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Inpa e instituições parceiras se unem para combater à esporotricose no Amazonas
O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) soma esforços a outras instituições de pesquisa e saúde do Amazonas numa mobilização para conter o avanço da esporotricose, um importante problema de saúde pública que vem crescendo no estado. As ações buscam ampliar a conscientização da população sobre a doença - uma micose causada por fungos do gênero Sporothrix, transmitida principalmente por arranhaduras ou mordeduras de gatos infectados e pelo contato com plantas e solos contaminados.
Integram a mobilização, o Inpa, a Fundação de Vigilância Sanitária (FVS), o Laboratório Central de Saúde (Lacen), o Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), a Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), além das Universidades Federal do Amazonas (Ufam) e do Estado do Amazonas (UEA).
De acordo com o chefe do Laboratório de Micologia do Inpa, o pesquisador João Vicente Souza, a proposta é realizar uma abordagem educativa, com orientações diretas ao público sobre prevenção, sinais clínicos suspeitos e condutas corretas diante de casos em humanos e animais. As ações devem começar pelo Porto de Manaus, no Centro, um ponto de grande circulação de pessoas e animais.
As ações vão orientar sobre o reconhecimento precoce dos sinais da doença, a busca por diagnóstico e tratamento adequado dos casos suspeitos. A ação visa também evitar a propagação da doença para o interior do Amazonas e impedir o transporte de animais com lesões e ferimentos suspeitos.
“A proposta está inserida em uma abordagem integrada, envolvendo saúde humana, saúde animal e vigilância”, reforça João Vicente, farmacêutico com doutorado em Biotecnologia Industrial.
Outras estratégias desenhadas pelos representantes das instituições que participam da mobilização envolvem o desenvolvimento de um software de apoio às ações, a criação de um novo canal em redes sociais, incluindo estratégias como fotonovelas, atividades educativas para crianças e a capacitação de profissionais, fortalecendo diagnóstico, manejo e vigilância da doença.
De acordo com Vicente, em caso de suspeita de esporotricose, a recomendação é procurar atendimento em serviço de saúde no caso de pessoas, ou atendimento veterinário no caso de animais, para avaliação adequada, confirmação diagnóstica e início do tratamento. “O diagnóstico precoce e o encaminhamento correto são fundamentais”, ressaltou.
Informe epidemiológico
O informe epidemiológico de esporotricose humana e animal 2025, divulgado em janeiro deste ano pela FVS, aponta que de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2025, foram notificados 2.534 casos de esporotricose humana no Amazonas, dos quais 1.996 confirmados e 223 estavam em investigação. Um óbito foi registrado.
A maioria dos casos são de pessoas residentes em Manaus (1.862). Os demais moram Presidente Figueiredo (39), Barcelos (31), Iranduba (18), Manacapuru (11), Rio Preto da Eva (11), Maués (9), Itacoatiara (4).
Conforme a FVS, no mesmo período, foram notificados 4.947 casos de esporotricose animal, dos quais 4.607 foram confirmados e 2.367 estavam em tratamento. Houve o registro de 2.215 eutanásias/óbitos. A maior quantidade de animais é de gatos (97,6%), seguidos de cães (2,4%). Os animais envolvidos são, em maioria (65,6%), machos.