CNEN recebe visita de especialista alemão para reunião técnica sobre potenciais parcerias em propulsão aeroespacial

Publicado em 10/02/2025 10:01
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Frank Jansen no IEN/CNEN
Frank Jansen (à direita) enfatizou em reunião técnica os avanços da engenharia aeroespacial, acompanhado de Wilson Calvo na CNEN. Foto: Douglas Troufa.

Durante suas visitas às instituições científicas no Brasil, o astrofísico alemão Frank Jansen, esteve na sede da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), em Botafogo (Rio de Janeiro), na sexta-feira, 31 de janeiro, para uma reunião técnica sobre prospecção de parceiras no desenvolvimento de soluções associadas à propulsão aeroespacial, a partir do uso da tecnologia nuclear. Jansen atuou na área de P&D do Centro Aeroespacial Alemão (DLR) por 20 anos e, atualmente, é Fundador e CEO da 1A – First Applications.

Esse encontro serviu para que o especialista apresentasse à CNEN o que está sendo desenvolvido no Sistema Internacional de Energia e Propulsão Nuclear (INPPS), visando missões interplanetárias para Marte e Europa (menor das quatro luas que orbitam Júpiter), além de ressaltar a capacidade da energia nuclear de abastecer esses propulsores e explicar sobre o transporte espacial de alta potência com sinalização do INPPS.  

O especialista, com mais de 30 anos de experiência em assuntos relacionados a raios cósmicos, astrofísica e desenvolvimento de sistemas espaciais, declarou que o Brasil, por meio das suas instituições científicas, possui os meios para investir na produção de equipamentos e de propulsores aeroespaciais, e que há uma gama de parcerias que podem ser estabelecidas com outros países. 

Durante a sua explanação, Jansen destacou que o projeto de criação de propulsores aeroespaciais do INPPS conta com a contribuição de instituições provenientes da China, Rússia, Itália, França, Holanda, Reino Unidos, República Tcheca, além do Brasil. Ele reforçou que as instituições científicas do Brasil, a exemplo da própria CNEN, detêm expertises e conhecimentos que poderiam agregar aos trabalhos que são executados pela União Europeia no setor aeroespacial: 

“Vocês podem contribuir conosco para um projeto em comum a partir de diferentes pontos de vista. Além da excelência nas Unidades Técnico-Científicas da CNEN, há muita experiência em São José dos Campos, no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e no Instituto de Estudos Avançados (IEAv). Portanto, temos que combinar essa experiência no Brasil com a nossa para voar, primeiro, com robôs e inteligência artificial para Marte, e depois com humanos. Isso é muito importante”, declarou Frank, que acrescentou que as expectativas para esse encontro na CNEN foram totalmente atendidas.  

O físico alemão foi recebido pelo Wilson Aparecido Parejo Calvo, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da CNEN, e assessores, além de Daniel Palma, da Diretoria de Radioproteção e Segurança Nuclear (DRS), e Fabiane Braga, diretora de Gestão Institucional substituta.

Segundo Calvo, o encontro foi extremamente importante para promover e identificar as oportunidades de participação da CNEN no desenvolvimento de propulsores aeroespaciais com o uso de tecnologia nuclear: “As sete Unidades Técnico-Científicas da Comissão Nacional de Energia Nuclear têm condições de trabalhar nesse projeto junto com a Comunidade Europeia, visando ao desenvolvimento dessa tecnologia, que é nova e disruptiva".

O próximo passo, segundo ele, é consultar pesquisadores e tecnologistas da CNEN a fim de identificar formas de colaboração nas áreas de reatores nucleares de pesquisa, materiais estratégicos e instrumentação nuclear, dentre outras. "Além de conversarmos com as instituições parceiras, tal como, a UFRJ e em especial, o DCTA e o INPE, que trabalham em temas aeroespaciais por tradição e excelência, para ver a forma com que a CNEN e suas Unidades podem fazer parte desse desafio mundial”, acrescentou.

Calvo adiantou que, após a interação com empresas e a avaliação interna, a CNEN verificará a possibilidade de estabelecer acordos de cooperação semelhantes aos que foram feitos com a China, Estados Unidos e países da Comunidade Europeia, para formalizar sua participação no projeto de desenvolvimento de propulsores aeroespaciais. 

Um dia antes da visita à CNEN, Frank esteve no Programa de Engenharia Nuclear (PEN) da COPPE/UFRJ também palestrando sobre propulsão nuclear espacial, desenvolvimento de reatores nucleares espaciais e sobre a importância de haver uma integração entre Brasil e União Europeia nessa área. De acordo com o professor Giovanni Laranjo de Stefani, da Coppe/UFRJ, a instituição está participando de uma parceria com a União Europeia e com o professor Lamartine Nogueira Frutuoso Guimarães, voltada à modelagem neutrônica do núcleo. 

Papel relevante do Brasil

A parceria da COPPE/UFRJ começou em julho/agosto 2023, quando Jansen fez uma visita de aproximadamente 15 dias ao professor Lamartine Guimarães, do ITA. Na ocasião, foi discutido o projeto Europeu do INPPS (do inglês International Nuclear Power Propulsion System). Guimarães e o também professor Giovanni de Stefani já vinham conversando sobre colaborações de interesse mútuo em SMRs, Micro-reatores e aplicações espaciais da energia nuclear anteriormente.

No início de dezembro, Jansen participou de uma conferência na China, onde estabeleceu contato com seus pares chineses. Dessa conversa surgiu a possibilidade de obter financiamento chinês para pesquisas relacionadas ao INPPS. Enquanto isso, na Europa, o tema está em compasso de espera devido a desafios sociopolíticos na Alemanha. "De qualquer forma, conduzir este assunto do INPPS requer, no mínimo, recursos para cálculos de avaliação de sistemas, e o interesse chinês apresenta uma oportunidade única", acredita Stefani.

Ele destaca a importância da participação do Brasil nessa pesquisa, pois a exploração espacial atua como um catalisador para o desenvolvimento de tecnologias que, de outra forma, não teriam incentivo para avançar. Além disso, o espaço profundo — incluindo a Lua, Marte e o cinturão de asteroides — representa uma promissora fonte de recursos minerais sem impacto ambiental na Terra. A apresentação dessa ideia na CNEN é um desdobramento natural desse contexto.

"Uma parceria entre CNEN, COPPE-UFRJ e ITA para a exploração do espaço profundo garantiria às futuras gerações brasileiras acesso a seus recursos minerais. Vale destacar que a AEB já demonstrou interesse no tema. Dada a relevância e complexidade dessa colaboração, é compreensível que seu avanço ocorra de forma gradual.", concluiu Stefani.

Texto: José Lucas Brito - IEN/CNEN (colaborou Giovanni di Stefani)

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Ciência e Tecnologia
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