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Pesquisadores da ESD realizam expedição para investigar aspectos logísticos do PROANTAR
Nos dias 10 e 11 de junho de 2025, quatro professores/pesquisadores da Escola Superior de Defesa (ESD) — Cel QCO José Roberto Pinho de Andrade Lima, Cel R/1 EB Thadeu Crespo Negrão, CMG (RM1-FN) Carlos Eduardo Vieira Nunes e Prof. Dr. Paulo Câmara (ESD/Universidade de Brasília) — juntamente com o Cel Eng FAB Bruno Cava Rodrigues, da Diretoria de Infraestrutura da Aeronáutica (DIRINFRA), realizaram a 1ª Expedição do Núcleo de Estudos Polares da ESD (NEPESD), com o objetivo de levantar subsídios sobre a logística de transporte e ressuprimento do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR).
Na ocasião, a equipe visitou o 1º Esquadrão do 1º Grupo de Transporte (Esquadrão Gordo), na Base Aérea do Galeão (RJ), organização militar que há mais de 40 anos apoia o PROANTAR. Durante a visita, os pesquisadores conheceram as capacidades do KC-390 Millennium, a mais moderna aeronave da FAB, e discutiram possibilidades de localização para a instalação de um aeródromo brasileiro na Antártica, além de detalhes do planejamento e execução do lançamento de cargas destinadas à Base Brasileira Comandante Ferraz.
Entre maio e setembro de 2025, o KC-390 deverá lançar, por paraquedas, cerca de 8 toneladas de carga por etapa, contendo suprimentos como ovos, verduras, legumes, queijos e outros mantimentos perecíveis. Os pesquisadores também visitaram a aeronave para acompanhar o processo de preparação da carga e coletaram dados junto à tripulação sobre as manobras de lançamento, analisando os desafios operacionais envolvidos.
O estudo sobre a viabilidade de um aeródromo brasileiro no continente antártico teve início em 2024, com um Trabalho de Conclusão de Curso no âmbito do Curso de Altos Estudos em Defesa da ESD e a elaboração de um relatório técnico pela DIRINFRA/FAB. A Diretoria contribui com sua expertise em projetos de aeródromos em regiões remotas por meio da Comissão de Aeroportos da Região Amazônica (COMARA), além de resgatar o estudo pioneiro realizado na década de 1980 na Ilha Rei George, liderado pelo então Maj Eng Mesquita (hoje Maj-Brig Eng Veterano).
Em 2025, o projeto foi incorporado a uma pesquisa aprovada no Edital PRODEFESA V (CAPES/Ministério da Defesa), gerando produtos acadêmicos voltados ao apoio à decisão no nível político-estratégico. A atividade integra um dos objetivos da Política Nacional de Defesa (PND), que orienta “elevar a participação brasileira na Antártica”, e busca fortalecer a presença científica brasileira na região. Além disso, contribui para o entendimento dos impactos das mudanças climáticas sobre a segurança e defesa no entorno estratégico do Brasil.
Para o biênio 2025/2026, o NEPESD prevê novas expedições para coleta de dados técnicos em aeródromos no sul do país, como Rio Grande e Chuí, e em Frei (na Península Antártica), além de acompanhar in loco operações de lançamento de carga na região da Ilha Rei George.
O continente antártico é um patrimônio da humanidade, regido pelo Tratado da Antártica, que permite sua exploração apenas com fins pacíficos e científicos. O Brasil, sexto país mais próximo da Antártica, é fortemente influenciado por sua dinâmica climática e, ao longo de 40 anos de PROANTAR — o mais longevo programa de Estado do país — tem feito descobertas relevantes nas áreas de glaciologia, climatologia, biodiversidade, biotecnologia e saúde. Para garantir a continuidade e expansão da presença científica brasileira na região, é essencial o fortalecimento da logística antártica, fragilizada desde a aposentadoria da aeronave C-130 Hércules, que possibilitava pousos diretamente no continente gelado.






