agenda de cooperação entre institutos científicos da Amazônia, consolidando mecanismos de trabalho conjunto, intercâmbio técnico e articulação regional diante dos desafios comuns na Amazônia.
Institutos da Rede Bioamazônia
▪ Instituto de Ecologia da Universidade Maior de San Andrés (IE/Umsa) – Bolívia
▪ Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá – Brasil
▪ Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) – Brasil
▪ Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) – Brasil
▪ Instituto de Pesquisa de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt – Colômbia
▪ Instituto Amazônico de Pesquisas Científicas SINCHI – Colômbia
▪ Instituto Nacional de Biodiversidade (Inabio) – Equador
▪ Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana (IIAP) – Peru

