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Brasil e China firmam cooperação estratégica para assegurar fornecimento de radioisótopos essenciais
Foto: Divulgação
A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e a China Isotope & Radiation Corporation (CIRC), subsidiária da China National Nuclear Corporation (CNNC), assinaram um Memorando de Entendimento (MoU), que marca um novo passo na cooperação bilateral entre Brasil e China no campo da tecnologia nuclear aplicada, durante evento paralelo da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), na 30ª Conferência de Energia de Fusão, em Chengdu, na China. Pela CNEN, o Memorando foi assinado por seu presidente, Francisco Rondinelli Júnior, em 15 de outubro.
O objetivo do memorando é assegurar o fornecimento contínuo e estável de radioisótopos utilizados em áreas vitais ao desenvolvimento científico e social do país. O acordo reflete o compromisso das duas nações em garantir o acesso a insumos nucleares indispensáveis para a medicina, a indústria e a pesquisa, fortalecendo a segurança no suprimento desses materiais estratégicos. Esteve presente ao evento o diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da CNEN, Wilson Calvo, a diretora do IPEN/ CNEN, Isolda Costa e o pesquisador Ralph Santos-Oliveira do Instituto de Engenharia Nuclear (IEN/CNEN).
Com o entendimento firmado com a CIRC — empresa líder mundial em aplicações de tecnologia nuclear, integrante da CNNC —, o Brasil dá mais um passo na consolidação de sua infraestrutura nuclear e na disponibilização dos benefícios da tecnologia à sociedade.
Radioisótopos que salvam vidas e impulsionam o progresso
Entre os materiais contemplados estão Iodo-131, Lutécio-177, Molibdênio-99, Cobalto-60, Carbono-14 e Irídio-192, além de outros radioisótopos aplicados em saúde, produção industrial e pesquisa científica. A promoção do acesso a esses elementos significa contribuir com avanços na saúde, com tratamentos mais eficazes e inovação científica com impacto direto na sociedade. O memorando entre Brasil e China traduz, em um só gesto, o propósito maior da cooperação nuclear: colocar a ciência a serviço da vida.
O Iodo-131 é amplamente utilizado no diagnóstico e tratamento de doenças da tireoide; o Lutécio-177, em terapias contra o câncer de próstata; e o Molibdênio-99 é base para a produção do Tecnécio-99m, responsável por mais de 80% dos diagnósticos em medicina nuclear no mundo. Já o Cobalto-60 tem aplicações em radioterapia e na esterilização de materiais hospitalares, enquanto o Irídio-192 é empregado em tratamentos oncológicos (braquiterapia) e processos industriais (ensaios não destrutivos). O Carbono-14, por sua vez, é utilizado por exemplo em arqueologia, paleontologia, geologia e hidrologia, em estudos ambientais. Em saúde, é utilizado para diagnosticar a presença da bactéria Helicobacter Pylori.
Parceria e compromisso técnico-científico
O memorando firmado entre CNEN e CIRC estabelece uma cooperação inicialmente válida por três anos, com possibilidade de prorrogação. Durante esse período, as instituições deverão aprofundar estudos sobre viabilidade técnica e comercial, com base em modelos de negócio sustentáveis e em conformidade com as legislações de ambos os países.
O acordo não envolve transferência de recursos financeiros nem doação de bens. Cada parte arcará com suas próprias despesas relacionadas às atividades de cooperação — como deslocamentos, comunicação e pessoal técnico —, preservando a independência administrativa e o caráter técnico-científico do compromisso. O documento também prevê medidas para proteção da propriedade intelectual e confidencialidade das negociações, de acordo com normas nacionais e internacionais.
Para a CNEN, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o novo acordo é mais uma iniciativa de destaque para o setor nuclear brasileiro. A autarquia reforça, assim, sua atuação estratégica no desenvolvimento científico e tecnológico do país. A Comissão é responsável por iniciativas estruturantes, como o Projeto do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), que busca ampliar a produção nacional de radioisótopos e reduzir a dependência externa, dentre outras aplicações da tecnologia nuclear.
Fonte: Cocom/ CNEN