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Humanização no cuidado intensivo
UTI Adulto e Cardiológica comemora cinco anos de visita estendida ao paciente.
O adoecimento e a hospitalização geram rupturas no cotidiano do enfermo e de seus familiares. A internação em uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) é um evento traumático e estressante para os pacientes e seus familiares, pois limita o contato físico e, muitas vezes, soma-se a sentimentos como medo e insegurança. A fim de humanizar os cuidados intensivos, a UTI Adulto e Cardiológica do Hospital Universitário de Santa Maria implementou, há cinco anos, o projeto “Visita estendida: aproximando equipe, pacientes e familiares”.
A visita estendida oferece aos parentes de primeiro grau (pais, filhos, irmãos, esposas e maridos) a oportunidade de permanecerem ao lado do seu familiar por um período além do horário normal de visitas, que é de meia hora por turno. Na UTI Adulto e Cardiológica do HUSM, os visitantes têm a possibilidade de permanecer, alternadamente, até 12 horas por dia, das 9h às 21h, como acompanhantes de pacientes que estejam acordados ou em cuidados paliativos. No entanto, a autorização para essa visita só ocorre após o enfermeiro informar à equipe que o familiar recebeu, presencialmente, as orientações sobre o funcionamento e a dinâmica do serviço, bem como as normas e rotinas do local, e assinou um termo de compromisso.
Um dos principais benefícios da visita estendida é a contribuição da família na redução dos casos de delirium. O delirium - uma disfunção cerebral aguda caracterizada por distúrbio de consciência, atenção, cognição e percepção que se manifesta por meio de confusão mental - é um dos principais problemas de saúde pública que acomete cerca de 30% a 70% dos pacientes internados em UTIs.
“Quando o paciente desperta e percebe que sua família está próximo dele, ele se sente mais tranquilo para compreender onde está e o que aconteceu com ele, o que ajuda na diminuição dos casos de delirium nos pacientes”, relata Patrícia Prevedello, enfermeira da unidade.
Trabalho em equipe
Na UTI Adulto do HUSM, preza-se pelo atendimento mais humanizado e centrado nas necessidades do paciente e sua família, assim como proporcionar à equipe e familiares um compartilhamento dos cuidados.
O envolvimento da família no cuidado do paciente crítico desempenha um papel essencial no bem-estar dele. “Percebo que o paciente se sente mais seguro quando o familiar está com ele. Acredito que o fato de ter alguém aqui provoca um sentimento de segurança”, comenta Susan Moletta, acadêmica de enfermagem.
Além disso, a visita estendida agrega na humanização do tratamento do paciente e proporciona ao familiar aprendizados sobre cuidados inerentes ao enfermo.
“O paciente que sai de uma UTI, vai para um enfermaria e, consequentemente, os cuidados da enfermagem vão diminuindo. É menos intensivo do que aqui. E no lar, quando o paciente recebe alta, é a família que irá cuidar. Então, o familiar estar presente aqui, não deixa de ser um aprendizado para ele, pois já está acostumado e aprendeu a como cuidar do enfermo”, exemplifica a fisioterapeuta Janice Soares, chefe da Unidade de Terapia Intensiva Adulto.
Nara Guedes é irmã de uma das pacientes que se encontra na UTI há mais de um mês.
“Para mim a visita estendida representa família, amor. Acho muito importante estar aqui com ela, acredito que faça com que ela se sinta mais à vontade e sinta vontade de lutar”.
Texto: Luiza Ventura, acadêmica de jornalismo e voluntária na Unidade de Comunicação Social do HUSM